No cantinho, Owen e Yingluò estavam com as pernas dormentes de tanto ficar agachados, e foram trocando de posição.
"Olha só. Grande mestre é grande mestre. Até a postura sentada tem uma presença diferente." Owen suspirou.
Yingluò acenou: "Pois é. Fica a dica, irmãzinha: pra bajular alguém, esquece o chefe. Bajula a cunhada, é o suficiente."
Falcão também se aproximou: "Estou indo."
"Ah, você não fica mais?" Owen ficou aflito.
"Não precisa de mim aqui." Falcão soltou aquilo com toda a seriedade, virou e foi.
Yingluò correu: "Espera aí, vou junto."
Owen: "..."
Então, como hacker de alto nível, ele ficaria ou não ficaria aqui escondido como um espião?
Serena não fazia ideia do dilema de Owen. Ela estava escolhendo o estilo da trança.
Optou pelo clássico com fitas coloridas no meio, e entregou o catálogo para a menina.
A menina começou logo.
Do outro lado, o fotógrafo trouxe as fotos reveladas.
Serena pegou, e o olhar pousou nas imagens.
Ela e Rafael estavam diante das colunas de pedra antigas, e a luz do sol fazia as duas caras transbordar de um calor dourado.
Era raro ver Rafael assim. Tinha um jeito de menino grande.
Sem a frieza séria do trabalho, e sem a provocação calculada que usava com ela.
Naquele momento, o olhar dele era limpo, o sorriso aberto. Simples e feliz.
E Serena, envolvida pelos braços dele, estava sorrindo com aquela leveza de quem está completamente à vontade.
Serena ficou segurando a foto, e a expressão foi congelando aos poucos.
Certas coisas estavam saindo dos trilhos?
Tinha que admitir: na hora da foto, ela não estava pensando em nada. Por isso a foto era a reação mais honesta que havia.
E o estado atual entre ela e Rafael era completamente diferente do que ela havia planejado no começo.
Estava parecendo um namoro de verdade.
Enquanto Serena estava perdida nos próprios pensamentos, a luz na frente dela foi de repente cortada pela silhueta alta de alguém.
Ela levantou o olhar.
Rafael tinha vindo se abaixar ao lado dela para ver a foto.
"Ficou bonita." Ele disse, e vendo o olhar distante de Serena, foi logo provocar: "Ficou tão encantada comigo? Nem precisa mais da foto. O original voltou."
Serena se concentrou de volta, perguntou: "Tem coisa boa pra comer?"
Rafael puxou uma mesinha e foi colocando os itens, apresentando um por um.
Com o cabelo preso pela menina que estava trançando, Serena não podia se mover. Rafael foi sentar ao lado, pegou os utensílios e foi dando a ela uma garfada de cada vez.
A menina que estava fazendo a trança não conteve:
"Meu pai nunca fez isso pela minha mãe. Sempre mandava ela ir trabalhar..."
Rafael respondeu: "É que eu gosto dela. Então só quero mimá-la."
Serena não entendia o idioma direito, e estava mastigando algo crocante, então não ouviu o que Rafael disse.
Quando a trança ficou pronta, já havia passado uma hora.
A menina pegou o espelho: "Ficou lindo! Se a senhora usar a roupa da nossa região, vai ficar ainda mais bonita!"
Serena se olhou no espelho e sentiu o ânimo subir.
Os dois pagaram e foram tirar mais algumas fotos antes de voltar ao hotel.
Quando empurraram a porta do quarto, uma brisa entrou, e as pétalas de rosa espalhadas na cama levantaram e foram caindo pelo chão.
Serena pegou uma pétala e foi ao nariz.
O rosto branco como porcelana, os cabelos escuros, o vermelho do nariz das pétalas ao redor. Ela parecia uma criatura de outro mundo.
Rafael ficou com a respiração mais pesada. Avançou dois passos e prendeu a cintura dela.
Serena estava preparada. No momento em que os lábios de Rafael foram se aproximar, ela levantou os dedos.
Os lábios dele foram parar na pétala, e entre a boca dele e a dela havia dois milímetros de perfume de rosa.