Serena agarrou o pulso de Rafael.
Ela ergueu o olhar: "Se você não tiver sido contaminado, consegue me tirar daqui com segurança?"
"Consigo." Rafael disse.
Serena acreditou naquelas palavras.
Ela sorriu para ele: "Então vou dormir um pouco. O resto fica com você."
Rafael pareceu adivinhar o que ela ia fazer, e franziu o cenho imediatamente: "Não faz nada disso!"
"Não vai dar problema. Veneno eu tenho desde pequena." Serena deu de ombros, o tom leve: "Já estou acostumada."
Dito isso, ela tirou as agulhas em velocidade, aplicando em vários pontos de pressão de Rafael.
As pessoas ao redor continuavam se fechando, mas ninguém avançou.
Estavam esperando Rafael cair sozinho.
Serena foi rápida. Quando estava com a penúltima agulha, ela virou de frente para Rafael de uma vez.
Ficou na ponta dos pés, enlaçou o pescoço dele, e os lábios pousaram nos dele.
Rafael ficou paralisado por um instante.
E ao mesmo tempo, a última agulha entrou num ponto específico na nuca dele.
Ele sentiu o corpo endurecer por um momento.
E ao mesmo tempo, todos os venenos dentro do corpo pareceram ganhar vida de repente, atraídos por algo, subindo todos em direção à garganta.
Ele entendeu imediatamente o que Serena estava fazendo, quis empurrá-la para longe.
Mas não conseguia se mover.
E naqueles poucos segundos de imobilidade, a moça nos seus braços absorveu todos os venenos do corpo dele de uma vez.
Os dedos dela retiraram todas as agulhas rapidamente, ela cuspiu um fio de sangue escuro, e foi murchando, desmaiando.
O coração de Rafael parou por uma fração de segundo. Ele estendeu o braço e a prendeu antes que caísse.
Ela estava quieta no peito dele, como uma gatinha que não consegue acordar.
Os olhos de Rafael se estreitaram. O olhar frio e afiado varreu todos os que estavam se aproximando.
Gritos e urros ao redor por toda parte.
Mas Rafael só conseguia ouvir a respiração longa e uniforme da mulherzinha no seu peito.
Ela estava bem.
Rafael a ergueu nos braços e foi em direção à saída o mais rápido que podia.
A adaga de Heitor saiu da bainha. A lâmina fria e afiada foi sendo banhada de vermelho repetidamente.
Só então as pessoas presentes testemunharam o que o
Vazio
realmente era capaz.
Sem brutalidade desnecessária. Só um silêncio devastador que varria tudo no caminho.
Os melhores lutadores da arena foram caindo, um a um, até que uma passagem vermelha foi tomando forma.
Benjamin estava na sombra, observando aquela cena, a veia da testa saltando.
Ele sacou a arma.
O barulho ao redor era ensurdecedor. O clique da munição foi completamente engolido pelo caos.
Ele mirou nas costas de Rafael.
No instante em que foi puxar o gatilho, o braço foi levemente empurrado por alguém.
Bang.
O tiro disparou. Acertou uma luminária suspensa, que explodiu em fragmentos de vidro colorido pelo chão.
Rafael e Serena já haviam desaparecido.
Benjamin se virou com força, os olhos cravados na mulher ao lado: "Você quer morrer?!"
Dito isso, gritou para os subordinados: "Captura ele! Mata ele, eu dou a vocês a participação no negócio!"
Os subordinados entraram em frenesi.
A mulher ficou tranquila, com uma risada baixa: "Benjamin, não adianta mais lutar. A gente fez o que podia, não fez?"
Benjamin estava suando frio, batendo o pé: "Se ele não morrer, somos nós que morremos!"
"As pessoas morrem." Os olhos da mulher ficaram fundos de repente: "Depois de tantos anos nessa arquibancada, ainda não vimos o suficiente?"
"Você é completamente louca!" Benjamin tremia de raiva.
Rafael havia escapado do tiro. Não haveria segunda chance.
"Você se apaixonou pelo tal
Vazio
, não foi?" Benjamin olhou para o corredor vazio, como se já pudesse ver o resultado da sua falha.
Um tremor nas pernas, e ele afundou no chão.
"Eu?" A mulher se abaixou e aproximou os lábios do ouvido dele, com uma risada suave: "Uma pessoa que pode não ver o amanhecer do dia seguinte a qualquer momento merece ter amor?"
Ela se endireitou, virou e foi embora.
Enquanto isso, Rafael, com Serena nos braços, já havia chegado à saída do teatro.