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《Retrato de uma Vingança》Capítulo 15

O Ministério Público formalizou a denúncia contra Roberto Fonseca.

A opinião pública contra os Vieira também desandou. Uma enxurrada de pessoas atacava Marcelo sem piedade, chamando-o de homem sem caráter.

Na época do namoro, ele havia feito uma corte extravagante. O romance entre o herdeiro de um dos maiores grupos empresariais da capital e a brilhante perita criminal havia sacudido as redes sociais.

O vídeo daquela proposta ainda circulava por aí.

Era um dia de inverno com neve caindo. Marcelo estava ajoelhado diante dela, o olhar quase reverente:

"Val, você quer casar comigo?"

"Quero dedicar minha vida inteira a te amar, a te proteger, a estar ao seu lado."

No vídeo, o rosto de Valentina estava corado, com uma timidez rara nela:

"Antes de responder, você precisa me responder uma coisa."

"Por que você gosta de mim?"

Marcelo sorriu:

"Por muitas razões. Você é linda, genuína, corajosa, justa..."

"Mas o mais importante é que você tem uma alma que brilha."

A Valentina forte e obstinada era tão luminosa que Marcelo havia sentido o desejo de protegê-la pelo resto da vida.

Valentina se deixou tocar. Aceitou o anel.

Os dois rostos congelados na neve foram eleitos pelos internautas como a cena mais bonita do ano.

Tanto quanto haviam sido celebrados, foram amaldiçoados agora.

Falou tudo isso na proposta e depois tratou a Valentina daquele jeito. Que vergonha.

As ações dos Vieira despencaram. O conselho de administração não escondia mais o mal-humor com Marcelo.

Marcelo se fechou no quarto por horas, sem querer sair.

Até que Júlia invadiu o cômodo aos soluços.

"Marcelinho, essas pessoas são injustas demais."

"E a Val também! Eu não fiz nada daquilo! Os vídeos e as provas com certeza são todos montados com inteligência artificial."

Marcelo levantou a cabeça devagar. O olhar foi pousando nela.

Júlia emudeceu na hora.

Ela conhecia aquele olhar.

Era o mesmo que Marcelo usava quando lidava com traidores que roubavam segredos corporativos da empresa.

Frio. Sem emoção. Como se estivesse olhando para alguém que já estava morto.

O medo faiscou nos olhos de Júlia. Ela recuou sem perceber.

"A culpa é sua..."

"Se não fosse por você, Val nunca teria me deixado."

Marcelo murmurou para si mesmo, levantando devagar e se aproximando de Júlia:

"Basta ela se acalmar e vai me perdoar com certeza..."

Na delegacia, Valentina tinha um papel de desenho à frente e os olhos fixos em Roberto Fonseca, do outro lado do vidro. A voz era firme:

"Me diz quem está por trás de você."

Roberto se agitou, agarrando aquela chance como se fosse uma tábua de salvação:

"Se eu contar, me deixam com vida?"

"Me arrependo, juro que me arrependo de tudo."

"Não foi de livre vontade, eles me mandaram atear fogo. Me perdoa, por favor."

Ele chorava e gritava, com lágrimas e ranho espalhados pela gola da camisa. Não restava nenhum traço do presidente altivo do grupo Fonseca.

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Valentina cerrou os punhos com força, usando tudo que tinha para reprimir o impulso de cruzar aquele vidro.

Matar tanta gente e ainda querer sair impune?

Mesmo que tivesse recebido ordens para o incêndio, o que justificava o que ele havia feito com a irmã dela?

Lixo. Escória. Merecia apodrecer.

Mas agora, encontrar quem estava por trás de tudo era o que importava.

Valentina relaxou o tom, assumindo uma postura de negociação:

"Se você colaborar, a gente pode conversar."

"Começa me dizendo quem é essa pessoa."

Os olhos de Roberto acenderam com uma esperança desesperada. As palavras saíram em torrente:

"A família Fonseca cresceu com o apoio deles. Por isso não me atrevia a desobedecer..."

"Na verdade eu só fazia o que me pediam, transportar mercadoria, dar cobertura, prender algumas pessoas. Matar foi a primeira vez de verdade..."

"Não posso entrar em contato com eles por iniciativa própria. São eles que chegam até mim. O que eu sei do meu contato é que ele é magro e alto..."

Quando o interrogatório terminou, o retrato estava pronto na mão de Valentina.

A mão ainda doía com as sequelas, uma dor surda que não ia embora, mas ela soltou um longo suspiro e sentiu o peito mais leve.

Levantou e entregou o retrato ao chefe.

O chefe ficou visivelmente sem jeito:

"Val, você continua sendo a melhor. Não tem como ficar sem você aqui."

"Sobre o que aconteceu antes, realmente sinto muito..."

"Não precisa dizer nada." Valentina o cortou. "Só prende essa organização logo."

"Claro, claro..." O chefe enxugou o suor frio da testa. "Ah, tem alguém querendo te ver."

Valentina franziu a testa, empurrou a porta e saiu.

Marcelo estava do lado de fora, os olhos iluminados ao vê-la.

Ela de repente se lembrou do dia em que o havia conhecido.

Ele havia aparecido na delegacia por conta de um assunto qualquer e a encontrou trabalhando.

Na época, ele também havia olhado para ela daquele jeito. Com uma admiração que não tentava esconder.

Antes de sair, havia lhe dado um cartão:

"Boa tarde, senhorita. Meu nome é Vieira."

"Teria o prazer de te conhecer melhor?"

Ela acreditava que naquele momento Marcelo havia gostado dela de verdade.

Mesmo que os motivos não fossem puros, a admiração no olhar dele não era fingida.

Pena que depois...

Valentina não quis seguir esse pensamento. Perguntou com frieza:

"O que você quer?"

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