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《Retrato de uma Vingança》Capítulo 21

"Água..."

O copo foi colocado nos lábios de Valentina. Ela bebeu com avidez, sentindo o frescor percorrer a garganta.

Espera.

O que havia acontecido?

Valentina abriu os olhos com um susto e olhou ao redor.

"Acordou?" Marcelo pousou o copo e estendeu uma tigela de mingau quente na direção dela, o rosto suave. "Come um pouco."

Valentina recuou instintivamente, o olhar carregado de alerta:

"Não chega perto. O que você me fez? Onde estou?"

"Na nossa casa. Você não reconhece mais?" Marcelo pareceu levemente magoado. "Você é minha mulher. Não é natural estar em casa?"

Se Valentina ainda não havia entendido o que estava acontecendo, seria uma idiota.

Marcelo a havia prendido.

Ele tinha enlouquecido?

Valentina cerrou as mãos. As unhas se enterraram na própria palma.

Sabia que não podia provocar alguém no limite da razão. Forçou a voz a sair mais calma:

"Marcelo, não faz isso. Me deixa sair, tá?"

"A gente pode conversar sobre qualquer coisa."

"Não posso." Marcelo estava tranquilo e suave como sempre. "Se eu deixar a Val ir, ela vai procurar outra pessoa."

"Que outra pessoa?" Valentina percebeu o que ele quis dizer e sentiu um desespero que não tinha para onde ir. "Eu e o Sérgio não somos nada do jeito que você está pensando..."

"Não. Não acredito em você."

Marcelo fez um som de desdém:

"Fica aqui direitinho até voltar a gostar de mim."

"E não adianta esperar que aquele bonitinho venha te salvar. Isso aqui é minha cidade. Posso fazer ele entrar e não sair."

"Você..."

Valentina respirou fundo:

"Tudo bem. Mas pelo menos me dá o celular."

"O caso ainda está sendo investigado. Preciso acompanhar para encontrar quem mandou matar minha família."

Marcelo olhou para baixo, pensativo.

Valentina esperou com os olhos cheios de expectativa. Ele recusou com delicadeza:

"Não posso. É perigoso demais. Se você continuar metida nessa investigação, pode não sair com vida."

"E eu não consigo te salvar se chegar a esse ponto."

Valentina havia esgotado as opções.

Jogou-se na cama, a expressão fechada:

"Sai daqui."

Marcelo teve um olhar triste:

"Agora que sabe que não tem como fugir, é esse o tratamento que me dá?"

"Tudo bem, Val. A gente tem muito tempo pela frente."

"Você vai voltar a gostar de mim igual antes."

Valentina puxou o edredom e cobriu a cabeça, fingindo não ouvir nada.

Idiota sem vergonha.

Marcelo agiu como se não percebesse a resistência dela.

De dia, ficava abraçado a Valentina relembrando memórias dos dois, ou a convencia com voz mansa a comer alguma coisa.

À noite, depois que ela fechava os olhos, ele se esgueirava para a cama com cautela.

Quando ela percebia a presença ao lado, enrijeceu por um segundo, mas depois de constatar que ele só ficava deitado em silêncio, engoliu com dificuldade e não fez nada.

Ela era boa em aguentar.

Os dois ficaram naquela estranheza tensa por vários dias.

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Até que numa noite com neve fina caindo, Marcelo voltou cheirando levemente a álcool e tentou se aproximar dela, segurando seu rosto nas mãos com uma pegada grudenta.

"Marcelo, sai de cima de mim."

Valentina encontrou o olhar dele. A voz era plana como uma superfície de água parada.

Nenhuma raiva. Nenhuma surpresa. Um olhar morto.

Como se não fosse mais capaz de se agitar por causa de Marcelo.

Aquele olhar o atingiu de um jeito que ele não esperava. Ele forçou o rosto dela a virar, os olhos umedecendo levemente:

"Você não quer?"

"Por que não quer? Valentina, você é minha esposa!"

Sem dar ouvidos a nada, ele pressionou a cabeça dela e foi se inclinando para beijá-la.

Valentina sentiu um nojo que virou o estômago. Os dentes fecharam com força.

O gosto de sangue se espalhou entre os dois.

Marcelo parecia não sentir dor. A mão escorregou em direção à roupa dela.

Um estalo seco.

Valentina lhe deu uma bofetada.

Ele virou o rosto, lambeu o canto ensanguentado da boca e sorriu:

"Bem dado. Pode bater à vontade. Quantas vezes quiser."

"Mas hoje você não vai conseguir me parar."

"Marcelo, você sabe que nessa mansão, aqui no porão desta casa, Roberto Fonseca tentou me violentar."

Valentina soltou uma risada fria e desdenhosa:

"Sabe o que eu fiz?"

A expressão de Marcelo travou:

"Naquela época eu..."

"Bati minha própria cabeça na parede. Uma vez, outra vez, outra vez. Sangrei muito."

"Naquele momento, eu estava genuinamente disposta a morrer ali."

"Você quer que eu faça de novo?"

A expressão de Valentina não era de loucura. Mas Marcelo não duvidava nem por um segundo que ela fosse capaz.

A sua Val era uma mulher de uma teimosia e uma fibra fora do comum.

Ele ficou rígido por um momento. Os lábios se moveram sem produzir som algum. Por fim, baixou a cabeça e cedeu.

"Pode ir."

"Me desculpa..."

Marcelo não ousou encarar os olhos dela. Virou-se e saiu como se estivesse fugindo.

Valentina limpou os próprios lábios sem nenhuma expressão no rosto. Tirou a mão direita de dentro do edredom.

Na palma estava o celular de Marcelo.

A senha com certeza tinha a ver com ela. Tentou algumas combinações e acertou rapidamente.

Com os seguranças lá fora, ligar chamaria atenção. Ela digitou o número de Sérgio de memória e mandou uma mensagem.

Sou a Valentina. Marcelo me prendeu na Rua das Camélias, número 57, mansão norte.

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