Assim que o avião pousou, Rafael foi direto para o endereço que havia conseguido.
Ao chegar em frente ao prédio de Mara, estava prestes a sair do carro quando um Maybach foi chegando devagar pela rua.
Théo desceu do veículo e, com todo o cuidado do mundo, abriu a porta do passageiro para Mara, estendendo a mão para ajudá-la a sair.
Rafael olhou para a intimidade entre os dois e sentiu como se mil agulhas estivessem sendo cravadas no peito ao mesmo tempo. Doía muito, e não tinha como arrancar.
Ele apertou a maçaneta do carro com força, o olhar fixo em Théo.
"Mara é minha. Ninguém vai tirá-la de mim."
Depois de ver Théo ir embora, Mara estava prestes a subir quando dois braços fortes a puxaram com violência, e ela foi envolvida num abraço que não dava para escapar.
O coração de Mara disparou de susto. Ia gritar por socorro quando uma voz familiar soou bem perto do ouvido dela.
"Mara, sou eu."
Rafael enterrou o rosto na curva do pescoço dela, respirando fundo como se quisesse guardar aquele cheiro para sempre.
"Mara, saudade demais de você."
Ao reconhecer a voz de Rafael, o rosto de Mara fechou na hora.
"Rafael, me solta. Não temos mais nada a ver um com o outro."
As palavras de Mara fizeram Rafael parar por um instante, mas em vez de soltar, os braços apertaram ainda mais, como se quisessem fundir aquele corpo ao seu.
"Mara, fui eu quem te criei. Você só pode ser minha."
Mara se debateu com tudo o que tinha, mas a força de Rafael era grande demais. Com o rosto fechado, cravou os dentes com força no ombro dele.
"Rafael, você sabe muito bem por que me adotou. Não sabe?"
Uma dor cortante subiu pelo ombro, mas Rafael não tinha a menor intenção de soltar.
"Mara, eu sei que ainda está com raiva por causa da Viviane. Mas eu também fui manipulado por ela."
"Já dei o castigo que ela merecia. Todo mundo que te machucou pagou o preço."
Mara olhou para Rafael e soltou uma risada amarga.
"E você?"
"O que mais me machucou foi você, Rafael."
O olhar de Rafael ficou perdido por um instante, e Mara aproveitou para se soltar.
No momento em que ela ia correr, Rafael agarrou o pulso dela de novo com tanta força que o pulso de Mara ficou vermelho e inchado na hora.
"Mara, eu errei, eu sei que errei de verdade. Me perdoa dessa vez. Juro que vou passar o resto da minha vida reparando tudo o que fiz com você."
Mara se virou, com um olhar duro e sem margem para negociação.
"Só se você morrer. Do contrário, nunca vou te perdoar."
Rafael ficou parado, uma expressão de espanto e desamparo passou pelos seus olhos.
Ele puxou a mão de Mara quase como um pedido.
"Mara, eu te amo. Te amo de verdade."
"Por favor, volta para mim."
Antes que terminasse de falar, uma mão firme e decidida pressionou o braço de Rafael para baixo.
"Rafael, o que você ama é a Mara de verdade, ou o coração artificial que ela pesquisou?"
Rafael ergueu os olhos e encontrou Théo bloqueando a passagem, na frente de Mara, com um olhar que não cedia.
O rosto de Rafael fechou na hora.
"Isso é entre mim e Mara. Não é da sua conta."
Théo soltou uma risada leve, com um fundo de ironia nos olhos.
"Mas agora Mara é minha. Se você quer levá-la, ao menos me pergunta primeiro."
Ao ouvir aquilo, a raiva de Rafael explodiu, e ele agarrou o colarinho de Théo com força.
"O que você quer dizer com isso?"
"Mara é minha."
Théo o encarou sem piscar.
"Então por que você não pergunta para a própria Mara se ela quer ir com você ou ficar comigo?"
Rafael virou o olhar cheio de esperança para Mara.
"Mara, volta para casa comigo."
Mara, sem hesitar, foi se posicionar atrás de Théo, a voz saindo gelada.
"Graças a você, já faz tempo que não tenho mais casa."