《Renascendo das Cinzas: O Amor Falso do General》Capítulo 3

"Estela, aonde você pensa que vai!" Ricardo rosnou, as veias de sua mão saltando enquanto ele apertava o meu braço com força.

Fiquei em silêncio por dois segundos antes de responder com uma indiferença cortante: "Acabou. Vamos terminar. Já que o pedido de casamento não passou, poupamos o trabalho de todo mundo".

O rosto de Ricardo empalideceu. Ele ficou estático, como se as palavras não fizessem sentido em sua cabeça.

"Você enlouqueceu? E o bebê, como fica!".

Ele explodiu em fúria, tentando tocar a minha barriga. De repente, Vivi desabou no chão, fingindo um desmaio. No instante em que Ricardo se virou para socorrê-la, bati a porta do carro e arranquei, deixando-o para trás. Pelo retrovisor, vi sua silhueta paralisada na calçada.

Ao chegar no meu próprio apartamento, anunciei o meu vestido de noiva em um site de desapegos. Em seguida, enviei mensagens para amigos e familiares avisando que o casamento estava cancelado e que a papelada militar não havia sido aprovada. Resolvido tudo, senti um peso saindo das minhas costas e finalmente consegui dormir.

Após o fim de semana, voltei ao trabalho no setor administrativo do quartel. Mas, assim que pisei no pátio, senti os olhares tortos me perseguindo.

"Quem diria que a Coronel Estela era desse tipo".

"A família é pobre, a mãe vive doente no hospital... Como ela bancava marcas de luxo na academia militar? Era bancada por homem, só pode!".

"Dizem que ela até já abortou. Não parece flor que se cheire, por isso o noivo vive dando o cano nela".

"Capaz de ter conseguido a patente de Coronel na base do rala e rola!".

Meus ouvidos zumbiram. Uma onda de fúria subiu à minha cabeça. Eu estava prestes a denunciar a calúnia quando Vivi invadiu a sala, chorando aos prantos diante de todos.

"Coronel Estela, eu te imploro, devolva o meu colar! Foi o presente de dezoito anos que a minha mãe me deu antes de morrer. É a única lembrança que eu tenho dela!".

Meus colegas começaram a se aproximar, com expressões de nojo e desprezo.

"Coronel, por que roubar algo de uma menina? Devolva logo!".

"Tenha um pouco de humanidade. Você também tem mãe, e a sua está doente. Pense no carma que está atraindo para ela!".

Um brilho cruel e traiçoeiro passou pelos olhos de Vivi enquanto ela pegava o celular, ameaçando ligar para a minha mãe.

"Vou falar com a Dona Glória. Tenho certeza de que ela vai me entender".

Entrei em pânico. Avancei para arrancar o celular das mãos dela: "Minha mãe está internada, você quer matá-la do coração!".

Vivi aproveitou o impulso e se jogou no chão, chorando com ainda mais desespero. O círculo de pessoas ao redor aumentava, e eu sentia minhas têmporas latejarem. Quando tentei me afastar, ela agarrou a minha perna com força.

Um grito estrondoso ecoou pelo corredor. Ricardo apareceu, deixando cair no chão o buquê de jasmins que trazia. Ele correu e pegou Vivi nos braços, protegendo-a. Ele me encarou com um olhar de pura decepção, os lábios tremendo de raiva.

"E eu ainda vim aqui para te pedir desculpas... Como você pode ser tão perversa a ponto de maltratar alguém assim!".

Vivi não parava de soluçar, fazendo-se de vítima: "Coronel Estela, por favor... é a única coisa da minha mãe".

Cercada por acusações e insultos, mordi a ponta da língua até sentir o gosto de sangue para não desabar. Tentei girar o corpo para sair dali, mas senti uma dor aguda no braço. Ricardo me puxou de volta com brutalidade, me prensando contra o chão enquanto gritava:

"Estela, você não quer perder o seu cargo, quer? Vou dizer uma última vez: peça desculpas agora!".

Meus joelhos arderam contra o piso áspero. Quando levantei os olhos marejados, Ricardo desviou o olhar friamente. Ao redor, as vozes continuavam a me apedrejar com palavras sujas.

"Meu Deus, ela subiu na carreira deitada mesmo?".

"Nunca prestou. Já tinha uns boatos na época da escola, pelo visto era tudo verdade".

Senti minhas entranhas se retorcerem. O mal-estar era tão grande que tive vontade de vomitar. Ricardo sabia perfeitamente que, na academia, eu tinha sofrido um bullying tão pesado que tentei tirar a própria vida. Foi ele quem me carregou ensanguentada para o hospital. Foi ele quem largou o trabalho para ficar ao meu lado por três meses, me trazendo de volta da beira do abismo.

E agora, para defender outra mulher, ele liderava o linchamento contra mim. Eu preferia morrer a aceitar aquela calúnia. Num impulso, cravei os dentes na mão dele com tanta força que ele soltou um grito de dor.

Vivi berrou: "Você não é humana! Quase arrancou um pedaço dele! Vou chamar a polícia!".

Cuspi o sangue da minha boca sem dizer uma palavra. Levantei-me e saí dali. Ao chegar em casa, tirei uma semana de licença e apaguei no sofá, exausta.

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