O coração de Valentina foi afundando aos poucos.
Ela virou para o lado: "E o Sandro?"
Sandro pensou no dia em que Serena havia desligado o celular na cara dele, e ficou levemente contrariado.
Mas o mestre dele tinha enchido tanto o ouvido com o desejo de ouvir Serena ao vivo uma vez que ele cedeu:
"Valentina, mãe gosta de movimento, deixa ela fazer isso uma vez."
Valentina foi se recostando devagar na cadeira.
Na cabeça dela, ressoava a voz da ligação daquela manhã.
Aquela voz havia dito que os pais e os irmãos dela iriam embora um a um.
E ainda havia dito que sabia por que Túlio ousava sentir o que sentia por ela.
Um pensamento aterrorizante emergiu de um canto da mente, e Valentina o empurrou para longe violentamente.
Ela não ousava deixar aquele pensamento existir, nem por uma fração de segundo.
Tudo era mentira. Impossível. A ligação e os eventos de hoje eram só coincidência.
Como Valentina não havia mais protestado, a mãe ficou animada e pegou o celular para ligar para Serena.
Do outro lado do mundo, Rafael estava dormindo com Serena nos braços.
O celular tocou. Ele franziu o cenho levemente, a voz ainda rouca com o sono: "Alô."
"Ei, não é o celular da Serena?" A mãe de Valentina ficou confusa.
Rafael disse: "Senhora, sou o Rafael Duarte."
"Ah, desculpe incomodar!" A mãe ficou sem jeito: "Ligo pra ela mais tarde!"
E desligou rapidinho.
Rafael ficou sem saber se ria ou se ficava sério.
Mal pousou o celular, a mulherzinha no colo se mexeu.
As pestanas longas tremeram, e os olhos foram se abrindo devagar.
"Hn..." Serena sentia o corpo ainda sem energia, a cabeça pesada.
O olhar girou levemente e pousou na garganta do homem.
Por dentro deu um susto.
Rafael percebeu que ela havia acordado, abaixou o olhar: "Sere acordou? Tem algum lugar que está incomodando?"
Serena reconheceu que estava no hotel, no colo de Rafael.
Sem energia para discutir aquilo, ela perguntou: "Quanto tempo eu dormi?"
"Nove horas." Rafael disse.
Ele acendeu a luz.
No brilho da luz, o rosto dela estava razoável, mas os lábios estavam notavelmente mais pálidos que o normal.
"Com fome?" Ele perguntou.
"Não quero comer." Serena disse. "Quero água."
"Vou buscar." Rafael colocou o roupão, levantou.
Voltou rápido, ergueu Serena, a deixou recostada no peito dele, e foi dando a ela gole por gole.
A água ajudou. Serena perguntou: "Quando voltamos?"
"Depende do seu estado." Rafael disse com preocupação: "Sere, ainda está sentindo algum desconforto?"
"Sem energia. Mas dormindo passa." Serena estava sem forças, encostada nele, levemente irritada: "Por que eu só estou com a calcinha?"
Rafael deu uma risada: "Sere está reclamando que botei roupa demais?"
Serena ficou frustrada, mas sem nenhuma força para fazer nada. Fechou os olhos com raiva.
Rafael ao ver aquilo, se abaixou e deu um beijo na bochecha dela que estava bufando, depois disse: "Sere, já que você acordou, queria falar uma coisa."
Sem esperar resposta: "No fim de semana é seu aniversário. Quero fazer uma festa pra você."
Serena abriu os olhos: "Não quero."
Ela disse: "No aniversário quero ir para o vilarejo de Laix. Todos os anos que passei lá, os moradores comemoravam comigo."
"Ah, tudo bem." Rafael concordou imediatamente: "Então vamos comemorar lá no vilarejo!"
Serena não conseguiu evitar levantar os olhos para ele. Ficou com curiosidade de ver o grande herdeiro dos Duarte reagindo a uma festa de roça.