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《Retrato de uma Vingança》Capítulo 7

Valentina teve um pesadelo.

No sonho, o rosto do pai e da mãe estava coberto de sangue. Eles a encaravam com um olhar vago e perguntavam:

"Por que você deixou o assassino livre?"

"Por que você deu depoimento a favor dele?"

Ela recuava tremendo, sacudindo a cabeça sem saber o que dizer:

"Não. Eu não fiz isso. Juro que não fiz."

Ao virar a cabeça, viu o rosto da irmã. Coberto de feridas, pálido e devastado.

A irmã chorava em desespero:

"Mana, me salva! Por favor, me salva!"

"Que nojo, que sofrimento. Não aguento mais."

Valentina tentou abraçá-la, mas ela recuava passo a passo, e as marcas no pulso iam surgindo uma a uma.

"Não chega perto. Você não é minha irmã. Minha irmã não teria deixado aqueles vídeos circularem."

Valentina estava quase se despedaçando. Só conseguia repetir:

"Me desculpa. Me desculpa..."

"Sou inútil. Toda a culpa é minha."

Ela acordou gritando, sentou na cama do hospital e saiu correndo como uma louca, ignorando os médicos que tentavam segurá-la.

Lá fora, uma chuva torrencial. Valentina saiu debaixo d'água, tropeçando, até chegar ao cemitério.

Precisava ir ao encontro do pai, da mãe, da irmã. Precisava pedir perdão.

Quando chegou, havia um grupo de pessoas em volta dos túmulos deles.

Marcelo estava de terno, segurando um guarda-chuva preto na chuva. Ao ver ela correr encharcada na sua direção, puxou-a para baixo da proteção:

"O que você está fazendo? Você sabe em que estado está seu corpo?"

Valentina o encarou, perdida:

"Vim ver meu pai, minha mãe e minha irmã. O que você está fazendo aqui?"

Marcelo pressionou os lábios e desviou o olhar.

Um pressentimento ruim tomou conta dela. Valentina agarrou a manga do paletó dele:

"Você veio prestar homenagem a eles. É isso, né?"

Marcelo hesitou por um instante e afastou a mão dela:

"A Júlia anda tendo pesadelos toda noite. Ela consultou alguém que disse que tinha uma alma penada cobrando dívidas."

"Não acredito nessas coisas, mas para deixá-la tranquila, não tenho outra saída. Desculpa o transtorno."

Valentina ainda não havia processado quando viu Marcelo fazer um sinal para os seguranças. Eles começaram a destruir as lápides e a desenterrar as urnas funerárias.

"Não. Não pode."

Ela quis se jogar na frente, mas Marcelo a segurou pelos ombros.

"Não! Por favor, não faz isso!"

"Marcelo! Eu faço qualquer coisa que você pedir! Eles já morreram. Por favor, deixa eles em paz."

Valentina se debatia com uma violência que não parecia ter fim, o grito rasgando o ar.

Marcelo deixou ela socar seu peito sem mover um músculo, e lançou um olhar para os seguranças.

Eles desenterraram as urnas sem qualquer cerimônia, quebraram tudo e lançaram as cinzas para o ar.

"Não!"

Os olhos de Valentina ficaram vermelhos de uma raiva que nunca havia sentido antes. Ela empurrou Marcelo com uma força que não sabia de onde vinha.

Mas já era tarde demais.

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As cinzas tocaram as gotas de chuva e foram se dissolvendo.

Seu pai. Sua mãe. Todo mundo que ela tinha no mundo.

Valentina caiu de joelhos no chão, tentando juntar com as mãos as cinzas que pousavam na terra. Os dedos estavam em carne viva e ela não sentia nada.

"Pai. Mãe. Não me deixa."

"Não tenho mais nada. Por favor, não me deixa."

Marcelo soltou um suspiro, agachou-se ao lado dela e colocou o guarda-chuva sobre a cabeça de Valentina:

"Você ainda tem a mim. Vou te proteger no lugar deles."

Valentina parou como se alguém tivesse apertado um botão. Todos os movimentos cessaram.

Ela ergueu o rosto e o encarou fixamente. Cada palavra que saiu era como sangue:

"A culpa é toda sua. Você me destruiu. Sai da minha frente. Não quero te ver nunca mais."

O olhar de Marcelo escureceu.

Valentina nunca havia falado assim com ele. Aquela determinação absoluta o deixou com um estranhamento que ele mesmo não conseguia nomear.

Mas logo pensou que ela provavelmente estava no auge da raiva e precisava de espaço. Quando passasse, ia acabar perdoando.

Marcelo deixou o guarda-chuva no lugar e saiu sob a chuva.

Valentina ficou sentada diante dos túmulos destruídos, protegendo com as próprias mãos as cinzas que já haviam se fundido com a água da chuva.

Como se aquilo pudesse aliviar a culpa e a dor que não tinham tamanho.

O céu foi escurecendo. Ela percebeu que a testa estava quente. Febre.

Valentina se forçou a se levantar e começou a caminhar de volta.

Não podia cair ali. Precisava continuar viva.

Para que os culpados pagassem pelo que haviam feito.

Depois de dormir um sono pesado e confuso no quarto, ela foi arrancada pelo toque do celular. Era Júlia.

"Val, tenho que te admirar. Mesmo assim tudo, você ainda não abre mão do lugar de senhora Vieira?"

"À noite, quando você fecha os olhos, seu pai, sua mãe e sua irmã não aparecem nos seus sonhos pedindo satisfação?"

Valentina acordou de uma vez, a voz rouca:

"Não precisa se preocupar com isso. Um dia eu acabo com você e com o seu pai monstro."

Júlia riu:

"Com você? O Marcelo está do meu lado. Você nunca vai conseguir prender meu pai na vida."

"Queimou um prédio inteiro de gente e daí? Gente como vocês merece tudo."

"Estou te avisando: sai do caminho. Larga o Marcelo. Senão eu te mato."

A ligação caiu. Valentina apertou o celular na mão.

A tela mostrava um aviso de backup.

Ela havia gravado tudo.

Depois de fazer upload do áudio para a nuvem, enviou uma cópia para Júlia.

Júlia ficou em silêncio por um bom tempo e então começou a ligar freneticamente. Valentina não atendeu nenhuma vez.

Só mandou uma mensagem:

Veio me dar prova de bandeja. Idiota.

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