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《Retrato de uma Vingança》Capítulo 22

Personagens neste capítulo:

Valentina Ramos (秦棠)

Marcelo Vieira (謝牧澤)

Sérgio Cavalcante (周序)

Clarinha (清清) — irmã de Valentina, mencionada

Capítulo 21

"Água..."

O copo foi colocado nos lábios de Valentina. Ela bebeu com avidez, sentindo o frescor percorrer a garganta.

Espera.

O que havia acontecido?

Valentina abriu os olhos com um susto e olhou ao redor.

"Acordou?" Marcelo pousou o copo e estendeu uma tigela de mingau quente na direção dela, o rosto suave. "Come um pouco."

Valentina recuou instintivamente, o olhar carregado de alerta:

"Não chega perto. O que você me fez? Onde estou?"

"Na nossa casa. Você não reconhece mais?" Marcelo pareceu levemente magoado. "Você é minha mulher. Não é natural estar em casa?"

Se Valentina ainda não havia entendido o que estava acontecendo, seria uma idiota.

Marcelo a havia prendido.

Ele tinha enlouquecido?

Valentina cerrou as mãos. As unhas se enterraram na própria palma.

Sabia que não podia provocar alguém no limite da razão. Forçou a voz a sair mais calma:

"Marcelo, não faz isso. Me deixa sair, tá?"

"A gente pode conversar sobre qualquer coisa."

"Não posso." Marcelo estava tranquilo e suave como sempre. "Se eu deixar a Val ir, ela vai procurar outra pessoa."

"Que outra pessoa?" Valentina percebeu o que ele quis dizer e sentiu um desespero que não tinha para onde ir. "Eu e o Sérgio não somos nada do jeito que você está pensando..."

"Não. Não acredito em você."

Marcelo fez um som de desdém:

"Fica aqui direitinho até voltar a gostar de mim."

"E não adianta esperar que aquele bonitinho venha te salvar. Isso aqui é minha cidade. Posso fazer ele entrar e não sair."

"Você..."

Valentina respirou fundo:

"Tudo bem. Mas pelo menos me dá o celular."

"O caso ainda está sendo investigado. Preciso acompanhar para encontrar quem mandou matar minha família."

Marcelo olhou para baixo, pensativo.

Valentina esperou com os olhos cheios de expectativa. Ele recusou com delicadeza:

"Não posso. É perigoso demais. Se você continuar metida nessa investigação, pode não sair com vida."

"E eu não consigo te salvar se chegar a esse ponto."

Valentina havia esgotado as opções.

Jogou-se na cama, a expressão fechada:

"Sai daqui."

Marcelo teve um olhar triste:

"Agora que sabe que não tem como fugir, é esse o tratamento que me dá?"

"Tudo bem, Val. A gente tem muito tempo pela frente."

"Você vai voltar a gostar de mim igual antes."

Valentina puxou o edredom e cobriu a cabeça, fingindo não ouvir nada.

Idiota sem vergonha.

Marcelo agiu como se não percebesse a resistência dela.

De dia, ficava abraçado a Valentina relembrando memórias dos dois, ou a convencia com voz mansa a comer alguma coisa.

À noite, depois que ela fechava os olhos, ele se esgueirava para a cama com cautela.

Quando ela percebia a presença ao lado, enrijeceu por um segundo, mas depois de constatar que ele só ficava deitado em silêncio, engoliu com dificuldade e não fez nada.

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Ela era boa em aguentar.

Os dois ficaram naquela estranheza tensa por vários dias.

Até que numa noite com neve fina caindo, Marcelo voltou cheirando levemente a álcool e tentou se aproximar dela, segurando seu rosto nas mãos com uma pegada grudenta.

"Marcelo, sai de cima de mim."

Valentina encontrou o olhar dele. A voz era plana como uma superfície de água parada.

Nenhuma raiva. Nenhuma surpresa. Um olhar morto.

Como se não fosse mais capaz de se agitar por causa de Marcelo.

Aquele olhar o atingiu de um jeito que ele não esperava. Ele forçou o rosto dela a virar, os olhos umedecendo levemente:

"Você não quer?"

"Por que não quer? Valentina, você é minha esposa!"

Sem dar ouvidos a nada, ele pressionou a cabeça dela e foi se inclinando para beijá-la.

