"Por que a sua barriga está vazia!"
O grito de Ricardo ecoou com uma força que parecia estremecer as paredes do hospital. Com uma das mãos, ele me mantinha pressionada contra o chão, enquanto a outra tateava freneticamente o meu ventre.
Ao confirmar que o bebê realmente não estava mais lá, ele empalideceu, ficando estático com os olhos injetados de sangue.
Vivi levou a mão à boca, soltando um grito estridente e carregado de veneno: "Nem os animais fazem isso com os próprios filhotes! Você teve a coragem de matar o seu próprio filho!"
Com um brilho de excitação nos olhos, ela agarrou o braço de Ricardo e disparou: "Kadu, por que você ainda se importa com essa louca? Termine esse noivado de uma vez por todas!"
Ricardo tentou me segurar, tremendo enquanto exigia uma explicação, mas eu reagi com um tapa violento no rosto dele.
Ignorei-o completamente e corri para fora do quarto, gritando desesperada:
"Médico! Alguém chame um médico agora!"
Em meio ao caos, uma equipe de emergência apareceu e levou minha mãe para a sala de cirurgia. Ricardo me seguia como uma sombra, o rosto transfigurado por uma mistura de agonia e confusão.
"Por que a Dona Glória passou mal assim de repente? E por que você tirou o nosso filho sem me dizer nada?"
Ele apontava para a marca do tapa no próprio rosto enquanto me questionava com autoridade.
Por quê?
Porque eu me recusava a repetir o destino trágico da minha vida passada e não queria que meu filho tivesse um lixo como ele como pai.
Olhei para ele com os olhos em brasa, agarrando qualquer objeto ao meu alcance e arremessando contra ele.
"Suma daqui! Eu já disse que entre nós dois tudo acabou! Nunca mais ouse me procurar, nem você e nem a sua amante. Fora!"
Ricardo não conseguiu se esquivar de um copo, que atingiu em cheio a sua testa.
O sangue começou a escorrer pelo seu rosto, e ele ficou em choque, sem conseguir acreditar que aquela Estela, antes tão submissa e dócil, o trataria daquela forma.
"Kadu, vamos embora, ela ficou maluca!"
Vivi o puxava pelo braço, lançando-me um olhar carregado de ódio:
"Você vai me pagar por isso!"
Finalmente sozinha, desabei no chão do corredor, entregue à espera angustiante pela cirurgia da minha mãe.
Foi então que recebi uma mensagem de Thiago, um antigo companheiro de armas de Ricardo com quem ele havia rompido recentemente.
Era um vídeo. "Estela, você é uma boa mulher e não merece ser enganada. Você tem o direito de saber a verdade."
Um pressentimento sombrio tomou conta de mim enquanto eu dava o play com as mãos trêmulas.
No vídeo, um homem perguntava a Ricardo: "E então, como é a sensação de finalmente conseguir o que queria?"
A voz de Ricardo soou cínica e satisfeita:
"Ela é mais ingênua do que eu imaginei. Acreditou direitinho naquela história de que eu estava drogado com afrodisíaco. Chorou um pouco, mas logo me perdoou."
Ele continuou, num tom leviano: "Virgem de colégio é outro nível, o corpo é impecável. Você devia arrumar uma para se divertir também."
Minha cabeça começou a latejar e senti meu coração se despedaçar. Ele nunca esteve sob efeito de droga nenhuma; ele havia me estuprado deliberadamente.
Na época, eu tinha apenas dezenove anos. Acordei em choque e entrei em colapso total, trancando-me num quarto escuro por quinze dias sem ver a luz do sol.
Ricardo já era um General respeitado no quartel. Eu estava apavorada demais para denunciar ou contar a alguém; só queria que ele sumisse da minha vida.
Mas ele passou a me buscar na escola com sua caminhonete militar, exibindo-se para todos.
Quando eu me recusava a entrar, ele me seguia lentamente, buzinando sem parar até me obrigar a ceder para evitar o escrutínio dos professores e colegas.
Implorei, gritei e fiz de tudo para que ele parasse, mas ele apenas sorria com uma ameaça velada: "Prometa que vai namorar comigo e eu paro de vir aqui."
Agora, a ficha finalmente caiu. Todo esse relacionamento não passou de um plano meticuloso e cruel arquitetado por ele desde o primeiro dia.
Meu corpo alternava entre calafrios e febre enquanto eu me abraçava no chão do hospital, chorando em soluços desesperados.