Os dedos finos de Serena voavam pela tela. A velocidade era tal que só se viam rastros.
E na tela à frente dela, uma barra de progresso após a outra ia chegando a cem por cento.
"Falcão, tem alguém a três horas à esquerda."
"Aaron, a sala mecânica está aberta. Transmissão desbloqueada."
"Yingluò, continua. Para. Pronto, abre a porta."
Owen ficou transmitindo as instruções de Serena com a boca que não parava, falando rápido demais como locutor de comercial de rádio.
"Parâmetros do mecanismo de transmissão modificados." Aaron disse. "Chefe, pode prosseguir."
Rafael e Falcão foram logo até um painel de controle e desapareceram no feixe de luz.
"Yingluò, retirada." Owen disse. "Tem alguém à esquerda. Pega o elevador B3."
"Elevador desbloqueado. Vai direto pro térreo."
"Aaron, área segura. Espera o chefe sair."
Na tela, Rafael e Falcão já estavam num segundo edifício.
A segurança ali era ainda mais rigorosa, com escaneamento infravermelho por toda parte.
"Sala dois à esquerda. Entra."
Com as instruções de Owen, os dois entraram sem problemas.
Mal fecharam a porta, um grupo armado passou pelo corredor atrás deles.
"Sai. Sala número sete à esquerda."
"Desce de elevador para o quinto andar. Elevador desbloqueado."
Instrução após instrução, a expressão de Falcão foi ficando cada vez mais curiosa.
Aquela missão estava estranhamente fácil.
Em outros lugares com segurança uma categoria abaixo do Palácio de Salomão, os elevadores e os controles de acesso exigiam tempos de espera.
Em várias ocasiões, durante aquelas esperas, quando alguém passava pelo corredor acabavam tendo que lutar.
Mas agora...
Ele diminuiu a voz e perguntou para Rafael:
"Chefe, por que parece que o
Exterminador
tirou todo o pessoal de guarda de propósito e está esperando a gente do outro lado?"
Rafael curvou os lábios num sorriso mínimo e deu um tapinha no ombro de Falcão: "Depois da missão você entende."
Os dois continuaram em silêncio, avançando.
"Na frente do acesso seguro e do elevador tem gente. Aguarda..."
Antes de Owen terminar, Serena pressionou algumas teclas rapidamente.
Imediatamente, em algum lugar do térreo, um alarme soou.
O pessoal armado que estava no acesso seguro e no elevador correu para lá.
"Aquelas duas posições estão livres. Recomendo o acesso seguro." Owen já estava de boca aberta: "Vai direto para o quarto andar."
Rafael e Falcão chegaram ao quarto andar.
O corredor tinha luz que variava. Num dos quartos, um homem magro estava fumando.
Ele dizia para outra pessoa do outro lado: "Em três dias, você vai receber a notícia da morte de mais um pesquisador central da Aliança Agrícola. Mas preciso de mais vinte por cento..."
A frase não terminou, porque ruídos vieram da porta.
Os dois olharam.
Dois dardos anestésicos acertaram os centros das testas dos dois.
Os dois caíram juntos, as expressões de choque congeladas no rosto.
Rafael e Falcão avançaram, algemaram os dois e desapareceram do quarto em segundos.
"Em frente... vire à esquerda... entre no elevador..."
Com os dedos de Serena voando e Owen transmitindo cada instrução, Rafael e Falcão chegaram sem obstáculos até o último checkpoint, carregando dois prisioneiros.
Aaron e Yingluò que tinham reativado o mecanismo de transmissão voltaram a tempo. Cada um carregava uma mala grande.
Os dois prisioneiros foram colocados nas malas. Os quatro se separaram e saíram do Palácio de Salomão com toda a naturalidade do mundo.
Ao mesmo tempo, todos os registros de câmera de qualquer passagem que haviam feito se apagaram como bolhas de sabão.
O carro preto estava na esquina. Aaron foi o primeiro a abrir a porta.
"Essa missão foi boa demais!" Ele soltou: "O tempo todo sem problema... ah, menos aquela vez que você me assustou, Owen!"
Atrás, Falcão carregou uma mala grande e entrou, o cenho fechado, sem nada da euforia normal depois de uma missão bem-sucedida:
"Por que foi tão tranquilo?"
Ele precisava verificar se a pessoa dentro da mala era mesmo quem deveriam ser antes de ficar descansado.