Valentina sentiu um nojo que virou o estômago. Os dentes fecharam com força.

O gosto de sangue se espalhou entre os dois.

Marcelo parecia não sentir dor. A mão escorregou em direção à roupa dela.

Um estalo seco.

Valentina lhe deu uma bofetada.

Ele virou o rosto, lambeu o canto ensanguentado da boca e sorriu:

"Bem dado. Pode bater à vontade. Quantas vezes quiser."

"Mas hoje você não vai conseguir me parar."

"Marcelo, você sabe que nessa mansão, aqui no porão desta casa, Roberto Fonseca tentou me violentar."

Valentina soltou uma risada fria e desdenhosa:

"Sabe o que eu fiz?"

A expressão de Marcelo travou:

"Naquela época eu..."

"Bati minha própria cabeça na parede. Uma vez, outra vez, outra vez. Sangrei muito."

"Naquele momento, eu estava genuinamente disposta a morrer ali."

"Você quer que eu faça de novo?"

A expressão de Valentina não era de loucura. Mas Marcelo não duvidava nem por um segundo que ela fosse capaz.

A sua Val era uma mulher de uma teimosia e uma fibra fora do comum.

Ele ficou rígido por um momento. Os lábios se moveram sem produzir som algum. Por fim, baixou a cabeça e cedeu.

"Pode ir."

"Me desculpa..."

Marcelo não ousou encarar os olhos dela. Virou-se e saiu como se estivesse fugindo.

Valentina limpou os próprios lábios sem nenhuma expressão no rosto. Tirou a mão direita de dentro do edredom.

Na palma estava o celular de Marcelo.

A senha com certeza tinha a ver com ela. Tentou algumas combinações e acertou rapidamente.

Com os seguranças lá fora, ligar chamaria atenção. Ela digitou o número de Sérgio de memória e mandou uma mensagem.

Sou a Valentina. Marcelo me prendeu na Rua das Camélias, número 57, mansão norte.

Capítulo 22

"Val, olha. Mandei buscar tulipas da França especialmente para você. Não é sua flor preferida?"

No dia seguinte, Marcelo voltou como se nada tivesse acontecido, animado, mostrando o buquê.

Valentina baixou os olhos:

"Não é minha. Era da minha irmã."

Marcelo engasgou com as palavras. Uma expressão constrangida tomou o rosto.

Afinal, havia sido ele o responsável indireto pela morte da menina. Mencioná-la sempre trazia aquela culpa que não ia embora.

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Valentina soltou um suspiro. O olhar foi para a janela. A voz amoleceu um pouco:

"Quero ir ao cemitério visitar ela."

O rosto de Marcelo ficou hesitante:

"Val, lá fora não está seguro. E você não foi há poucos dias?"

"Fui há pouco e daí? Não posso ir quando quiser?"

Valentina contraiu o rosto. A emoção que havia estado comprimida finalmente estourou. Ela pegou o travesseiro e foi jogando nele com força:

"O que sou pra você? Sua propriedade? Seu bichinho de estimação? Nem sair de casa posso?"

"Você não foi que disse que sou sua esposa? É assim que você trata sua própria esposa?"

O tom era tão carregado, mas o rosto de Marcelo foi tomado por uma alegria que ele mal conseguia esconder.

"Val, você quer se reconciliar comigo?"

Valentina parou por um segundo, percebeu o que havia dito e ficou ainda mais irritada:

"Depois de tudo que você fez, quem ia querer se reconciliar com você?"

Mesmo assim, havia esperança.

Marcelo nunca havia sentido tanta felicidade num momento tão improvável. Era como se fogos de artifício estivessem explodindo dentro do peito.

Tratou de acalmá-la:

"Tudo bem, não fica brava. Te levo lá. Mas..."

"Mas o quê?"

"Você consegue colocar isso antes de a gente sair?" Ele tirou uma pequena caixinha do bolso. Dentro, um anel faiscava sob a luz.

A aliança original havia sido jogada fora por Valentina há muito tempo. Aquela era claramente uma nova, mandada fazer especialmente.

Valentina não respondeu.

"Você coloca e eu te levo ver sua irmã..."

Ela fechou a cara, pegou o anel com brusquidão e enfiou no anular.

