Valentina ficou com a expressão travada por um instante.
Depois franziu o cenho: "Quarto irmão, já somos adultos. Não quero ouvir mais nenhuma loucura sua."
Túlio deu uma risada amarga: "Estou aqui parado o tempo todo e você não perguntou uma vez por que vou morrer em breve."
Valentina ficou com os lábios presos, sem responder.
O fundo dos olhos de Túlio foi esfriando aos poucos.
Ele virou a cadeira, a voz plana: "Faz sentido. Você deveria ficar feliz. Em alguns meses você vai estar livre. E... segura."
O segredo que só ele conhecia dentro da família Viana seria enterrado com ele quando morresse.
Túlio foi embora. Valentina ficou parada onde estava, e uma sensação estranha e difusa subiu por dentro.
Ela respirou fundo, não queria ser afetada por aquele homem. Fechou a porta e voltou para a cama.
Ainda era cedo. Valentina deitou e tentou dormir.
Estava num estado de meia consciência quando o celular tocou.
Sem nenhuma identificação de número. Valentina hesitou, mas atendeu.
Do outro lado, uma voz que havia passado por um modificador:
"Valentina, você tem medo de ser substituída?"
Valentina franziu o cenho: "Quem é você? Esse tipo de comportamento misterioso me irrita."
"Não precisa saber quem sou." A pessoa pareceu dar uma risada: "Mas sei que seu quarto irmão gosta de você."
Valentina ficou irritada: "Você é do lado dele?"
"Não sou do lado dele. Mas sei por que ele se permite sentir o que sente por você." A pessoa disse. "A família Viana é muito interessante."
Valentina não se deixou perturbar: "Se você ligou só para dizer essas coisas sem sentido, me poupe. Não preciso ouvir."
Dito isso, foi desligar.
Mas a pessoa disse de repente: "Você está sentindo aquela instabilidade agora? Com medo de que seu pai, sua mãe, seus irmãos, um por um, vão se afastando de você?"
O movimento de desligar de Valentina parou.
"Se esse dia chegar, pode me procurar." A pessoa deu uma risada: "Guarda o que eu disse."
Beep beep beep.
A ligação foi encerrada do outro lado. Valentina ficou segurando o celular, a expressão indizível.
Ela não ia acreditar nas palavras de um estranho.
E além disso, desde pequena os pais e os irmãos sempre a protegeram. Por que iriam embora?
Ela olhou para o horário, respirou fundo, levantou.
Sete e meia da manhã. A família Viana começou a se reunir.
No café da manhã, depois de alguns comentários, a mãe virou para Valentina:
"Valentina, a sua colega Thea está fazendo aniversário em breve, não está? Então a gente estava pensando em fazer uma festa pra ela..."
Valentina ficou com a expressão paralisada: "Mãe, ela é só minha colega."
A mãe acenou: "Eu sei. Mas naquele dia ela ajudou o Sr. Tomás, que indiretamente ajudou a família toda. E aquela menina cresceu sem pai e sem mãe, com certeza nunca sentiu o calor de uma família. Então..."
Se não fosse a ligação daquela manhã, Valentina ainda conseguiria manter a calma.
Mas agora, a expressão mudou: "Mãe, eu sou a sua filha!"
A mãe riu: "Valentina está com ciúme? Pai e mãe te amam, claro. A gente só viu que aquela menina é boa, e de verdade ela nos ajudou. E ontem enquanto você não estava, eu e seus irmãos já conversamos. Todo mundo achou uma boa ideia."
Valentina virou para os irmãos à mesa: "Irmão, vocês concordaram?"
Caio, o primogênito, acenou: "O orçamento sai da minha conta."
O segundo e o sexto não estavam. Yago sorriu: "O presente eu já preparei."
Túlio não disse nada. Estava mais silencioso do que nunca naquele dia.
Renato estava com o uniforme de comandante, com aquele ar habitualmente distante, mas sorriu levemente:
"Mãe quer fazer uma surpresa pra Thea."