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《Retrato de uma Vingança》Capítulo 18

Personagens neste capítulo:

Valentina Ramos (秦棠)

Marcelo Vieira (謝牧澤)

Sérgio Cavalcante (周序)

Júlia Fonseca (姜) — aparece no capítulo 18

Capítulo 17

O rosto de Marcelo ficou em branco por um instante.

Sérgio Cavalcante sempre manteve um perfil discreto, nunca aparecia na mídia e vivia fora do país há anos. Marcelo simplesmente não o reconhecia.

Ele cerrou os dentes:

"Quem é você? Tem coragem de me tirar alguém? Ainda quer continuar morando nessa cidade?"

Sérgio soltou um suspiro e olhou para Valentina com ar inocente:

"O que faço, senhorita Ramos? Seu ex-marido está me ameaçando."

Valentina ficou sem palavras.

Você é o presidente do grupo Cavalcante. Talvez não possa destruir Marcelo, mas certamente ele não tem como te ameaçar de verdade.

Valentina o encarou com os olhos: o que você está fazendo? Desde quando você é meu namorado?

Sérgio curvou levemente as sobrancelhas, a mensagem clara: estou te ajudando a se livrar do ex de graça. Não vai me agradecer?

Aquela troca silenciosa, aos olhos de Marcelo, não tinha outra leitura possível: era cumplicidade de casal.

Ele ignorou a dor no pulso e agarrou a gola de Sérgio:

"Ela é minha mulher! Você não tem vergonha!"

Sérgio foi forçado a inclinar a cabeça para cima, mas sua compostura permanecia intacta, sem a menor rachadura:

"Senhor Vieira, vocês já estão divorciados."

"E em amor, quem não é amado é que é o intruso."

Marcelo perdeu o controle completamente. Cerrou o punho, pronto para acertar.

"Marcelo, para! Com quem eu estou não tem absolutamente nada a ver com você!"

Valentina rapidamente afastou a mão dele e colocou Sérgio atrás de si.

Sérgio ajeitou a gravata com calma e lançou um sorriso de vitória na direção de Marcelo.

A veia da testa de Marcelo latejou. Ele olhou para Valentina sem conseguir acreditar:

"Você... você está do lado dele?"

"Não acredito. Faz quanto tempo, e você já se apaixonou por outro?"

A irritação de Valentina também acendeu.

Ele podia ter quem quisesse por perto, viver bem ao lado da amiga de infância, mas ela não podia gostar de mais ninguém?

Ela puxou a manga de Sérgio, indicando que ele se abaixasse um pouco.

Sérgio aprofundou o sorriso nos olhos e se inclinou, obediente.

Um calor suave pousou na bochecha dele.

Ele ficou parado por um segundo. A calma do fundo dos olhos se quebrou, dando lugar a uma ondulação.

Valentina havia o beijado na frente de Marcelo.

O tempo pareceu congelar. Marcelo fitava os dois sem piscar, o rosto tomado de incredulidade e de uma mágoa que ele não conseguia esconder.

Valentina se afastou, as bochechas levemente coradas:

"Pronto, Marcelo. Você viu."

"Você já é passado. Eu tenho alguém novo."

"Valentina, como você pode... como você consegue..."

Marcelo estava tão fora de si que as palavras travavam:

"Esse cara que só tem a cara bonita, o que mais tem de bom? Consegue te dar uma vida digna?"

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A situação estava longe de ser engraçada, mas Valentina quase não segurou o riso.

Comparando friamente, o grupo Cavalcante podia medir forças com os Vieira sem problema nenhum. Era só que os Vieira tinham raízes na capital e os Cavalcante concentravam a maior parte dos negócios no exterior.

Sérgio, como se tivesse lido os pensamentos dela, disse com um sorriso tranquilo:

"Senhor Vieira, isso não está certo. A senhorita Ramos agora também tem um patrimônio considerável. Qual o problema em escolher um homem bonito?"

"Pelo menos um homem bonito como eu não a irrita nem a machuca."

"Ao contrário de certas pessoas que se acham o centro do mundo, ficam se dividindo entre duas mulheres e ainda ferem a esposa."

O clima ficou carregado de tensão.

Marcelo estava com os olhos arregalados de raiva:

"Você quer ver se eu te mato?"

"Marcelo, fecha a boca!" Valentina o fulminou com o olhar. "Isso aqui é uma delegacia! Continua falando e chamo alguém."

Os olhos de Marcelo ficaram vermelhos. Uma expressão de mágoa infantil tomou o rosto dele:

"Val, foi ele que me provocou primeiro..."

"Você mesmo acabou de dizer que ele não serve para nada. Como alguém inútil consegue provocar você?"

Valentina deu um riso frio, puxou Sérgio pelo braço e foram andando:

"Pode ir embora. E não apareça mais na minha frente."

