No feed de uma rede social, em uma postagem visível apenas para mim, Gustavo exibiu fotos dos dois juntos na cama após a intimidade.
Desesperado, caí sentado no chão. Sentindo o impacto de sucessivos golpes, peguei meu celular e publiquei um desabafo.
Minha mãe está em estado crítico no hospital, enquanto a Dra. Helena está me traindo com o antigo aluno que operou minha mãe de forma negligente.
O post viralizou instantaneamente. Aproveitando o momento, fiz o upload das fotos comprometedoras dos dois. A internet inteira começou a atacar Gustavo, chamando-o de amante e dizendo que ele deveria estar na cadeia.
Finalmente, Helena me ligou, transbordando fúria:
"Gabriel Duarte, você enlouqueceu?"
"Como ousa ameaçar o Gustavo? Só me diga uma coisa: você ainda quer que sua mãe viva?!"
Segurei o celular com força e, com os olhos vermelhos, rebati:
"Está com pena dele? Então venha agora mesmo fazer a cirurgia da minha mãe".
Houve um silêncio do outro lado por um momento, seguido por um suspiro de desprezo e nojo:
"Você inventou uma desculpa tão medíocre só para difamar o Gustavo? Eu não recebi nenhum aviso de cirurgia!"
Ela desligou. Poucos minutos depois, para minha surpresa, surgiu um comentário fixado no topo do meu post com milhares de curtidas.
Meu marido, Gabriel Duarte, sofre de transtornos mentais. Tudo o que foi dito acima é fruto de seus delírios, causados pela inveja que ele sente do brilhante Dr. Gustavo Lemos.
Como esposa dele, peço desculpas a todos.
Vou providenciar para que ele peça desculpas pessoalmente ao Sr. Gustavo Lemos, e conto com a vigilância de vocês.
Junto ao texto, ela anexou a imagem de um laudo de doença mental. Em um instante, meu celular foi inundado de ataques.
"Se está doente, vá se tratar e pare de prejudicar os outros!"
"A mãe dele morrer é bem feito, quem mandou ser um invejoso desses. Que cara desprezível!"
"Se ele não pedir desculpas, não operem a mãe dele. Seria bondade demais para alguém assim!"
...
Ouvindo aqueles insultos desesperado, eu não tinha como me defender. Helena ligou novamente, com a voz gélida:
"Venha para o terceiro andar agora pedir desculpas ao Gustavo. Antes de recusar, pense na sua mãe".
Ela estava usando a vida da minha mãe para me chantagear!
Como a situação no centro cirúrgico era crítica, corri para o terceiro andar, lutando contra o tempo. Assim que entrei na sala, dezenas de lentes de câmeras em transmissão ao vivo foram apontadas para mim, com olhares de julgamento e desprezo.
Gustavo estava escondido atrás de Helena, fingindo chorar.
"Gabriel... você acabou com a minha reputação..."
De repente, vários tapas começaram a me atingir como chuva, e minhas roupas foram rasgadas agressivamente. Alguém me deu um chute forte atrás dos joelhos, me fazendo cair.
"Peça desculpas, seu canalha!"
Fiquei ali, quase seminu, exposto diante de todos, com sangue escorrendo pelo canto da boca. Helena franziu a testa e desviou o olhar. Provavelmente sentia vergonha de mim.
Mas eu não me importava com mais nada, apenas implorei humildemente:
"Eu peço desculpas, mas a doença da minha mãe piorou de repente, por favor..."
Antes que eu terminasse, o rosto de Helena escureceu de raiva.
"Chega, Gabriel!"
"Se você ainda quer que eu opere sua mãe, dê cem tapas na própria cara como pedido de desculpas agora mesmo!"
"Você faz questão de destruir o futuro do Gustavo?!"
Pensei na respiração da minha mãe, que ficava cada vez mais fraca. Mordi meus lábios até sangrar, sem forças sequer para fechar os punhos.
No momento em que eu ia ceder, o celular tocou desesperadamente. Era o médico do centro cirúrgico.
"Sr. Duarte, sua mãe está falecendo. Venha agora se quiser vê-la pela última vez!"