Serena ficou na beira do ringue. O homem lhe fez um gesto com a cabeça, mandando ela sair logo.
A máscara de Shura dourada e preta estava de perfil para ela. Ela não conseguia ver os olhos dele.
Aquela sensação era ao mesmo tempo familiar e estranha.
Ela ignorou o algo que se mexeu por dentro e saiu em passos rápidos.
O público, ao ver aquilo, explodiu de raiva.
"O que foi isso? Luta armada?!"
"Sai do ringue, impostor! Não queremos ver a fraude de um fraco!"
"Alguém vai lá cima arrancar aquela máscara falsa! Queremos saber quem está se passando pelo mito invicto da nossa arena!"
Alguns, em êxtase descontrolado, começaram a jogar bitucas de cigarro e garrafas de cerveja, mas a rede de proteção fez tudo cair de volta nos outros espectadores.
Um tumulto eclodiu imediatamente nas arquibancadas.
Foi então que o homem de charuto apareceu no centro da arena.
Bang. Bang. Bang.
Três tiros rasgaram o ar, e todo o salão emudeceu de uma vez.
"Senhoras e senhores, se é fraude ou não, os próximos combates vão mostrar!" O homem olhou para Rafael no ringue: "Também estou ansioso para saber se o Vazio voltou mesmo."
A agitação se aplacou. Na tela ao lado, os nomes dos próximos desafiantes foram sendo sorteados aleatoriamente, visíveis a todos, para garantir a imparcialidade.
O clima foi acendendo de novo, porque o primeiro a enfrentar o suposto
Vazio
era Lauze.
Lauze era uma figura temida em toda a arena clandestina.
Um lutador livre de raras habilidades, com toda a fortuna construída nas arenas.
Os adversários que haviam morrido debaixo dos seus punhos passavam de quase cem.
"Começa o combate."
Com o sinal do árbitro, Lauze avançou.
Quase dois metros de altura. Na frente dele, até Rafael parecia relativamente pequeno.
O chão vibrava com cada passo, como um martelo pesado.
"Mata ele! Mata o impostor!"
"A máscara do Vazio não pode ser manchada!"
O público despejava a raiva que tinha. Só Serena ficou quieta, sentada.
Ela havia removido o disfarce e estava de volta à aparência original.
O lugar ao lado estava vazio. Ela instintivamente colocou o braço para impedir quem tentava se espremer.
O olhar pousou tranquilo em Rafael. Ela sabia que com ele não ia acontecer nada.
"Rasga ele! Mas não estraga a cara!"
O grito perfurou os tímpanos. Serena semicerrou os olhos, observando os dois se encontrando.
Bum!
Um corpo voou, caiu pesado.
"Cadê o Vazio?"
"Hahahaha, Vazio? Aquele fraco já morreu!"
O público explodiu em gargalhada.
Mas no segundo seguinte, todos viram o homem de máscara dourada e preta apenas se abaixar para ajustar a dobra da calça.
O barulho despencou de repente. E todos ficaram olhando, estarrecidos, para o outro lado da arquibancada, onde havia uma espécie de
montanha
levemente ondulando.
Era Lauze.
As pessoas foram se levantando uma a uma.
Afinal, da posição em que os dois tinham se cruzado até onde Lauze havia aterrado havia pelo menos cinco metros.
Cinco metros num ringue. O que isso significava?
Esmagamento absoluto de forças.
Lauze tinha quase dois metros de altura e pesava mais de cento e trinta quilos.
Que força capaz de arremessá-lo cinco metros em fração de segundo?
No canto, Lauze tinha o rosto coberto de sangue.
Ele ainda tentou se levantar quando o árbitro estava na contagem dois, se erguendo parcialmente.
Mas a força vital que estava deixando o corpo o fez cair de volta.
"Vitória do Vazio!"
O árbitro ergueu o braço de Rafael.
O salão explodiu em gritos.
Serena viu Rafael olhar na direção onde ela estava.