《Irmã de Mentira, Amante Verdadeira》Capítulo 4

A verdade era mais absurda do que eu imaginava. E mais cruel também.

A suposta irmã caçula de Rafael havia morrido aos cinco anos.

Num sequestro. Sem deixar rastro.

A marca de nascença em forma de meia-lua era uma informação falsa que ele mesmo havia espalhado, como isca.

Ao longo dos anos, todas as "filhas verdadeiras" que apareceram bater na porta da família acabaram virando pedra no fundo do mar.

Sofia — cujo nome verdadeiro era Sofia Linden — era a mais habilidosa de todas as que vieram até hoje.

Uma espiã de elite enviada pelo maior inimigo de Rafael.

"E eu?" Perguntei, com a voz tremendo. "O que eu sou?"

No escritório, Sofia já havia sido levada pelos seguranças. A risada dela foi se apagando pelo corredor, arrepiante até o fim.

Rafael estava sentado na cadeira larga de diretor, me acomodando no colo como se eu fosse uma criança.

"Você?" Ele brincou com os meus dedos, virando um por um. "Você foi um acidente."

"Naquele dia fui ao orfanato procurando só um escudo humano. Mas quando te vi pela primeira vez, mudei de ideia."

Ele inclinou a cabeça, a testa encostando na minha.

"Aquele olhar. Era igual ao meu quando eu era jovem. A mesma teimosia. A mesma vontade desesperada de sobreviver."

"Por isso te trouxe comigo. Te dei a melhor educação, te ensinei os métodos mais duros. Queria ver no que você ia se transformar."

"E você se transformou exatamente no que eu queria."

Ele segurou meu rosto com as duas mãos, os olhos cheios de uma obsessão que ele nem tentava disfarçar.

"Lara, você sabe por que eu nunca deixei você ir embora?"

"Porque você é a única pessoa nesse mundo que conheceu todos os meus lados mais sombrios e ainda não fugiu. Você é minha cúmplice, minha sombra, minha... amada."

As duas últimas palavras explodiram no meu ouvido como um trovão.

Amada?

Dez anos nos chamando de irmão e irmã, e ele guardava isso dentro de si o tempo todo?

"Louco." Xinguei em voz baixa.

"Sou sim." Rafael riu com uma liberdade que raramente aparecia nele. "Nesse mundo que devora as pessoas, quem não for um pouco louco não sobrevive."

"Agora que aquela impostora foi resolvida e as moscas lá fora foram espantadas de vez, Lara, está na hora de acertar as contas entre nós."

Ele abriu a gaveta e tirou uma caixinha de veludo vermelho.

Dentro, um anel com um diamante rosa imenso.

"Aquele pedido de intercâmbio, eu aprovei."

Ergui a cabeça de uma vez.

"Mas," ele virou o jogo na mesma frase, "a condição é que a gente case antes. Quando você virar a senhora Venturi, pode estudar onde quiser. Eu te acompanho."

Olhei para o anel. Depois olhei para esse homem com os olhos transbordando de loucura e de algo que só podia ser chamado de amor.

E percebi, naquele instante, que provavelmente não havia escapatória desse abismo. Não nessa vida.

O estranho é que, de repente, eu não tinha mais tanta vontade de escapar.

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