Naquela noite, Rafael dormiu abraçado a Serena na suíte de lua de mel.
Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, Túlio olhava para o frasco de remédio que estava quase vazio e fez uma ligação.
Rapidamente a chamada foi atendida, e uma voz feminina sonolenta e descuidada chegou do outro lado: "Sentiu minha falta?"
Túlio tinha a voz fria: "Zixiao, da última vez você disse que tinha um remédio que poderia tratar o meu problema."
"Me ligou só por causa disso?" Zixiao deu uma risada leve. "Que pena. Acabou."
"O que quer dizer?" Túlio franziu o cenho.
"Exatamente o que parece." Zixiao disse: "Três horas atrás, esse remédio foi usado como aposta numa arena e saiu. Qualquer outra pessoa, eu te encorajaria a ir tomar de volta. Só que..."
"Quem foi?" Túlio perguntou.
"Um homem e uma mulher. O homem pode ser o
Vazio
." Zixiao disse.
Túlio ficou levemente surpreso ao ouvir o nome
Vazio
. Ele perguntou: "E a mulher?"
"Uma mulher muito bonita." Zixiao foi brincando com o isqueiro: "Quer ver uma foto? Só eu tenho, de toda a arena."
Quando Serena havia pedido emprestado a maquiagem, Zixiao havia tirado uma foto discreta com uma câmera em miniatura.
E ela havia descoberto há pouco: desde que o
Vazio
e a acompanhante dele haviam aparecido, todas as gravações de câmera da arena inteira tinham sido sobrepostas.
Aquelas horas haviam sumido completamente, sem rastro.
Um nível de hacking tão abrangente assim a deixava ainda mais curiosa sobre a identidade real do
Vazio
.
"Manda." Túlio sufocou a agitação interna.
A foto chegou no celular.
Ao ver Serena, a mão dele apertou o aparelho.
Aquela mulher.
Veio à memória o dia em que Serena havia tratado o Sr. Tomás.
O sangue ficou mais quente de repente.
"Querido, eu tenho um contato com ela. Quer que eu a convide pra sair e a elimine pra você?" Zixiao perguntou na ligação.
Túlio ouviu a palavra
elimine
, e sentiu algo se contrair no fundo do peito sem razão aparente.
"Não precisa." Ele disse direto.
"Viu ela bonita e ficou com pena?" A voz de Zixiao ficou afiada.
"Não é da sua conta." Túlio disse. "Vou desligar."
"Espera." Zixiao o parou. "Me diz, quanto tempo ainda você tem?"
Túlio falava sobre a própria morte com uma calma que estava além do comum:
"Daqui a alguns meses, se eu não entrar em contato, pode apagar meu número."
Zixiao ficou em silêncio por alguns segundos, e então disse de repente: "Vou conseguir o remédio pra você."
"Não precisa." Túlio ainda ia dizer mais alguma coisa, mas percebeu que ela já havia desligado.
Ele abriu a foto de Serena e olhou por mais um segundo, depois girou a cadeira de rodas para fora.
O corredor estava quieto. Era quase cinco da manhã na cidade. A família Viana ainda estava dormindo.
Túlio foi até a porta de Valentina.
Bateu algumas vezes com ritmo. Esperou em silêncio.
Dois minutos depois, a porta se abriu.
Os olhos de Valentina tinham raiva mal contida. Ela segurou:
"Quarto irmão, acho que o que falei naquele dia foi suficientemente claro."
"E se eu dissesse que vou morrer em breve?" Túlio perguntou.
A voz de Valentina parou.
Túlio disse: "Quando era criança e eu não me sentia bem, você sempre trazia alguma coisa. Tenho saudade daquele tempo."
Valentina disse com frieza: "Sou sua irmã de sangue. Cuidar do irmão é o mínimo."
"E se não for?" Túlio disse fixando o olhar nela de repente.