Quando o meu pedido de casamento foi rejeitado pelo comissário pela nona vez, perdi o controle. Fui direto ao gabinete do meu noivo, o General Ricardo, exigir uma explicação.
A voz de Ricardo carregava aquela mesma e velha nota de desculpas. "Estela, os ferimentos da Vivi desta vez foram graves... O registro do casamento, podemos adiar só mais um pouco?"
Eu o interrompi bruscamente. "A minha barriga não pode mais esperar."
Ele ficou em silêncio por um instante, suavizando o tom de voz. "Eu sei. Só me dê mais um tempo, até que o estado da Vivi se estabilize..."
"Se você não se casar comigo agora, eu vou interromper esta gravidez."
Eu o encarei fixamente. Desta vez, eu não recuaria.
Na minha vida passada, por causa da minha covardia e doçura, o relatório de casamento foi negado uma vez após a outra. Todo o distrito militar zombava de mim, dizendo que eu carregava um bastardo e que, por isso, o General Ricardo nunca se casaria comigo.
Minha mãe ficou tão desgostosa que acabou parando no hospital. Mesmo grávida, fui implorar a Vivi por misericórdia, apenas para ser acusada por ela de tentativa de homicídio. Ela me empurrou escada abaixo de propósito, me fazendo perder o bebê e qualquer chance de ser mãe novamente.
Ricardo não apenas se recusou a mandá-la para a prisão militar, como ainda me culpou pela morte da criança. Naquela vida, morri de um infarto fulminante, consumida pela mágoa e pelo ódio.
Renascer me trouxe uma clareza cruel. Eu não deveria arruinar a minha vida por causa de um lixo como Ricardo.
O rosto de Ricardo escureceu e seus olhos se estreitaram em fendas frias. "Você está me ameaçando? Estela, você tem noção de que uma vida está em jogo? Você precisa mesmo levar a Vivi ao limite para ficar satisfeita?"
Sua voz era gélida e impiedosa, como se eu fosse a vilã cometendo uma atrocidade. Minhas mãos, protetoras sobre o meu ventre, tremiam levemente, mas uma risada seca escapou da minha garganta.
"Eu estou levando alguém ao limite? O pedido de casamento foi rejeitado nove vezes. É você quem está tentando me destruir."
Exatamente como na vida anterior, conforme minha barriga crescia, os boatos no quartel se espalhavam como veneno. "O filho que a Estela carrega não deve ser do General. Caso contrário, por que ele nunca assina os papéis? Ele só quer humilhá-la." "Uma coitada que achou que podia dar o golpe no General. Só porque é bonitinha, achou que ia virar primeira-dama. Que tombo!"
Naquela época, minha gravidez já era de risco. Com os nervos à flor da pele, eu vomitava até não conseguir mais ficar de pé. Mas Ricardo nunca desmentiu nada, nem assinou o compromisso. Em vez disso, me culpava por não ter tomado a pílula na hora, chamando o bebê de "problema".
Agora, ele mantinha o mesmo olhar sombrio de antes, fixo em mim. "Você me culpa?"
Ele soava frio, mas quando seus olhos caíram sobre a minha barriga, ele soltou um sorriso leve e desdenhoso. "É apenas um papel, Estela. Precisa de tudo isso? Se for o caso, eu assino depois que o bebê nascer, dá no mesmo. O pessoal do quartel só gosta de falar besteira, mas você sabe que é a única que pode ser minha esposa."
Ele acariciou meu cabelo com uma ternura fingida. No segundo seguinte, o celular dele tocou desesperadamente.
Ricardo retirou a mão e saiu apressado. Eu soube na hora: Vivi estava fingindo que ia morrer novamente.
Sem sentir qualquer emoção, peguei um táxi para o hospital. Antes de entrar na sala de cirurgia, vi que o feed da Vivi tinha sido atualizado.
"Nunca falha! Eu sempre digo: se um homem te ama de verdade, ele não suporta ver você sofrer nem um pouco. Eu só arranhei a pele da mão e ele veio correndo, desesperado, para o meu lado."
Diante do contraste brutal, meu coração, que eu julgava dormente, latejou com uma dor aguda. Fechei os olhos cansados e desliguei o aparelho.
Duas horas depois, fui levada para fora da sala, ainda tonta pela anestesia. As enfermeiras, achando que eu estava inconsciente, não mediram as palavras ao falar de mim.
"Essa não é a famosa Estela? Aquela que teve o pedido de casamento negado nove vezes?" "É ela mesma! Saiu até no boletim interno. Coitada, não sei o que ela viu nele. Está na cara que o General não a ama."
As duas suspiraram, mas de repente, uma delas apontou para longe, animada. "Olha lá! O General Ricardo acompanhando aquela moça para buscar remédios. Ele a trata como se fosse uma joia rara, olha o cuidado."
Abri os olhos lentamente. Lá estava ele. Ricardo segurava Vivi pela cintura, confortando-a com uma paciência infinita, como se ela fosse o grande amor da vida dele.
Eu estava grávida de cinco meses e ele nunca tinha pisado no hospital para uma consulta sequer comigo.
Ao perceber que eu estava acordada, a enfermeira mostrou um olhar de piedade. "Quer que eu avise ao General que você saiu da cirurgia?"
"Não precisa."
Minha voz saiu num sussurro. Fechei os olhos, exausta. Algum tempo depois, meu celular começou a tocar.