"Assim tá bom?"

Marcelo sorriu de orelha a orelha e mandou preparar o carro na hora.

Do lado de fora do cemitério, Valentina desceu do carro. Atrás dela, um batalhão de seguranças.

Ela deu uma olhada e franziu a testa com impaciência.

Não havia imaginado que ele fosse tão desconfiado. Pelo jeito, havia trazido todos os seguranças da mansão.

Será que o Sérgio já havia chegado?

"Val, o que você está olhando?"

Marcelo virou a cabeça para ela, o olhar suave:

"Está esperando o Sérgio?"

Valentina levou um susto. Um frio percorreu a nuca.

"Você continua sendo tão esperta. Apagou tudo que podia apagar. Mas o celular ficou na sua mão tanto tempo. Como você ia ficar sem fazer nada?"

Marcelo curvou os cantos da boca numa expressão de confiança:

"Mas e daí, mesmo que você tenha avisado o Sérgio? Ele teria coragem de vir me tirar você debaixo do nariz?"

Bem... ele tinha coragem sim.

A voz de Valentina não deixou escapar nada:

"Não sei do que você está falando."

Marcelo deu um sorriso condescendente e não insistiu. Entrou com ela no cemitério para limpar o túmulo e acender incenso.

Ao ver o rosto jovem da menina na lápide, o sorriso sumiu.

"Me desculpa, Clarinha. Se houver outra vida, vou compensar tudo que fiz."

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Ele pousou crisântemos diante do túmulo e soltou um longo suspiro:

"Espero que você encontre seu caminho para o céu."

"Se o senhor Vieira sente tanta culpa assim, que tal ir pessoalmente ao céu se desculpar com ela?"

Uma voz grave e pausada chegou pelos ares. O rosto de Marcelo esfriou.

"Sérgio, você realmente veio."

"Por que eu não viria?" Sérgio nem se deu ao trabalho de olhar para Marcelo. Estendeu a mão na direção de Valentina. "Senhorita Ramos, venha."

Talvez por influência de uma educação estrangeira desde cedo, o tom e a postura dele sempre tinham um refinamento quase instintivo. Mesmo agora, ele ainda chamava "senhorita Ramos."

Mas nos olhos dele havia uma firmeza que não aceitava contestação.

Valentina ficou parada por um instante e, por instinto, foi caminhando na direção dele.

"Val!" Marcelo agarrou seu braço. "Se você ousar ir, quebro as pernas desse bonitinho!"

"Quebrar minhas pernas? Parece que o senhor Vieira ainda não entendeu a situação."

Sérgio deu um sorriso leve, mas o olhar deslizou até a mão de Marcelo apertando o braço de Valentina.

Havia crescido no exterior, educado desde criança com toda a etiqueta que a família exigia. Em aparência, havia se tornado um cavalheiro sem falhas.

Mas de vez em quando, por baixo daquela elegância, o senhor Cavalcante cultivava pensamentos sombrios do tipo "por que não machuquei mais naquela hora, para ele nunca mais conseguir erguer essa mão."

Marcelo levou um susto.

Eram lápides dos outros. Ele havia deixado os seguranças a uns quinze passos de distância por respeito.

Por lógica, eles deveriam ter se aproximado naquele momento.

Ele virou a cabeça. Os seguranças haviam desaparecido, sem fazer o menor barulho.

Aquilo estava fora do alcance de qualquer pessoa comum.

Marcelo cerrou o punho, sentindo um pavor que nunca havia sentido antes:

"Você é da família Cavalcante... qual Cavalcante?"

"Exatamente o que o senhor Vieira está imaginando." A voz de Sérgio continuava serena. "Agora, vai soltar a mão? Do contrário, não me responsabilizo pelo que faço."

Por todo esse tempo, Marcelo havia se mantido confiante.

Sim, havia errado. Havia magoado Valentina.

Mas era bonito o suficiente. Rico o suficiente. Seria difícil encontrar alguém mais atraente do que ele.

Tinha a convicção de que Valentina não iria escolher outra pessoa depois de tê-lo conhecido.

Todo mundo erra. Enquanto ela não se apaixonasse por outro, ele teria tempo para reparar tudo com calma.

Um dia, conseguiria tê-la de volta nos seus braços.

Mas agora...

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