Corri pra lá. Os rapazes acharam que eu ia separar a briga e logo disseram:
"Srta. Lara, olha o que essa pessoa que você trouxe tá fazendo. Deu um surto do nada."
"Se fosse eu, não ia causar problema pra Srta. Lara."
Arregacei a manga, peguei uma garrafa e joguei.
"Fica tagarelando assim pra ver."
"Apanhar é o mínimo que vocês merecem. Que gente é essa que acha que pode se comparar com o meu namorado. Nojento."
O bar virou um caos. O gerente correu pra aparar a situação.
Minha amiga entrou atordoada, foi logo empurrando eu e o Rafael pra fora.
"Para de brigar, vai acabar mal, vai, vai, corre."
"Pelo amor de Deus, não destroem meu bar."
Buguei de raiva, dei um bufido bem alto e saí puxando o Rafael.
Só parei na porta do bar.
Rafael se virou pra mim e ficou me olhando por um bom tempo.
Fui arranhando a mão nervosa, com medo de que aquela cena toda de violência tivesse destruído minha imagem de menina doce e delicada.
Rafael perguntou devagar:
"Lara. Você gosta mesmo de mim?"
Levantei a mão na hora pra jurar:
"Não é só gostar. É amar."
"Rafael, eu te amo. Amo quando você é gentil comigo, amo quando você fica por cima de tudo, amo tudo em você. Acho que você é perfeito em tudo, em absolutamente tudo. Mesmo que você nunca venha morar na minha casa, ainda assim eu te amo."
Fiz uma pausa de dois segundos, e então acrescentei em voz baixa, meio hesitante.
"Cla... claro que, se a gente casar um dia e você não criar um monte de regras, eu te amo um pouquinho mais ainda."
Rafael baixou devagar a minha mão erguida, e o canto da boca subiu levemente.
"Se eu não criar regras, você me ama mais?"
Acenei com tudo que tinha.
Rafael levantou a mão e beliscou levinho minha bochecha macia, o olhar iluminado por um sorriso que ele mal conseguia segurar.
"Ainda nem tamos juntos e você já tá pensando em como vai ser nosso casamento?"
Eu...
Fiquei com vergonha, tampei o rosto com as mãos.
Que na vida anterior, antes mesmo de conquistar o Rafael, eu já tinha pensado até no nome dos filhos.
Não sei por que ele entrou no meu coração assim, de uma vez só.
Como se numa vida passada a gente já tivesse combinado que ia ficar junto. Com essa certeza toda.
Rafael me abraçou.
"Lara. Se você me prometer que não vai mais vir pra balada fazer a vida, fico com você."
"Você aqui no bar, conversando com outras pessoas, bebendo com outras pessoas, mesmo que não faça nada, eu fico incomodado."
Piscou os olhos.
Ué, ele ficava incomodado?
Mas na vida anterior o Rafael nunca tocava no assunto. Só ficava cheio de regras sobre isso e aquilo, mas nunca explicava por quê.
Sem pensar duas vezes, levantei a mão e juro de novo:
"Juro pelos céus e pela terra. Se Rafael não criar regras depois do casamento, eu, Lara Sena, paro de ir em bar, paro de frequentar balada, lavo as mãos de tudo isso e viro a esposa certinha do meu futuro marido."
"Mas se Rafael me maltratar depois de casado, eu, Lara Sena, ainda vou embora de casa..."
Rafael pegou meu rosto com as duas mãos e, sem me deixar terminar, me beijou.
Lábios entrelaçados.
Apertei ele com força.
Fechei os olhos e fiquei pensando, meio boba: nossa, se tivesse fogos de artifício agora, aí sim.
...
O Rafael e eu ficamos juntos.
Meus dias ficaram completamente adoçados.
Na vida anterior, peguei o roteiro do casal que briga depois do casamento.
Nessa vida, estava vivendo um drama universitário fofo.
Só que antes mesmo de eu aproveitar muito, Dona Vera apareceu. Chegou na minha casa de visita com um monte de presentes.
Foi aí que percebi que meu pai era rápido mesmo.
A história de vida do Rafael tinha sido desenterrada por ele, e ele me ligou rindo sem parar.
Achando que tinha sido muito perspicaz da parte dele.
Dona Vera trouxe um relatório obtido com não sei que meios e me mostrou.
"Larinha, a tia te viu crescer. Me ajuda, tá?"
Só de pensar no tempo que o filho ficou sofrendo lá fora, o coração dela doía demais.
Peguei o exame de DNA com cuidado e disse:
"As férias tão chegando. O Rafael vai me levar pra conhecer a mãe adotiva dele. Talvez seja uma oportunidade."