O homem na torre ficou tenso, os olhos presos na tela.
Mas no segundo seguinte, viu o helicóptero de Rafael sair da bola de fogo.
A enorme explosão se abriu atrás dele. As seis aeronaves que estavam cercando Rafael se transformaram em fragmentos que foram caindo espalhados pelo ar.
"Merda!" O homem soltou um palavrão.
Em tão pouco tempo, Rafael havia eliminado completamente a vantagem numérica deles.
"Senhor, devemos continuar mandando reforços?" O subordinado perguntou com cautela: "Na área de Nessel agora, só temos mais cinco aeronaves disponíveis de imediato."
O olhar do homem estava fixo na tela. A voz pareceu vir de um lugar fundo: "Não precisa."
Porque em mais dez segundos, das duas aeronaves dele que ainda restavam, só sobrou uma.
A batalha estava perdida.
Bang!
Ele arremessou o computador com força contra o chão. A tela se estilhaçou.
E com a queda da oitava aeronave, o lado dele foi completamente aniquilado.
O helicóptero de Rafael, com o de Owen ao lado, desapareceu do campo de visão de todos.
A bordo, Rafael havia passado os controles para Falcão.
Ele voltou ao lado de Serena, abaixou o olhar para verificar o estado dela.
Ele não sabia do que aquela mulherzinha era feita. Igual à última vez em que o veneno a havia afetado, ela simplesmente adormeceu com aquela calma, como uma bela adormecida.
Ele a trouxe de volta para o próprio colo e, lembrando de um remédio caseiro antigo para envenenamento, foi procurar no compartimento de armazenamento.
Encontrou um leite. Verificou a validade, estava bom.
Rafael abriu a garrafa e deu um gole.
Então se inclinou, os lábios pousaram nos de Serena, e ele separou os dentes dela gentilmente.
Foi passando o leite em pequenos goles, sentindo a mulherzinha engolir.
Rafael tomou outro gole, repetiu o processo. E foi assim, uma vez e outra, até que quase metade da garrafa havia sido transferida para ela.
Rafael olhou para o cantinho do leite nos lábios dela, e o fundo dos olhos ficou mais escuro.
Ele se abaixou, a ponta da língua roçou levinho, levando aquela marca branca.
O sabor de leite, misturado com o doce natural de Serena.
Rafael a recolocou no próprio peito e disse para Falcão:
"Mais dez minutos de voo. Me leva de volta ao hotel de antes."
O canto da boca de Falcão twitou quase imperceptivelmente.
O chefe era o chefe. A ponto de querer voltar ao mesmo hotel.
Ele havia ouvido Owen mencionar de passagem que Rafael havia reservado a suíte de lua de mel.
Então era por isso que queria voltar?
Mesmo com o departamento de segurança da Aliança já mandando pessoas para proteção, o chefe estava sendo leviano demais com os adversários.
Dez minutos depois, Falcão pousou o helicóptero na entrada do hotel.
Rafael havia tirado a máscara do
Vazio
.
Ele desceu com Serena nos braços, completamente impassível.
O hotel já estava em alerta. O pessoal de segurança da Aliança estava em fileiras dos dois lados, boquiaberto olhando para Rafael.
Eles tinham recebido um comunicado urgente do chefe e vieram proteger o líder do Salvation.
Disseram que o comandante Zeus estava numa missão muito importante.
Mas chegar e ver Zeus carregando uma mulher e cobrindo o rosto dela para que não vissem... que manobra era aquela?
E carregar uma mulher desacordada para dentro de um hotel de que jeito isso parecia sendo um homem de bem?
Talvez a mulher fosse do lado inimigo e Zeus a estivesse levando para o quarto para interrogar?
No meio de todas as dúvidas, Rafael já havia entrado no elevador com Serena.
Alguém viu Falcão e foi logo: "Falcão, quem é aquela mulher?"
Falcão lançou um olhar de lado, a voz sem inflexão: "Cunhada."
"Ah, cunhada." A pessoa repetiu, e de repente caiu a ficha. A voz disparou: "Espera, que cunhada?! Zeus gosta de mulher?!"
"Cuida da sua cabeça." Alguém ao lado avisou discretamente.