Depois de alguns dias de atraso, Sérgio teve alta. O julgamento do incêndio criminoso de sete anos atrás foi finalmente aberto.
As provas eram irrefutáveis. Roberto Fonseca foi condenado à morte.
No dia da sentença, ele gritou como um louco:
"Vocês disseram que iam ser lenientes comigo! Só matei alguns inúteis, por que estão me condenando à morte?"
"Tenho dinheiro. Muito dinheiro. Fica tudo com vocês, não me mata, por favor."
"Não quero morrer. Não quero morrer!"
Diante da morte, ele chorava desesperadamente, sem nenhum resquício de dignidade.
Nunca havia pensado que as pessoas que queimou vivas sentiram exatamente aquilo. Aquele mesmo desespero. Aquela mesma agonia.
Sete anos. Finalmente, o criminoso havia respondido pela lei.
Valentina foi como testemunha. Ficou calma o julgamento inteiro.
Quando a sentença saiu, ela foi de carro ao cemitério e se ajoelhou diante das lápides. As lágrimas que havia guardado por tanto tempo finalmente escaparam.
De volta, ela cuidou da reforma dos túmulos que haviam sido destruídos.
Mas as cinzas que foram espalhadas pela chuva nunca mais voltariam.
"Me desculpa, pai. Mãe. Clarinha..."
"Vinguei vocês. Finalmente, vinguei vocês."
Ela chorava e ria ao mesmo tempo, deixando para trás sete anos de dor e de luta.
Depois de prestar homenagem, saiu do cemitério.
Marcelo estava parado ali fora, o olhar distante.
Valentina respirou fundo e enxugou as lágrimas com os dedos:
"Já disse que não quero mais te ver. Especialmente aqui."
"Olhando para eles, você não sente vergonha?"
Marcelo baixou a cabeça.
Como não sentiria?
A injustiça que havia durado anos sem resolução, as almas que não tinham descanso. Tudo por causa dele.
"Eu sei que você me odeia..."
"Val, não consigo trazer de volta quem morreu. Mas tudo o resto, posso devolver."
O quê?
A testa de Valentina pulsou.
O homem à sua frente abaixou o corpo, pegou uma pedra no chão com a mão esquerda e a acertou com força nos próprios dedos direitos.
Um estalo.
O som do osso quebrando era nítido.
Marcelo suportava a dor aguda e continuava, uma pedrada após a outra.
Até a mão direita estar ensanguentada.
"Assim está bom, Val?"
"Faço comigo tudo que fiz com você. Aí me perdoa, tá?"
Valentina desviou o olhar:
"Para de loucura!"
"Não precisa disso. O que você merece como punição, a justiça vai decidir."
"Quanto ao perdão... nem pensa."
Ela deu um passo para ir embora.
A esperança no rosto de Marcelo foi se apagando. Os olhos escureceram.
No instante em que passaram um pelo outro, ele abriu a boca:
"Não queria chegar a isso, Val..."
O coração de Valentina disparou.
"O que você vai..."
Antes de terminar a frase, tudo ficou escuro diante dos seus olhos. O corpo cedeu.