"Vazio!"
O público entrou em colapso de emoção.
O salão inteiro ferveu no instante em que o homem apareceu.
Numa sala de bastidores, um homem de meia-idade fumando charuto ouviu o relatório e se levantou de um salto:
"O que você disse? Vazio? Ele disse que é o Vazio?"
"Ele assinou o documento de risco de vida com esse nome, mas a caligrafia é diferente." O subordinado disse: "E quando entrou no escritório, arrancou a máscara de Shura da parede direto. O senhor sabe que quem não tiver a força do Vazio, arrancar aquela máscara é sentença de morte."
"Deixa eu ver." O homem pegou o papel, o olhar pousou na caligrafia.
Depois de um instante, ele disse com gravidade: "Vai comigo ver."
Enquanto isso, lá fora havia quem já tivesse levantado o celular, filmando com a mão tremendo, a voz saindo aguda de emoção:
"O Vazio, que desapareceu por sete anos, voltou à arena de Nessel onde fez história contra o Deus do Trovão..."
Também havia quem duvidasse: "É mesmo o Vazio? Só por usar a mesma máscara já é o Vazio de sete anos atrás?"
"Não acredito que seja o Vazio! Sem Nome, mata esse impostor!"
"Mata ele! O legado do Vazio não pode ser manchado!"
A euforia inicial foi se transformando em raiva. Eles não podiam acreditar que o homem que esperaram sete anos simplesmente aparecesse assim.
O Vazio era a fé de toda a arena. Uma fé que devia ficar intocável no altar.
Mas enquanto a plateia fervia, o clima no ringue estava completamente diferente.
"Por que você subiu?" Rafael continha a raiva com dificuldade.
Ele saiu por cinco minutos para atender uma ligação, e ela foi parar no ringue.
Ela não sabia que aqui só tinha gente que não ligava pra vida?
Serena ficou contrariada: "Com essa aparência você ainda me reconheceu?"
"Volta comigo." Rafael controlava o temperamento: "Aqui não é brincadeira."
"Eu quero aquele prêmio." Serena, determinada: "Então, ou você me vence, ou espera eu ganhar 12 rodadas."
Muito bem.
Rafael estava com raiva de verdade.
O árbitro foi até o meio e pediu silêncio ao público. Ele foi se aproximar de Serena para fazer o gesto de apresentação dos lutadores, quando sentiu de um dos lados uma frieza mortal, densa como matéria sólida.
O árbitro se virou, chocado. Encontrou o olhar afiado e gelado por trás da máscara de Shura.
Um calafrio subiu pela espinha. Ele recuou meio metro: "O combate entre o Vazio e Sem Nome começa agora!"
E pulou vários metros para longe em seguida.
Serena ficou confusa com o comportamento do árbitro. Era tradição ele erguer os braços dos dois lutadores antes do combate.
Mas que falta de profissionalismo era essa?
Ela logo voltou o foco para o que importava.
O adversário na frente dela era Rafael. Ela não tinha a menor chance de ganhar.
Mas os prêmios eram essenciais. Ela tinha que conseguir.
Serena atacou primeiro.
A velocidade era maior do que antes. O movimento era leve, completamente sem som.
Rafael olhou para a mulher na frente dele. Ele não se mexeu, até que a presença dela invadiu o espaço dele. Então a mão saiu em velocidade.
Estalo. Estalo. Estalo. Estalo. Estalo.
Uma sequência de bloqueios. A expressão de Serena congelou.
Todos desviados.
Nem um único golpe conseguiu passar?
No momento em que a decepção e o espanto a tomavam, a cintura dela foi presa pelas mãos dele.
A máscara de Shura fria e implacável preencheu o campo de visão dela, e a voz saiu com algo de raiva controlada:
"São doze rodadas, certo? Eu faço por você."
Dito isso, com um movimento suave mas firme, Rafael ergueu Serena e a colocou no próprio ombro.
No segundo seguinte, quando o público inteiro esperava que ele fosse arremessá-la contra o chão, Rafael simplesmente foi até a borda do ringue e a desceu com cuidado:
"Fica me esperando quinze minutos."