"A culpa é minha, no momento em que a saúde da minha avó piorou eu entrei em pânico, senão não teria estragado o casamento de vocês".
A expressão de Beatriz endureceu e ela ficou com o rosto lívido de raiva:
"Thiago, você já é um homem feito, será que não pode ser um pouco mais maduro?".
Respondi com calma: "Não é por esse motivo, apenas sinto que este trabalho não combina mais comigo".
Julian interrompeu apressadamente: "Thi, não fale da boca para fora!".
"Eu sei que, há um mês, seu pedido de promoção foi negado de novo. Vou conversar com a Bia, tenho certeza de que ela te dará um cargo melhor na próxima, tudo bem?".
Beatriz relaxou a expressão e disse com desdém: "Então era só por causa disso. Está bem, vou te dar o aumento e a promoção agora mesmo, satisfeito?".
Eles falavam sozinhos, como se estivessem ensaiando um jogral.
Soltei um riso sarcástico. Com a minha capacidade e tantos anos de casa, eu já deveria ter subido de cargo há muito tempo. Beatriz sempre dizia que precisava reter talentos e dava a minha chance para novos funcionários; depois, dizia que não podia desapontar os veteranos e entregava a minha promoção para outra pessoa. Por causa disso, depois de tantos anos, eu ainda era um simples líder de grupo.
Eu não cairia mais em suas falsas promessas.
Abri a boca para falar, mas Beatriz me cortou com impaciência: "Chega, já terminou o show? Volte logo ao trabalho, você acha que a minha empresa sustenta gente encostada?".
Ela lançou um olhar de desprezo para a carta de demissão em minha mão:
"Guarde esse papel. Vou avisar ao RH para não descontar o seu bônus de assiduidade de hoje".
Dito isso, Beatriz saiu puxando Julian pelo braço.
Fiquei parado no mesmo lugar por um longo tempo. Finalmente, balancei a cabeça negativamente. Aquela provavelmente seria a última conversa que eu teria com Beatriz, e, como esperado, terminou em conflito.
Depois de me acalmar, entreguei a carta de demissão diretamente no departamento de pessoal. Esvaziei meu escritório e peguei o primeiro voo de volta para a minha cidade natal.
Na minha cidade, consegui um emprego estável. O salário não era alto, mas o trabalho era tranquilo. Nos fins de semana, eu até conseguia tempo para pescar, passando o dia inteiro observando o reflexo da água.
Cortei completamente o contato com Beatriz. Até o pai dela, o Sr. Ferreira, veio tentar me convencer a conversar para resolvermos as coisas, mas Beatriz continuava íntima de Julian, ignorando totalmente a minha existência.
Dois meses depois, ela finalmente se lembrou de me procurar.
"Thiago, você enlouqueceu? Para onde você fugiu?".
"Para a casa da minha família".
"Interior? O que você foi fazer nesse lugar esquecido?".
"Esquece. Amanhã é o aniversário do Julian. Vou mandar minha secretária reservar sua passagem. Esteja no hotel amanhã sem falta, agora mesmo!".
Ela desligou sem me dar chance de resposta. Ouvi o sinal de linha ocupada, dei um sorriso irônico e bloqueei o número dela imediatamente.
Beatriz acreditava que eu não podia viver sem ela e não levou a sério o nosso término, mas eu estava falando muito sério.
O que eu não esperava era que, como eu não fui até ela, três dias depois ela apareceria na minha porta. E trouxe o Julian junto.
Assim que me viu, Beatriz apontou o dedo para o meu rosto e começou a gritar:
"Thiago, como você teve coragem de juntar suas coisas e sumir sem dizer nada?!".
Ao ver que eu permanecia em silêncio, ela acrescentou com impaciência: "Está bem, está bem! Vamos fazer o casamento ainda este mês, satisfeito agora?!".
Olhei para ela sentindo apenas um vazio gélido no peito. Cada vez que ela mencionava o casamento ou dizia que me amava, parecia uma faca cravada no meu coração.