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《Retrato de uma Vingança》Capítulo 4

Quando acordou de novo, o teto branco da enfermaria era a primeira coisa que seus olhos encontraram.

Valentina tentou mover o corpo com dificuldade e percebeu que o braço direito não respondia de jeito nenhum.

Um pavor súbito a tomou. Ela tentou forçar o movimento com tudo que tinha.

"Para." Marcelo acordou sobressaltado da cadeira ao lado da cama. "Sua mão já tinha ferimento. E ainda foi picada pela serpente. Está comprometida."

Valentina ficou paralisada, como se não tivesse entendido direito:

"O quê?"

Marcelo tinha olheiras fundas e desviou o olhar:

"Me desculpa. As serpentes normalmente não atacam pessoas. Achei que você não corresse perigo..."

Valentina abriu a boca, mas não conseguiu soltar uma única palavra.

Depois de tudo que havia enfrentado, ela havia se recusado a deixar a dor do mundo dobrar sua determinação. Buscar justiça, proteger inocentes, nunca havia deixado de ser o que ela queria.

Ela era a perita em perfil criminal mais talentosa da capital.

Ainda havia tantos casos sem solução esperando por ela. Tantos criminosos que precisavam ser encontrados.

E agora alguém estava lhe dizendo que sua mão estava comprometida. Que ela nunca mais pegaria num lápis de desenho.

Como aceitar isso?

Marcelo esboçou um certo desespero:

"Val, não faz isso. Daqui para frente, deixa eu ser a sua mão, tá? Vou cuidar de você. Você pode querer o que quiser."

Essa frase de novo.

Valentina não aguentou mais. A voz saiu aos gritos, rouca de tanta dor:

"O que eu quero é que Roberto Fonseca morra! Foi ele que entrou no porão! Foi ele que matou minha irmã e ainda tentou me violentar!"

"Se não fosse por causa dele, a serpente não teria me atacado. Minha mão não estaria assim."

Marcelo franziu o cenho com força, a voz grave:

"Impossível. Eu não dei a chave do porão para ele."

O coração de Valentina ficou frio como pedra.

O que ela estava fazendo? Esperando que Marcelo tomasse partido por ela?

Valentina respirou fundo e virou o rosto. Não queria mais olhar para ele.

Marcelo sabia que Valentina raramente mentia. Algo sombrio passou pelos olhos dele. Depois de um momento, disse:

"Vou investigar. Pode ficar tranquila. Se ele tiver te tocado, não vou perdoar."

Valentina não acreditou numa única palavra.

Nos dias seguintes, Marcelo ficou ao lado dela o tempo todo, cuidando com atenção e dedicação.

Valentina não lhe dava nenhuma boa cara, mas ele também não se irritava. Por um instante fugaz, ela quase achou que havia voltado para os primeiros tempos do casamento.

Até que, alguns dias depois, chegou a hora de ela ser transferida para outro hospital para uma última cirurgia.

Marcelo a levou de carro. No caminho, o celular tocou. Era Júlia.

"Marcelinho, meu estômago está mal, estou me sentindo horrível."

Ele franziu o cenho, desafivou o cinto de segurança de Valentina e disse:

"Preciso ir ver a Júlia. Pega um táxi, tá? Vai com cuidado."

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Valentina foi deixada à beira de uma rodovia, sozinha.

Ela deu um riso amargo para si mesma.

Estava vendo. O carinho de Marcelo não passava de encenação.

Numa rodovia movimentada não havia como pegar táxi. Valentina andou por cinco horas até chegar ao hospital e desmaiou assim que cruzou a entrada.

Reanimação, cirurgia. Marcelo não apareceu uma única vez.

Até que, no dia em que ela finalmente teria alta, Júlia invadiu o quarto de repente.

Ela se jogou de joelhos no chão diante de Valentina, os olhos marejados:

"Val, a culpa é toda minha. Eu não devia ter ficado tão perto do Marcelo."

"Se você quer se vingar, se vinga de mim. Mas por favor, deixa meu pai em paz."

"Ele respeitou a lei a vida inteira, é uma pessoa boa. Para de falar que ele é criminoso."

Valentina ficou levemente surpresa. Abriu o celular e deu uma olhada. A publicação denunciando Roberto havia viralizado.

Ela soltou um riso frio:

"Já disse que não fui eu que postei isso. E mesmo que fosse mentira, Roberto Fonseca merece tudo que está vindo."

Júlia soltou um gemido lastimoso:

"Val, como você pode falar isso? Você está com raiva de mim, né?"

"Estou me ajoelhando para você! Me perdoa!"

E começou a bater a própria testa no chão com força.

Valentina observou, com um olhar frio. Só achou ridículo.

Quando Marcelo chegou, a testa de Júlia já estava inchada.

Ele a ergueu do chão com o coração partido:

"Que tolice! Quem quer te prejudicar não vai te perdoar porque você se ajoelhou!"

Depois de acalmar Júlia, ele virou o olhar para Valentina. O rosto havia fechado:

"Você ainda é a mesma Valentina que eu conheci? Você sabe que o Roberto quase se jogou de um prédio por causa dessa denúncia?"

"A Júlia quase perdeu o pai! E você ainda fala isso para ela?"

"Quando você ficou tão cruel?"

Valentina deixou escapar uma risada que foi ficando mais e mais triste:

"Quem é o cruel aqui? Ela quase perdeu o pai, mas eu já perdi toda a minha família."

Ela não queria mais perder tempo com essas pessoas. Deu um passo em direção à saída, mas Marcelo a bloqueou.

"A Júlia se ajoelhou para você. Agora você vai se ajoelhar e pedir desculpas a ela."

"Nem em sonho", disse Valentina na hora.

Marcelo a encarou com calma:

"Não se esqueça. Os vídeos da sua irmã ainda estão comigo. Você quer que ela não descanse nem depois de morta?"

Aqueles vídeos. As imagens que humilhavam sua irmã.

Valentina virou a cabeça com um solavanco e o encarou como se o estivesse vendo pela primeira vez:

"Você está me ameaçando com esses vídeos?"

"Minha irmã já morreu. Vocês a mataram. E você ainda vai me ameaçar com os vídeos dela?"

O desespero dela era tão cru que o coração de Marcelo doeu por um segundo.

Mas quando viu os olhos vermelhos de Júlia, ele enrijeceu a voz:

"E daí?"

"Muito bem, Marcelo. Muito bem."

"Espero que você não se arrependa."

Valentina deu uma gargalhada longa, que soou quase como loucura.

Ela se virou para Júlia e foi descendo os joelhos até o chão.

Os joelhos bateram forte no piso, fazendo um estalo seco.

Marcelo achou aquilo incômodo de ver e desviou o olhar. A voz saiu dura:

"Fica aí de joelhos pensando no que fez. Três horas. Só levanta depois disso."

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