No sábado, Serena havia se recuperado completamente.
Havia prometido para Bai Cong tocar
Cinzas
para o pessoal da Associação de Piano, e era hora de cumprir.
Às três da tarde, Serena chegou pontual no local combinado.
"A mestra chegou!" Bai Cong foi radiante, chamando os outros para perto: "Esta é a mestra Serena! Venham todos!"
Os velhos e as velhinhas ficaram animados: "Boa tarde, mestra!"
"A mestra pode me chamar de Xiazhou."
"Mestra, eu sou Xiaoxu, este é Xiaochen..."
Serena torceu o canto da boca. A idade de qualquer um deles dividida por dois ainda era maior que a dela.
Ela sorriu e cumprimentou a todos, entrando com o grupo.
Enquanto isso, do lado de fora havia duas figuras agindo de forma suspeita.
Sandro estava com uma roupa de linho preta enorme, boné grande, óculos escuros, máscara. A fantasia que até a própria mãe não reconheceria.
Ao lado dele, um velho de barba grisalha e cara de quem não estava satisfeito:
"Olha aqueles velhos rivais com aquela cara de satisfeitos! Aquela menininha é a mestra que tocou
Cinzas
?"
Sandro suspirou, acenou: "Mestre, é ela. Mas o senhor não tem uma briga antiga com os das associações. Não é estranho a gente aparecer assim?"
"Quem disse que vamos aparecer assim?" O mestre lançou um olhar para Sandro: "A sala de piano deles não tem isolamento acústico. A gente ouve pela parede!"
As têmporas de Sandro pulsaram. Ele era um premiado ator famoso. Nunca havia feito uma coisa dessas.
O peso de ser famoso era grande. Ele se via capaz de cavar um apartamento com os próprios pés de tão constrangido.
"Rápido, senão não acha posição boa!" O mestre ainda o apressava.
Sandro abaixou mais o boné e foi com a cabeça baixa.
Os dois finalmente encontraram um cantinho. Da posição deles, dava para ouvir vagamente o que diziam dentro.
O mestre viu Sandro prestes a ir embora, e segurou o ombro dele na hora:
"Vai a onde? Fica e ouve também! Você não acabou de aceitar um papel de pianista? Aproveita pra sentir!"
Sandro queria sumir.
Por que tinha ido falar que a festa de aniversário de Serena estava cancelada porque ela queria comemorar no vilarejo e não tinha piano lá.
Mas a mãe de Valentina ao ligar para Serena havia mencionado que ela estaria hoje na Associação de Piano.
Lá dentro, as pessoas trocaram mais alguns comentários, e então o som do piano chegou.
Provavelmente afinação.
Terminou. Alguns segundos de silêncio.
E então, sem avisar, uma música de um alcance e força impressionantes invadiu os ouvidos.
Sandro estava divagando no começo, mas aos poucos a música foi o puxando.
Os pensamentos dele começaram a fluir com a música, levados para aquela era de guerras e cavaleiros.
Na mente, o personagem que estava prestes a interpretar foi ganhando profundidade, como se uma iluminação intensa chegasse de repente, e ele teve um salto de compreensão que nunca havia tido.
Tanto que quando a peça acabou, Sandro continuava de pé exatamente como estava.
A expressão no rosto foi mudando, até virar surpresa genuína.
"Maravilha! Maravilhoso! Extraordinário!"
A voz potente do mestre rasgou os pensamentos de Sandro. Ao lado, o velho estava com o rosto radiante, os olhos brilhando de emoção.
Ele gesticulava feliz: "Em vida, ouvi
Cinzas
sendo tocada com alma!"
"Que beleza! Que obra! Eu—"
Sandro foi estender a mão para tapar a boca do mestre, mas já era tarde.
Da janela da sala de piano, várias cabeças de cabelos brancos apareceram.
"Quem está aí?"
E então: "Velho Pan?! O que você está fazendo escutando pela janela?!"
Risadas por todo lado.
Sandro ao ouvir aquilo deu meia-volta imediatamente, pronto para abandonar o mestre e correr.
Mas mal deu dois passos, a porta na frente se abriu.
Serena saiu.