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《O Marido Que Eu Criei》Capítulo 4

Fiquei parada abraçada na garrafa por um segundo, e então desabei num choro alto.

"Choro. Meu pai virou pai dele. Desde que a gente casou, não importa o que o Rafael faça comigo, meu pai apoia tudo. Juro que começo a achar que o filho verdadeiro dele é o Rafael."

"Por que ele me controla tanto? Eu gosto de balada, fico só olhando, não faço nada de errado. Não vou voltar pra casa não. Vou gastar meu dinheiro, vou fechar o bar todo, vou acabar com a vida dele de raiva."

Minhas amigas adoraram aquilo e já foram na onda.

"Todo mundo come e bebe à vontade, hoje a Larinha tá pagando tudo."

"Uau, a dominada finalmente se rebelou."

Fui me animando com tanto elogio, bebendo cada vez mais, até afundar de cabeça na mesa.

A cabeça girando, os pensamentos embaralhados.

Se... se eu pudesse recomeçar... eu ia... ia virar o jogo de vez.

Só que não imaginei que, ao abrir os olhos, o destino realmente me daria essa chance de recomeçar.

"Alô, alô, Lara Sena, você tá me ouvindo? Eu te aviso que se reprovar de novo, você vai estudar fora do país."

"O filho da Dona Vera é um crânio. Ele vai te dar aula particular."

Saí de vez dos meus pensamentos.

Ao ouvir aquilo, senti um desconforto imediato.

A mãe adotiva do Rafael, vinte anos atrás, era amiga da Dona Vera. Ficou obcecada com o Seu Vitor sem conseguir nada, e por coincidência as duas deram à luz no mesmo hospital.

No fim, aproveitou a oportunidade e trocou o próprio filho pelo Rafael.

Se ao menos ela tivesse tratado o Rafael bem. Mas pelo que se dizia, ela usava ele como válvula de escape pra tudo. Nos dias bons, xingamentos. Nos dias ruins, ficava sem comer e apanhava.

A Dona Vera e o Seu Vitor tinham sangue raro, e foi só quando o filho falso sofreu um acidente aos vinte e três anos e precisou de transfusão que a verdade veio à tona.

O tipo sanguíneo não batia. O banco de sangue estava no limite. O Seu Vitor não resistiu.

Depois disso, a Dona Vera usou todas as suas conexões pra finalmente encontrar o Rafael de volta.

"Estudar lá fora e já vira crânio. Não herdou nada da beleza nem da inteligência da Dona Vera. Para com isso, pai, não vai prejudicar sua filha."

Não consegui segurar uma risada fria.

Meu pai ouviu aquilo e foi logo perdendo a paciência:

"Então o que você quer afinal?"

Uma ideia brotou na minha cabeça:

"Pai, eu conheço uma pessoa. Inteligente pra caramba. Por que a gente não chama ele?"

"Se for o pai que for buscar, ele com certeza vai topar me dar aula."

"Ha?"

Meu pai ficou sem entender nada.

...

Da próxima vez que vi o Rafael, foi no jardim grande da minha casa.

Ele estava com aquela cara fechada de sempre, segurando um livro de cálculo avançado.

Abaixei a cabeça envergonhada.

Meu pai era meu pai mesmo.

Pra me dar o que eu queria, foi lá e cortou todos os bicos do Rafael de uma vez só.

Na cidade inteira, a única opção que sobrou foi me dar aula particular.

Ele largou o livro de cálculo na mesa com força, rosto fechadíssimo, e perguntou:

"Onde você precisa de reforço?"

Pensei com seriedade.

"Cá... cálculo integral..."

Rafael assentiu, sentou do meu lado e começou a folhear minhas provas.

Círculo vermelho atrás de círculo vermelho, erro atrás de erro.

Mas minha cabeça não estava naquilo. Levantei os olhos e fiquei olhando pra ele.

Depois pigarreei.

Esse era o Rafael dos dezoito anos.

Que situação.

"Ra... Rafael, depois que a gente terminar de estudar, você me acompanha no jantar? Pra agradecer o professor."

Comecei a puxar o meu charme.

Rafael ergueu uma sobrancelha e olhou pra mim.

Abri o sorriso mais doce que eu tinha, piscando os olhos.

Rafael deu uma risada fria.

"Pode ficar tranquila. Não vou te dar essa chance. Você vai tirar nota máxima."

"Três cadernos de exercícios de matemática, um de vocabulário em inglês. Essa é a tarefa da semana. Se eu deixar você ficar ociosa um minuto sequer, a culpa é minha."

"E eu, Rafael Vian, com certeza não vou deixar seu pai achar que mil reais por hora foi dinheiro jogado fora."

Minhas mãos apertaram o livro e travaram.

Como tinha chegado nisso. Que absurdo.

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