Na tela, Viviane estava sentada num canto escuro, a voz fria como pedra.
"Se o pai daquela Mara não tivesse me tirado da lista de premiados seis anos atrás, eu já teria ganhado o Prêmio de Melhor Pesquisa. Dessa vez, não vou deixar aquela menina me barrar de novo."
O salão explodiu em murmúrios.
"Viviane estava querendo matar Rafael."
"Destruir a única coisa que poderia salvar Rafael, isso não é praticamente empurrá-lo para a morte?"
"Viviane é cruel demais. É a vilã das histórias de verdade."
Viviane, com a maquiagem pesada e vistosa, estava sentada na plateia. No instante em que se viu na tela, levantou como uma louca e correu para o palco.
"Desliga isso. É tudo armação de Mara para me incriminar."
Mas antes que a mão de Viviane tocasse na tela, Rafael a agarrou com força.
"Viviane, você teve a coragem de me enganar com um doador falso?"
"Você sabe o quanto um doador significa para mim?"
Viviane sacudiu a cabeça sem parar, apavorada.
"Rafa, não é assim. Isso é tudo montagem de Mara, ela quer me destruir. Não cai nessa."
O rosto de Rafael estava sombrio de um jeito que assustava.
"Montagem? O doador que você arranjou era falso. Isso é um fato."
Diante do olhar afiado de Rafael, Viviane estava tremendo do começo ao fim.
"Rafa, com o doador eu também fui enganada. Somos os dois vítimas nisso."
"E além disso, a família de vocês tem tanto dinheiro. Com certeza conseguem encontrar outro doador, não é?"
Rafael jogou Viviane para o lado com força e a encarou com um olhar cheio de frieza.
"Encontrar outro? Você sabe melhor do que ninguém o quanto é difícil achar um doador compatível para mim. Mesmo assim, escolheu destruir o meu único recurso por causa do seu prêmio."
Viviane bateu nas costas de uma mesa, e uma dor cortante percorreu sua espinha.
Mesmo assim, não tinha tempo para a dor. Se levantou do chão às pressas e se arrastou até Rafael, quase implorando, agarrando a perna dele.
"Rafa, já somos marido e mulher. Não devemos ficar unidos? Acredita em mim, por favor."
Ao ouvir "marido e mulher", Rafael se agachou devagar na frente de Viviane, apertou o pescoço dela com força e o olhar ficou gelado.
"Marido e mulher?"
"A cerimônia não foi concluída, nunca registramos o casamento. Que casamento é esse?"
O rosto de Viviane foi ficando roxo por falta de ar. Ela olhou para o homem à sua frente com terror.
"Rafael, você não pode fazer isso comigo. Agora toda Pequim sabe que somos casados. Eu sou da sua família."
Rafael a encarou com uma frieza que cortava.
"Me ameaçar? Primeiro veja se você tem essa credencial."
Dito isso, Rafael arremessou Viviane para o lado com violência.
Viviane rolou pelo palco abaixo, completamente sem compostura.
"Rafael, você não pode me tratar assim. Fui você quem quis destruir o laboratório de Mara desde o início."
Rafael deu uma pausa, e uma dor aguda atravessou o peito, deixando-o sem ar.
"Fecha a boca."
Viviane percebeu que havia tocado num ponto sensível e foi se aproximando passo a passo, curvando-se para sussurrar no ouvido dele.
"Rafa, a gente está no mesmo barco. Mara quer nos destruir os dois. Ela é a nossa inimiga."
Mas antes que terminasse de falar, a tela voltou a mudar de imagem.
Desta vez, exibia a gravação de uma câmera de seis anos atrás, com Viviane atropelando o pai de Mara.
Rafael olhou para a tela e o último fio de cor no rosto desapareceu, substituído por uma raiva sem limite.