"Por quê?" A voz de Rafaela quebrou com um choro que vinha de dentro: "Você não se lembra? Dez anos atrás aqui, fui eu que te salvei arriscando tudo..."
"Mesmo foi você?" De repente, uma voz feminina, clara e fria.
Serena havia chegado ao limite.
E foi então que ela entendeu por que Rafael havia tolerado Rafaela por tanto tempo.
Esclarecer agora podia fazer Rafael ir puxar um fio e chegar em algum lugar que ela não queria. Mas Rafaela havia maltratado Henrique, havia machucado o filho mais amado dela.
Que outra pessoa roubasse o crédito de Serena, tudo bem. Rafaela, de jeito nenhum.
Ao ouvir a pergunta de Serena, a expressão de Rafaela congelou instantaneamente.
No segundo seguinte, vieram as palavras que a destruíram completamente.
"A pessoa que te salvou naquela época não foi a Rafaela. Fui eu." Serena virou o rosto para Rafael, palavra por palavra.
Rafael ficou parado por um instante, e então o fundo dos olhos encheu de uma alegria que ele não tentou esconder.
Ele havia desconfiado fazia muito tempo. Mas a mulherzinha na frente dele, quando ele havia perguntado antes, não havia admitido.
"Precisa de mais detalhes como confirmação?" Serena perguntou.
Rafael balançou a cabeça, os cantos da boca subindo: "Não precisa. Sere, eu já sabia que era você."
Rafaela estava tremendo. A última carta que ela tinha havia sido tirada de mão:
"Rafael, por que você acredita em tudo que ela diz? Naquela época fui eu..."
"Cala a boca!"
"Cala a boca!"
Rafael e Serena disseram ao mesmo tempo, em uníssono.
Mas naquele instante, um baque veio de algum canto.
Serena olhou por instinto, e o coração parou por uma fração de segundo.
Era Bruno.
Bruno e Plínio estavam se enfrentando.
Mas Plínio era um homem de palavra, e não estava se importando com ganhar ou perder, só bloqueando a linha de visão de Bruno para onde Serena estava.
Serena viu aquilo e foi se jogar imediatamente no peito de Rafael.
Os braços enlaçaram o pescoço dele, o corpo inteiro colando nele: "Rafael, minhas pernas doem."
Rafael endureceu por um segundo, depois os cantos da boca subiram.
Aquela mulherzinha era irresistível. Mas numa praça assim, se jogar nos braços dele assim, não estava com medo de virar chacota dos velhinhos do Bai?
Ele foi logo, um braço pela cintura, o outro por baixo das coxas, a voz carregada de prazer:
"Vou te levar para o quarto descansar."
"Não quero o quarto." Ir para o quarto era passar por onde Bruno estava. Impossível.
Serena disse: "Quero ir ao rio. Eu te mostro o caminho."
Rafael foi concordando com tudo: "Certo."
"Segue em frente, quando chegar ao curral de porcos vira à esquerda, pelo caminhadinho você chega." Serena deu as instruções.
Ela enterrou o rosto no peito de Rafael, se enrolando o máximo possível nele.
Rafael foi carregando ela pelo caminho do rio.
Pássaros cantando, cheiro de flores silvestres. Quando passaram por um bosque, ele parou de repente.
"Aconteceu?" Serena foi logo espiar.
Rafael a desceu, deixou ela apoiada numa árvore, os olhos ficando mais fundos.
"Hm?" Serena tinha a consciência pesada e ficou apreensiva.
"Por que não admitiu que foi você que me salvou?" Rafael estava varrendo aquele bosque com o olhar.
Dez anos atrás, foi ela que havia expelido o veneno do corpo dele. Ali mesmo, naquele bosque. Que a havia tirado da sombra da morte.
"Não é modéstia?" Serena deu uma risada embaraçada.
Rafael apertou o queixo dela: "Você gosta muito de salvar pessoas?"
Que tipo de pergunta era essa?
Serena estava confusa quando outra pergunta veio: "Você também salvou o Plínio?"
Era a única explicação que ele tinha para os dois estarem conversando com aquela facilidade.
"Quantos homens você já salvou?"
Quantos como ele, que carregavam aquilo sem conseguir esquecer?
"Hn..." Serena soltou o ar aliviada. Enquanto não fosse sobre seis anos atrás, estava bem.
Mas o homem na frente dela tinha um temporal nos olhos, e disse palavra por palavra:
"Sere, estou com ciúme."
E as consequências seriam sérias.