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《Retrato de uma Vingança》Capítulo 6

O olhar de Marcelo ficou duro e perigoso de uma hora para outra:

"Sabia que você ainda estava pensando em continuar com isso. Valentina, por que você é tão teimosa?"

"Te dei chances de sobra. Você que não quis."

Ele fez um gesto. O segurança entendeu na hora, agarrou Valentina pelo braço e a arrastou para fora, até a beira da piscina no jardim.

Valentina sentiu um frio no estômago:

"Marcelo! O que você vai fazer?"

O segurança estendeu as mãos e empurrou Valentina para dentro da piscina:

"Senhora, o chefe mandou a senhora ficar aqui pensando um pouco. Quando tiver decidido, pode sair."

Era inverno. A água da piscina estava gelada como lâmina.

No instante em que o corpo de Valentina tocou a água, os membros enrijeceram e ela começou a tremer.

Três anos atrás, Marcelo, que não sabia nadar, quase se afogou.

Foi Valentina que pulou na água sem pensar duas vezes e o puxou para fora com as próprias mãos, mas engoliu tanta água no processo que ficou entre a vida e a morte. Desde então, carregava um trauma profundo de qualquer contato com água.

Na época, Marcelo havia ficado com o rosto cheio de culpa e ternura.

Ele a abraçou com força e disse:

"Obrigado por me salvar. Val, se eu algum dia te trair, que eu não tenha onde ser enterrado."

Mas agora...

Os lábios de Valentina estavam brancos. O corpo inteiro tremia:

"Não... por favor... me tira daqui..."

O segurança não deu ouvidos. Mergulhou a mão na água e empurrou a cabeça dela para baixo.

O pesadelo do afogamento voltou com força total. As veias da testa de Valentina saltaram. Ela se debateu com tudo que tinha.

Não adiantou nada.

Quando ela começava a perder o fôlego e os movimentos iam fraquejando, o segurança a erguia pela cabeça para que ela respirasse.

E repetia. Sem parar. Sem fim.

Valentina sentia o calor escorrendo do corpo.

Depois de não sabia quantas repetições, ela ouviu o segurança dizer para Marcelo, com alguma hesitação:

"Chefe, a senhora parece que não está aguentando mais..."

"Se não está aguentando, por que não concorda em gravar o vídeo?"

"Pode continuar."

Valentina começou a ter alucinações.

Viu Marcelo tentando torpemente tricotar uma cachecol para ela.

Viu Marcelo resmungando que ela se prendia demais ao trabalho enquanto lavava os pincéis dela.

Viu muita coisa.

Não conseguia entender. Aquele Marcelo tão bom, aquele Marcelo que tanto a amava, como havia chegado a isso?

Quando a consciência voltou, ela já estava numa cama.

O corpo ainda estava rígido. Valentina soltou o ar devagar.

Ainda bem. Ainda bem que não havia se tornado cúmplice daquele demônio.

Pelo menos não havia se tornado cúmplice.

"Val, você acordou."

Júlia se aproximou com um sorriso largo, o olhar carregado de malícia que não fazia questão de esconder:

"Obrigada por ter topado esclarecer as coisas pelo meu pai."

O quê?

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Valentina a encarou sem entender.

O sorriso dela cresceu. Ela abriu um vídeo.

Na tela, Valentina dizia com convicção:

"Sou a única sobrevivente do incêndio criminoso. Posso garantir que o senhor Fonseca não tem nenhuma ligação com esse caso."

"Quanto à minha irmã? A morte dela tem ainda menos a ver com o senhor Fonseca."

"Ela mesma gostava de se envolver com homens. O senhor Fonseca nunca fez nada com ela..."

Os olhos de Valentina se arregalaram. A indignação a sacudiu por inteiro:

"Eu nunca disse nada disso!"

"Claro que não. O Marcelo contratou uma equipe especializada para montar esse vídeo com inteligência artificial. Ficou bem convincente, né?"

"Ah, e tem mais isso aqui."

Júlia abriu outro vídeo.

Na tela, imagens degradantes e brutais. Uma jovem sendo segurada por vários homens, soltando choros desesperados que partiam o coração.

Os comentários abaixo eram ainda piores.

"Que nojo, tão carente assim."

"Parece que a gente estava errado sobre o Roberto. A culpa era dela mesma, claramente."

Cada palavra uma facada. Cada linha uma imundície.

Valentina sentiu o sangue ferver.

Era a irmã dela. A irmã que ela mais amava no mundo.

Ela derrubou o celular de Júlia com uma palmada:

"Com que direito vocês fazem isso?"

"Monstros. Vocês são todos monstros."

Valentina avançou como se tivesse perdido o juízo, tentando arranhar o rosto de Júlia. Júlia deu um sorriso satisfeito e caiu para trás dramaticamente.

"Marcelinho, me salva! A Val vai me matar!"

O grito agudo de Júlia chamou Marcelo, que entrou correndo.

"Valentina!"

Ao ver a cena, Marcelo explodiu de raiva e empurrou Valentina com força.

"Por que você está com raiva da Júlia? Fui eu que postei o vídeo. Foi um castigo seu."

"Se você ousar tocar na Júlia de novo, não sei do que sou capaz."

Depois disso, ele pegou Júlia no colo e saiu pela porta em disparada, levando-a ao hospital.

Saiu com tanta pressa que não viu Valentina paralisada no chão, um fio de sangue escorrendo da nuca.

O empurrão havia feito sua cabeça bater exatamente num prego que sobressaía do chão.

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