Um olhar de Rafael para a frente foi suficiente para ver que as ruas estavam cheias de gente vindo na direção dele.
Seis grupos. Com intenções diferentes.
Alguns genuinamente fascinados pelo
Vazio
. Outros curiosos. Outros determinados a eliminá-lo.
Disparos. Uma bala passou raspando pelo lado de Rafael, abrindo um buraco cinza-branco no asfalto.
Nos prédios ao redor, vários atiradores de longa distância já estavam posicionados.
Foi então que um SUV preto modificado parou bruscamente na frente de Rafael.
Ele abriu a porta, entrou com Serena nos braços.
Bang. Bang. Bang.
Balas acertaram o carro, cravando-se nas portas reforçadas.
Owen ao volante, com a voz tremendo: "Chefe, eu sou hacker! Não dirijo tão bem quanto o Falcão! E ele ainda tá no caminho de volta, vai demorar um pouco..."
"Para de falar." Rafael pegou a arma de dentro do carro, voz firme e tranquila: "Só ouve o que eu mando."
"Acelera."
"Vira à esquerda."
"Derrapa para a direita."
Rafael comandava enquanto respondia aos tiros do lado de fora com uma precisão cirúrgica.
Pessoas continuavam caindo. As balas continuavam só roçando o carro, sem acertar nada vital.
"Abaixa!"
Owen obedeceu por instinto, se jogou para baixo.
Quase no mesmo instante, uma bala atravessou o para-brisa, passou rente ao couro cabeludo dele e se enterrou no encosto do banco.
"É um atirador de precisão." Rafael disse: "Entra no beco."
Owen sentiu que estava se transformando num piloto de corrida, do nervosismo inicial ao entusiasmo total. Era a primeira vez no campo de batalha real, e surpreendentemente estava indo além do esperado.
No beco, os atiradores perdiam o ângulo. A pressão dentro do carro diminuiu.
Serena continuava colada ao peito de Rafael, o braço dele envolto nela, enquanto o outro atirava continuamente.
A mulherzinha estava quente e suave, respirando de forma regular. Rafael ficou um pouco mais aliviado.
"Chefe, não tem mais saída!" Owen gritou.
"Abandona o carro. Vamos de helicóptero." Rafael disse.
"Que helicóptero?" Owen estava confuso, mas ouviu o ronco dos motores ao longe.
Ele foi soltando o ar aliviado, mas logo ficou preocupado: "Chefe, tem muitos helicópteros!"
"Dois deles são para nos buscar." Rafael disse.
"Merda!" Owen fez a conta: "Então os outros oito são dos inimigos?"
Sem tempo para qualquer comentário a mais.
Os três abandonaram o carro, passaram pela janela de um apartamento e saíram para uma área aberta.
Helicópteros fechando o cerco. Balas caindo ao redor.
"Sobe." Rafael mandou Owen.
Owen subiu numa das aeronaves, meio arrastando meio rolando.
Rafael ergueu Serena nos braços, subiu a escada de corda com uma mão só.
Uma bala raspou o topo do pé dele. O sapato ficou chamuscado.
A porta da cabine fechou. Rafael colocou o capacete direto: "Falcão, cuida dela por mim."
Falcão acenou, montou o rifle de precisão e foi observando lá fora, enquanto amparava Serena que dormia quieta.
Rafael foi para o assento do piloto. Com um puxão de alavanca, o helicóptero disparou direto para dentro da formação inimiga.
Vwoom!
Um projétil saiu de uma das aeronaves inimigas em direção direta a Rafael.
Ele fez uma virada brusca. O projétil passou pelo lado da asa. Mas foi certeiro na aeronave que vinha logo atrás.
A aeronave inimiga fez várias rotações descontroladas, quase chegando ao solo antes de conseguir se estabilizar.
No alto da torre, o homem assistia ao feed de vídeo ao vivo, os olhos completamente gelados:
"Manda mais helicópteros!"
Essa janela, se não aproveitada, eliminar Rafael depois seria como tentar tocar o céu.
E a força deles havia sido exposta. Recuperar o poder levaria tempo.
Mas naquele momento, na tela, o helicóptero de Rafael foi subitamente envolvido por uma bola de fogo.