《Irmã de Mentira, Amante Verdadeira》Capítulo 5

Quando achei que tudo havia se resolvido, o inesperado aconteceu.

Bum!

Uma explosão enorme despedaçou a janela do escritório.

A onda de calor e os cacos de vidro choveram de cima.

Rafael reagiu num reflexo, me derrubou no chão e usou as próprias costas para absorver todo o impacto.

"Não se mexa." Ele rosnou bem no meu ouvido.

O alarme da mansão disparou em uníssono.

Do lado de fora, uma rajada de tiros.

"Chefe! São mercenários! Um pelotão inteiro!" O chefe da segurança gritava pelo rádio. "Armamento pesado! A gente não aguenta!"

Os homens de Sofia Linden.

Mais precisamente, o financiador por trás dela, que nunca confiou plenamente nela e havia preparado um plano reserva.

Se Sofia falhasse, ou ficasse muito tempo sem dar sinal, aquele grupo de mercenários que aguardava em alto mar receberia ordem de ataque.

O alvo não era só os dados. Era a vida de Rafael.

"Para o porão!"

Rafael me puxou pelo braço, ignorando o ferimento nas costas que ainda sangrava, e correu comigo em direção à passagem secreta.

Mas não deu tempo.

A porta do escritório foi arrombada à força.

Vários homens encapuzados e armados até os dentes invadiram o ambiente, as bocas dos canos apontadas para nós.

O líder arrancou o capuz. Era um estrangeiro de rosto grosseiro e expressão dura.

Atrás dele, algemada e ainda sofrendo espasmos intermitentes de riso, vinha Sofia Linden.

"Dr. Venturi. Quanto tempo."

Sofia ainda estava sob o efeito do gás, mas a consciência havia voltado em parte. O rosto carregava uma satisfação retorcida.

"Surpresa? Eu ainda tinha o plano B."

"Entrega os dados e eu garanto uma morte mais rápida pra você." O estrangeiro falou num português travado e áspero.

Rafael me empurrou discretamente para trás de si e soltou uma risada fria. "Quer os dados? Estão na nuvem. Eu tenho o acesso máximo. Me mata e você não chega perto deles nunca mais."

"Então a gente quebra suas pernas e vai com calma."

O estrangeiro levantou a arma e mirou no joelho de Rafael.

"Espera!"

Me adiantei de repente.

Todos os olhos vieram para mim.

Levantei as mãos devagar e saí de trás de Rafael.

"Eu tenho a senha." Falei com calma. "Participei do desenvolvimento do projeto. Tenho um backup."

"Lara!" Rafael me chamou em voz firme.

Ignorei. Fitei o estrangeiro. "Solta ele. Eu entrego o backup."

"Sem truque." O estrangeiro estreitou os olhos.

"Sou só uma mulher. Quero é sobreviver." Forcei uma expressão de quem estava com medo e com a mão fui devagar até o bolso. "O backup está num pen drive. Aqui no bolso."

"Tira. Devagar."

Fui tirando devagar, com muita calma.

Mas não era nenhum pen drive.

Era um frasco de vidro transparente com um líquido amarelo-claro ocupando metade do volume.

Sofia empalideceu. Parecia ter reconhecido alguma coisa. "Cuidado! Aquilo é..."

Bum!

Joguei o frasco com força no chão.

No instante em que o vidro se quebrou, o líquido entrou em contato com o ar e evaporou rapidamente, junto com um cheiro pungente de alho que tomou o ambiente inteiro.

Era minha arma definitiva.

Não era gás tóxico. Era uma mistura de etanotiol em alta concentração com um componente lacrimogêneo especial que eu havia desenvolvido — uma versão turbinada do spray de gambá.

Naquele espaço fechado, o cheiro era suficiente para provocar enjoo instantâneo, vômito e incapacidade de combate.

Os mercenários, mesmo com as máscaras, dobraram sobre si mesmos, olhos lacrimejando, nariz escorrendo, completamente fora de ação.

O estrangeiro vomitou na hora, a arma desviando para o lado.

"Corre!"

Gritei, peguei Rafael pelo braço e saímos em disparada.

Atravessamos o escritório tropeçando, e do lado de fora ficou para trás uma sinfonia de tosses e vômitos.

O corredor estava tomado de fumaça de pólvora, mas aquele fedor absurdo se sobrepôs a tudo.

"Que negócio horrível é esse?" Rafael corria e mal conseguia segurar o enjoo. "Pior do que cadáver podre!"

"Funcionou, não funcionou?" Corri ofegante ao lado dele. "Vai pelo lado leste, tem uma saída de ventilação que dá pro estacionamento!"

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