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《Retrato de uma Vingança》Capítulo 2

Valentina organizou o velório da irmã sozinha.

Enquanto prestava homenagem diante do altar, ela ouviu passos familiares se aproximando. No segundo seguinte, um braço comprido a envolveu pelos ombros, e ela foi puxada para um abraço que cheirava a algo fresco e frio.

Marcelo enterrou o rosto na curva do pescoço dela, a voz baixa e rouca:

"Me desculpa, Val. Eu não sabia que sua irmã ia fazer isso. Me diz o que você quer. Vou compensar você da forma que for."

O corpo de Valentina enrijeceu. Uma náusea profunda subiu da garganta. Ela se soltou do abraço sem qualquer expressão no rosto:

"Sai daqui. Não apareça diante do altar da minha irmã."

Sentindo a frieza dela, uma centelha de irritação passou pelos olhos de Marcelo. Ele estava prestes a responder quando a risada de Júlia ecoou lá de fora.

Júlia entrou na sala de velório maquiada e saltitante, orientando alguns trabalhadores que carregavam vários vasos de rosas.

O vermelho intenso ardeu nos olhos de Valentina. Ela cerrou os punhos:

"Júlia, o que você está fazendo?"

Júlia abriu um sorriso inocente:

"Trouxe flores para a sua irmã. O Marcelo escolheu especialmente para mim de um jardim na França. Bonito, né?"

Bonito?

A filha do assassino aparecia num velório com rosas vermelhas e ainda perguntava se era bonito.

O olhar de Valentina gelou. Ela afastou os trabalhadores e chutou os vasos com força. Os cacos se espalharam pelo chão com um estrondo que fez Júlia dar um salto de susto.

Os olhos dela encheram de lágrimas na hora, o rosto tomado de mágoa:

"Val, eu só queria que sua irmã visse flores bonitas, já que em vida ela nunca teve essa chance. Por que você está fazendo isso?"

Valentina teve um flash da face jovem da irmã.

A menina adorava flores. Certa vez, tinha puxado Valentina pelo braço e dito, cheia de sonhos, que queria abrir uma floricultura um dia. Viver uma vida simples e tranquila.

Ela estava começando a sair da escuridão.

Estava tão perto. Tão perto de conseguir viver de verdade.

"Valentina!" A voz de Marcelo cortou o ar. "A Júlia estava sendo atenciosa. Você não devia ter feito isso. Peça desculpas a ela agora."

"Desculpas?" Valentina se aproximou de Júlia, levantou a mão e deu-lhe uma bofetada forte e seca.

Júlia não esperava. A força do golpe a derrubou no chão.

Marcelo teve um espasmo, ergueu a palma instintivamente para acertar Valentina, mas ela segurou o pulso dele com firmeza.

Sete anos trabalhando na delegacia não haviam deixado seu preparo físico para trás, mesmo sendo perita em perfil criminal. Marcelo ficou paralisado.

Valentina o encarou com calma:

"Marcelo, você destruiu minha irmã por causa dela. E agora vai me bater por causa dela também?"

Aqueles olhos que um dia transbordavam amor agora só tinham decepção. Marcelo levou uma pontada, e por um momento não conseguiu abrir a boca.

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Valentina soltou um riso seco e virou-se para Júlia:

"Acha que ele vai te proteger para sempre? Você me conhece. Sem as provas, posso buscar outras. Mesmo que leve mais sete anos, não me importo."

"Minha irmã já morreu. Agora não tem mais ninguém que possam usar contra mim."

Júlia ficou parada por um instante. Um lampejo de medo atravessou seus olhos. Ela agarrou a calça de Marcelo:

"Marcelinho, a Val ainda acha que meu pai é o culpado? Mas ele nunca fez nada disso..."

"Claro que não foi ele. Fica tranquila, eu vou proteger vocês dois." Marcelo a ajudou a se levantar, os olhos cheios de ternura.

Ficou sussurrando palavras de conforto por um bom tempo antes de erguer o olhar para Valentina:

"Fala. O que você quer para deixar esse assunto de lado?"

"Impossível", disse Valentina, sem entonação.

"Nada é impossível. Se parece, é porque o preço ainda não foi alto o suficiente." Marcelo suavizou o tom. "Só me diz o que quer. Não precisa levar isso até as últimas consequências."

Valentina quase riu.

Havia um tempo em que Marcelo ficava assim na frente dela, absorvendo todas as tempestades para que ela não sentisse nem o vento. Cuidava dela sem que ela precisasse pedir nada.

Agora ele ainda tinha esse mesmo olhar carregado, essa mesma intensidade. Só que a pessoa que ele protegia havia mudado.

Valentina ficou parada por um momento, engoliu a ardência nos olhos e foi até a bolsa. Retirou um documento e estendeu para ele.

Marcelo olhou desconfiado:

"O que é isso?"

"Um acordo de transferência de bens", disse ela, com leveza calculada. "Assina isso e por enquanto eu paro de ficar no seu encalço."

A testa de Marcelo relaxou. Ele abriu o documento e começou a ler:

"Pronto, era só isso. Não precisava transformar tudo isso numa guerra por causa de alguns mortos..."

Júlia puxou a manga dele com um ar lastimoso:

"Marcelinho, meu tornozelo está doendo muito. Acho que torci agora."

Marcelo franziu o cenho, assinou o documento sem terminar de ler e pegou Júlia no colo, saindo pela porta.

Valentina ficou parada, olhando as costas dos dois por um longo momento. Depois baixou os olhos para o documento.

Se Marcelo tivesse lido com atenção, teria percebido que era uma petição de divórcio.

Mas ele não leu.

Valentina se lembrou do dia em que ele pediu ela em casamento. Ela havia perguntado:

"Você tem tanto patrimônio. Não quer assinar um acordo pré-nupcial?"

Marcelo deu um peteleco na testa dela, rindo:

"Você já está pensando em me deixar? Te aviso que isso nunca vai acontecer."

E agora, ele mesmo havia assinado os papéis do divórcio com as próprias mãos.

Valentina achou irônico demais para qualquer sentimento.

Fotografou o documento e enviou para um contato da lista.

A resposta chegou rápido:

Certo. Pode ficar tranquila. Após o período de reflexão de um mês, vocês dois deixam de ser casados.

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