No ringue, Rafael continuava com aquela postura de sempre, impassível.
A sensação estranha em Serena ficou mais intensa. Ela se levantou de uma vez e foi em direção aos bastidores.
Rafael pareceu perceber algo. Virou o olhar para ela.
Serena, de longe, fez um movimento de boca sem som: "Cuidado."
Ela havia avisado, mas o coração ainda estava agitado. Os passos não pararam.
No ringue, Rafael viu isso, levantou a mão e fez um gesto.
Serena parou.
Rafael balançou a cabeça para ela, e então olhou para a saída.
Serena entendeu: se houvesse algum problema, ela devia sair primeiro sozinha.
E naquele momento, o árbitro já tinha subido e anunciado o começo do combate.
Não havia mais tempo.
Serena entendeu de repente o que havia de errado no adversário de Rafael.
Aquele homem estava emanando cheiro de veneno por todo o corpo.
As pessoas mais próximas do ringue já estavam algumas vomitando.
E o homem chamado
Extintor de Almas
estava avançando em direção a Rafael.
Com cada passada, gás tóxico ia escapando pelos poros dele.
Ele era como um veneno humano ambulante, infiltrando-se em tudo.
"Sai dali!" Serena gritou para o ringue.
Mas então:
Bum!
Um impacto limpo e preciso.
O
Extintor de Almas
foi lançado no ar, o corpo todo expelindo sangue enquanto subia.
O sangue era preto, caindo de volta no ringue como uma chuva de veneno.
Rafael se esquivou com agilidade. Graças a isso, só os sapatos foram atingidos por algumas gotas.
O
Extintor de Almas
caiu no chão sem reação.
O salão ficou em silêncio.
O árbitro não se aproximou. Era evidente para todos que algo estava errado.
Só a tela eletrônica foi de
11
para
12
.
O suporte de prêmios se abriu automaticamente. Entre ele e o ringue, uma escada flutuante se ergueu.
Rafael foi subindo, pegou a adaga e a caixa cinza-prateada.
Serena já tinha corrido até abaixo de onde ele estava: "Desce logo!"
Rafael sufocou a turbulência que sentia por dentro, desceu os degraus.
No lado das arquibancadas, muitas pessoas já haviam caído por terra.
Rafael caminhou pelo espaço, e a multidão foi abrindo caminho automaticamente.
Ele veio até Serena e estendeu as mãos:
"O que você queria."
Mas então se lembrou de algo e recolheu: "Está com veneno. Dou em casa."
Serena não conseguiu mais se conter: "Se você sabia que havia veneno, por que não saiu?!"
"Você não queria essas duas coisas?" Rafael disse com calma: "Prometi buscar. Não ia quebrar a palavra."
Serena por um momento não soube o que dizer.
Ela viu gente convergindo de todos os lados.
Ela sabia que se Rafael não tivesse sido contaminado, os dois juntos conseguiriam lidar.
Mas agora ela não tinha como calcular.
E logo que havia visto o
Extintor de Almas
subir, percebeu que o sinal de comunicação do subterrâneo havia sido completamente bloqueado.
Era uma emboscada clara.
Dirigida a Rafael.
O caos em volta estava crescendo, pois mais e mais pessoas estavam sendo afetadas pelo veneno, e até Serena sentia uma tontura.
Ela ficou alarmada e não resistiu: "Quem você é de verdade?!"
Os donos da arena estavam dispostos a enfrentar a ira de todos os presentes, que eram figuras poderosas por direito próprio, só para montar aquela armadilha para Rafael.
A identidade dele por trás disso tudo...
Rafael apenas disse com leveza: "Quando nos casarmos, eu conto."