localização atual: Novela Mágica Moderno Retrato de uma Vingança Capítulo 3

《Retrato de uma Vingança》Capítulo 3

Depois de alguns dias de descanso, Valentina voltou à delegacia.

Ela havia feito uma promessa diante do túmulo dos pais: limpar o crime e buscar justiça. O que tinha acontecido na vida pessoal não mudava a vontade de continuar o trabalho.

Mal havia se sentado quando o chefe entrou trazendo uma pessoa familiar.

"Pessoal, parem o que estão fazendo por um momento! Quero apresentar a vocês a Júlia Fonseca, nossa nova perita em perfil criminal."

"Valentina, você vai ser a supervisora dela."

Júlia tinha um sorriso tímido no rosto. Caminhou até Valentina e estendeu a mão:

"Val, a partir de agora somos colegas. Conte comigo para o que precisar!"

Valentina fechou os lábios e a encarou, fria.

Júlia não demonstrou nenhum constrangimento. Se aproximou mais um pouco e baixou a voz:

"Surpresa, né? Seu marido já é meu, e em breve seu trabalho também vai ser. Quando eu te expulsar daqui, quero ver como você vai juntar provas contra meu pai."

Valentina não respondeu. Virou-se para o chefe:

"Tenho um problema pessoal com essa senhorita. Não consigo supervisioná-la."

"Valentina, não fala besteira!" O rosto do chefe travou. Ele a puxou para fora da sala. "O Marcelo ligou pessoalmente pedindo que você orientasse ela... não seja teimosa!"

Era Marcelo, claro.

Colocar alguém que encobria criminosos dentro da delegacia para tomar o lugar dela. Era exatamente o tipo de coisa que ele faria.

Valentina fechou os olhos por um instante, respirou fundo e os abriu de novo. Só restava clareza no olhar:

"Me desculpe. Não aceito. Se insistirem em ficar com ela, sou eu que saio."

Sem hesitar, ela se virou e foi embora.

O chefe ficou boquiaberto.

Valentina era a perita em perfil criminal mais talentosa de toda a capital, responsável por resolver inúmeros casos de grande repercussão! Mesmo que quisessem substituí-la, precisavam fazer isso com cuidado e tempo. Sair assim, de repente, como ele ia explicar para os superiores?

"Valentina, a gente pode conversar..."

O chefe chamou várias vezes, mas ela não olhou para trás.

Havia uma raiva represada dentro dela que só crescia a cada passo.

Quando levantou a cabeça, percebeu que havia chegado em casa sem querer.

Deu um sorriso amargo para si mesma e empurrou a porta.

Um vaso voou de dentro do apartamento e acertou direto na testa dela.

O sangue escorreu pelo rosto. A visão embaçou num instante.

Valentina cobriu o ferimento com a mão. A dor era tão intensa que a deixou sem pensamentos, sem expressão.

Um homem de meia-idade se jogou sobre ela e apertou o pescoço com as duas mãos:

"Vagabunda! Foi você que postou na internet dizendo que eu botei fogo! Por que não te queimaram junto naquele dia?"

Era Roberto Fonseca.

O demônio que havia destruído toda a sua família.

Valentina sentia o ar sendo arrancado de dentro dela. A vista escureceu. Conseguiu espremer apenas algumas palavras:

"Eu... eu não fiz..."

PUBLICIDADE

Roberto a encarava com ódio, apertando ainda mais. Ela estava quase sem ar.

Quando já achava que ia morrer ali mesmo, a voz de Marcelo chegou:

"Tá bom, já deu o recado. Não precisa machucar de verdade."

Roberto largou o pescoço dela sem vontade. Valentina desabou no chão e teve um acesso de tosse violento, as lágrimas escorrendo pelo canto dos olhos.

Estava completamente destruída.

Ela cravou o olhar em Marcelo, que estava atrás de Roberto. A voz saiu partida:

"Por quê?"

Por que trazer o assassino da família dela para humilhá-la assim?

Por que fazer isso com ela?

Marcelo abriu o celular, mostrou uma publicação e colocou na frente do rosto dela.

Era uma denúncia contra Roberto Fonseca. O autor afirmava ter provas de que Roberto era o responsável pelo incêndio criminoso que havia chocado a capital sete anos atrás, além de outras atrocidades.

O olhar de Marcelo era de decepção total:

"Eu avisei para você não sair falando por aí. Por que precisa continuar com isso? Você quer mesmo destruir a Julinha?"

"Acha que o dinheiro que te dei não foi suficiente?"

Então era isso. Ele a culpava por ferir o pai de Júlia.

Valentina curvou os lábios num sorriso amargo:

"Mesmo que eu não tenha escrito isso, e mesmo que tivesse, qual é o problema?"

"Não é a verdade? Roberto Fonseca é uma besta."

Um estalo seco cortou o ar.

Marcelo tinha perdido o controle. Deu-lhe uma bofetada.

O homem que um dia a havia tratado com tanto cuidado não conseguia conter a própria raiva:

"Você não aprende! Precisa aprender na marra mesmo! Toninho, leva ela para o porão!"

O segurança chamado Toninho respondeu e puxou Valentina com brutalidade.

Os olhos dela se arregalaram.

Ela sabia que havia um porão embaixo da mansão dos Vieira. E lá dentro, serpentes.

"Marcelo, você não pode fazer isso comigo!"

Mas Marcelo já havia virado o rosto e não olhou mais para ela.

Valentina foi arrastada para dentro do porão.

A porta se fechou com estrondo. A escuridão tomou tudo ao redor.

Répteis soltavam um farfalhar sinistro e subiram pela sua perna, o toque gelado na pele.

Não. Não, não, não.

Valentina queria gritar, queria se debater, mas o corpo havia enrijecido por completo, incapaz de se mover.

Ela conhecia bem essa sensação. Era a somatização da depressão nos momentos mais graves.

"Marcelo, me tira daqui, eu vou morrer..."

As lágrimas caíam sem parar. Com todo o esforço que tinha, ela conseguiu, mal e mal, pegar o celular e ligar para Marcelo.

Do outro lado, quem atendeu foi a voz de Júlia.

"Val, você está procurando o Marcelo?"

"Ele está no banho. Se não for nada importante, melhor não incomodar."

Um bipe. A ligação foi cortada sem cerimônia.

Valentina sentiu como se tivesse sido jogada dentro de um bloco de gelo.

Foi então que a porta do porão foi chutada e aberta.

Roberto Fonseca entrou cambaleando, bêbado, com um sorriso torto no rosto:

"Sua vagabunda, caiu nas minhas mãos agora, né? A irmãzinha tinha um gostinho tão bom, a irmã mais velha com certeza não vai decepcionar..."

"Fica tranquila, que o titio vai cuidar bem de você."

Marcelo havia dado a chave do porão para aquela besta.

Que nojo.

Que nojo insuportável.

Ela não podia deixar ele chegar perto.

Roberto avançou balançando, as mãos gordas se estendendo na direção dela.

Valentina sentiu o estômago virar.

Sem pensar, bateu a própria cabeça contra a parede com força.

A dor afiada se irradiou por todo o crânio, mas ela não parou. Uma vez, mais uma vez.

A pele rasgou. O sangue escorreu.

Até Roberto se assustou e recuou.

O sangue jorrava cada vez mais. A consciência de Valentina começou a se dissolver.

Antes de desmaiar, ela teve a impressão de ver Marcelo entrar correndo e abraçá-la com força.

"Valentina, o que você está fazendo! Não morre, está me ouvindo?"

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia