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《Retrato de uma Vingança》Capítulo 1

Valentina Ramos era a perita em perfil criminal mais jovem de toda a capital. Com as próprias mãos, ela havia desenhado o rosto de inúmeros criminosos, contribuindo para desvendar casos que pareciam impossíveis de resolver.

Mas agora, esses mesmos dedos estavam sendo quebrados um por um.

Seu rosto havia perdido toda a cor, como uma folha de papel em branco. Da garganta escapavam gemidos de dor que ninguém se dignava a ouvir.

Do outro lado da sala, seu marido, Marcelo Vieira, estava sentado num sofá de couro, segurando um cigarro apagado entre o indicador e o dedo médio, com uma expressão completamente indiferente.

O segurança que acabara de quebrar seus dedos se ergueu, abriu um vídeo no celular e colocou na frente do rosto de Valentina. Na tela, a irmã dela estava sendo segurada por vários homens, soltando gemidos desesperados que apertaram o coração de Valentina como uma garra.

"Val, entrega as provas que você encontrou. Do contrário, não me responsabilizo pelo que vai acontecer com a sua irmã."

Valentina tremia inteira, os olhos arregalados de horror e raiva:

"Marcelo, por quê?"

"Levei sete anos para encontrar o monstro que queimou minha família e violentou minha irmã. Por que você está me impedindo? Só porque ele é o pai da Júlia?"

Sete anos atrás, um bêbado havia invadido o condomínio onde ela morava e ateado fogo.

Seu pai, sua mãe, seu avô e dezenas de vizinhos morreram nas chamas.

Sua irmã mais nova, que estava brincando do lado de fora, escapou do incêndio, mas foi arrastada pelo bêbado para um matagal onde ele rasgou suas roupas.

Desde então, a menina desenvolveu um transtorno de estresse pós-traumático severo e, até hoje, vivia num estado de entorpecimento, com medo de se aproximar de qualquer pessoa.

Valentina havia dedicado a vida a encontrar o culpado, mas o bêbado tinha desaparecido sem deixar rastros, como se nunca tivesse existido. A dor a consumia, e ela também desenvolveu depressão.

Até que conheceu Marcelo Vieira.

Marcelo havia se apaixonado por ela de imediato. A cortejou com uma intensidade avassaladora: comprou um anel de diamante de valor absurdo, encheu-a de presentes caros, e nos momentos em que a doença a derrubava, ele a abraçava com força e prometia, uma vez após a outra:

"Não tenha medo. Eu vou te ajudar. Juro que vou te ajudar."

Valentina foi sendo tocada por ele aos poucos e começou a sair da escuridão, mas nunca abandonou a busca pelo culpado.

Depois de tanto esforço, ela finalmente havia encontrado provas suficientes para desenhar o rosto do criminoso. Mas então Marcelo a trouxe à força para o porão.

Todos esses anos de cuidado e carinho não passavam de uma estratégia para mantê-la sob controle, para que Júlia não perdesse o pai.

"A Julinha não tem saúde, ela não suportaria ver o pai preso." A voz de Marcelo trouxe Valentina de volta ao presente. "Chega de teimosia. Entrega as provas. Caso contrário, o vídeo da sua irmã vai circular por toda a capital. Você acha que ela aguentaria uma coisa dessas?"

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Valentina mordia o lábio de baixo com tanta força que o gosto de sangue se espalhava pela boca.

Ela abriu a voz, e as palavras saíram ásperas, como pedras:

"Marcelo, você prometeu que iria proteger minha irmã!"

Na época, não foi a corte extravagante de Marcelo que tocou o coração de Valentina. Foi uma promessa simples e sincera que derrubou as muralhas que ela havia construído em torno de si mesma.

Ele havia dito: "Eu sei que você sofreu muito. A partir de agora, a sua família é a minha família. Vou proteger a sua irmã."

Mas o Marcelo diante dela agora tinha um olhar vazio, sem o menor vestígio de emoção:

"Você é quem está prejudicando a sua irmã. Seria tão difícil obedecer e parar de procurar o culpado?"

"Você tem um minuto. A vida da sua irmã está nas suas próprias mãos."

O segurança mantinha o dedo suspenso sobre a tela. Um único toque e o vídeo se espalharia por toda a capital.

Os segundos passavam um a um. O dedo estava prestes a descer.

Os olhos de Valentina se arregalaram. Ela gritou em desespero:

"Não! As coisas estão na gaveta ao lado da cama no quarto! Por favor, deixem minha irmã em paz!"

Um brilho de satisfação atravessou os olhos de Marcelo. Ele se levantou e deu um tapinha no rosto dela:

"Por que não fez isso desde o começo?"

As provas e os retratos foram encontrados rapidamente e queimados diante de seus olhos.

Valentina ficou deitada no chão. As lágrimas escorriam, uma a uma, pelo canto dos olhos. A luz que ainda restava neles se apagou por completo.

Ao ver ela assim, Marcelo franziu o cenho e estava prestes a dizer algo quando o celular tocou. Era Júlia.

A voz dela do outro lado era mimada e melodiosa. A ternura no olhar de Marcelo se transformou num instante. Ele pegou o paletó e saiu pela porta.

Deixou Valentina sozinha, olhando para o teto com um olhar perdido, o coração transformado em cinzas.

Não se sabia quanto tempo havia passado quando o toque estridente do celular rasgou o silêncio.

Era uma enfermeira do hospital.

"Senhorita Ramos, sua irmã cortou os pulsos."

Um estalo seco. O celular caiu no chão, a tela partida em pedaços.

Quando Valentina chegou ao hospital, cambaleante, o que ela viu foi um lençol manchado de sangue e, sobre ele, uma jovem com os olhos fechados.

Sua irmã. Sua única família. Já não tinha mais calor.

Ela nem chegou a tempo de se despedir.

A enfermeira olhou para ela com compaixão e estendeu um envelope:

"Esta é a carta que sua irmã deixou. Sinto muito..."

Valentina estava sem alma. Abriu o envelope com movimentos rígidos e mecânicos.

"Mana, me perdoa por ser covarde."

"Eu só não aguento mais. Por que sempre tem que ser comigo? Tenho tanta raiva, tanta nojo de mim mesma. Todo dia fico com vontade de vomitar. Quando fecho os olhos, só vejo aqueles homens..."

"Me desculpa. Me desculpa. Não consigo mais..."

O coração de Valentina se apertou com uma força insuportável. Ela agarrou a própria cabeça e deixou escapar um grito que não parecia humano.

A ferida se abriu. O sangue jorrou.

A enfermeira se assustou e tentou segurá-la:

"Senhorita, você está se machucando, precisa fazer um curativo..."

"Não me toca!" Valentina continuava batendo na própria cabeça. "Quem deveria morrer sou eu! Por que não fui eu? Por que não me deixam morrer?"

A emoção transbordou e ela ficou sem forças. Escureceu diante dos olhos e o corpo cedeu.

Quando acordou, estava numa enfermaria. O ar cheirava a antisséptico.

Valentina ficou sentada na cama por um longo tempo. Então, pela primeira vez, discou um número que havia guardado no celular.

"Senhor Cavalcante, o senhor disse que eu podia pedir ajuda a qualquer momento, é isso?"

"Quero que Marcelo Vieira e Júlia Fonseca paguem pelo que fizeram."

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