Marcelo não tinha para onde ir. Ficou parado, olhando ela se afastar.

O pulso doía. Mas aquilo era o menor dos seus problemas.

A cabeça só repetia as cenas de agora.

Valentina na ponta dos pés, beijando outro homem.

Sérgio curvando os lábios para ele, com aquele sorriso de quem acabou de ganhar.

Val. A Val que iluminava a vida dele. Já pertencia a outra pessoa?

O céu foi escurecendo. A luz branca das lâmpadas caiu sobre ele, esticando sua sombra no chão.

Uma silhueta muito solitária.

Capítulo 18

Eles saíram da delegacia e caminharam até as imediações do parque central. Foi só então que Valentina parou, respirando um pouco mais fundo.

O sentimento que tinha por Marcelo havia se desgastado há muito tempo. Mas vê-lo de novo fazia as memórias virem todas de uma vez.

As lembranças sombrias apertavam o coração como uma rede.

"Senhorita Ramos, você está bem?"

A voz grave e agradável soou perto. Valentina percebeu que ainda estava segurando a mão de Sérgio.

Ela soltou como se tivesse levado um choque, o calor subindo para as bochechas:

"Desculpe, antes eu..."

"Entendo. Para irritar o Marcelo." Sérgio foi direto ao ponto, com toda a compreensão do mundo. "Funcionou?"

Valentina hesitou por um instante e assentiu com honestidade:

"Funcionou."

Por todo esse tempo, havia sido ela que ficava se consumindo por dentro, engolindo ciúme e dor.

Nunca havia conseguido entender por que Marcelo protegia tanto Júlia. Às vezes duvidava até de si mesma.

Ver Marcelo perder a compostura hoje, ver aquela máscara serena se estilhaçar, tinha um sabor que ela não conseguia descrever direito.

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Sérgio sorriu:

"Fico feliz."

"Senhorita Ramos, o que eu disse antes continua valendo. Se for possível, eu gostaria..."

Valentina não era ingênua. Conseguia imaginar onde aquilo ia chegar, e ficou parada no lugar, com o coração acelerando.

De repente, a expressão de Sérgio mudou completamente. Ele estendeu o braço e puxou Valentina para o próprio peito com força, cobrindo-a por inteiro.

Uma barra de ferro desceu com força total e acertou as costas de Sérgio.

Ele ainda estava se recuperando de um ferimento anterior. O golpe havia sido aplicado com tudo, e mesmo ele, que tinha um autocontrole fora do comum, não conteve um gemido abafado.

Ele chutou para fora com uma perna. Júlia, que segurava a barra, foi arremessada com violência contra o chão. A barra caiu junto.

Júlia cuspiu sangue, praticamente incapaz de se mover, mas os olhos ainda ardiam com um ódio desvairado:

"Valentina, você destruiu tudo. Destruiu a minha vida e a da minha família."

"Eu vou te destruir também!"

"Acha que ganhou? Você vai morrer em breve! Hahahaha!"

Valentina não tinha cabeça para Júlia naquele momento. Com as mãos tremendo, ela segurou o corpo de Sérgio que estava escorregando lentamente.

Ele havia aguentado na base da força de vontade.

"Sérgio, aguenta..."

Valentina não entrou em pânico, pegou o celular e chamou a ambulância. Mas as mãos não paravam de tremer.

E ele ainda tinha energia para arrancar um sorriso torto:

"Aliás, essa é a primeira vez que você me chama pelo nome."

Até agora havia sido sempre "senhor Cavalcante", com aquela distância formal de sempre.

Os olhos de Valentina ficaram ardendo:

"Que hora é essa pra falar nisso! Para de falar, guarda energia!"

O telefone ainda estava chamando quando um carro parou na frente dos dois.

O vidro desceu. Era Marcelo.

Valentina ficou paralisada.

"Para de ficar aí parada. Se não quer ele morto, entra no carro."

Marcelo virou a cabeça para o lado, engolindo a vontade de não fazer nada pelo outro, e forçou as palavras:

"Levo ele ao hospital."

No quarto do hospital, era quase meia-noite quando Sérgio abriu os olhos.

Valentina estava sentada ao lado dele, a testa franzida de preocupação.

Marcelo tinha se encolhido num canto, o rosto cheio de uma melancolia amargurada, igual a um marido desamparado assistindo a esposa encontrar o amante.

Sérgio ainda tinha disposição para brincar:

"Senhorita Ramos, a gente realmente está no mesmo barco. De vez em quando acaba num hospital."

Valentina ficou tão irritada que cerrou os dentes e lhe deu um soco no peito.

"Ai, ai... senhorita Ramos, mais um pouco e você vai perder seu querido namorado."

Valentina ficou sem resposta.

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