"Hn..." Rafael não conseguiu segurar um gemido abafado.
A voz saiu rouca, a testa imediatamente coberta de suor.
Maldição, que agulha era aquela? Ele sentia como se estivesse pegando fogo.
Os dedos de Rafael se mexeram e ele foi se levantar.
Mas descobriu com choque que não conseguia se mover.
Era como se toda a força do corpo estivesse aprisionada, impedindo qualquer movimento.
Só o fogo que estava por todo lado, fazendo os olhos dele ficarem vermelhos.
A responsável por tudo aquilo, Serena, não tinha mais medo nenhum dele agora. Ela se abaixou e pegou uma toalhinha do chão.
"Nossa, bastante coisa aí!" A pintinha vermelha no canto do olho parecia viva, e cada movimento dela era carregado de algo irresistível: "Como assim não consegue? Para que tratamento?"
Afinal, seis anos atrás ela já tinha usado esse corpo, ver um pouco agora não fazia diferença.
"Achei que pelo menos precisaria de um minuto para reagir. Mas foi instantâneo!"
Serena suspirou com exagero: "Faz sentido. Só os homens com talento excepcional chegam ao topo de um instituto de pesquisa."
A testa de Rafael estava cheia de suor que descia pelos traços marcantes do rosto.
A voz saiu dos dentes cerrados: "Sere, não brinca com fogo!"
Aquela mulher. Quando ele conseguisse se mover...
O perigo nos olhos de Rafael foi crescendo.
Mas Serena não havia crescido com medo de nada.
Ela foi escalando a cama de Rafael. Os dedos dela provocaram aqui e ali.
"Pra você que ficava nu por aí! Pra você que me incomodou antes!"
"Mas... tenho que admitir que aquela mão sua é irresistível."
Serena disse isso, pegou papel, caneta e prancheta direto da bolsa de instrumentos.
Sentou na cabeceira e começou a desenhar.
Os dedos bem proporcionados, bonitos e compridos, o calo suave na parte interna do polegar direito, e na parte interna do pulso esquerdo, uma cicatriz discreta...
Ela desenhava rápido, o traço fluido e cheio de caráter.
As têmporas de Rafael pulsavam. O suor molhava o lençol.
O abdômen impecável, cada músculo definido, o suor escorrendo pela linha que descia...
Ele avisou de novo: "Serena Viana..."
"Hm." O olhar de Serena continuou preso na prancheta. Ela adicionou os últimos traços finais.
Deu uma olhadinha e ficou satisfeita. Mostrou para Rafael:
"O que acha? Gostou?"
Rafael respirava pesado, os olhos no desenho, e estava prestes a dizer algo quando uma imagem passou pela cabeça.
Sete anos atrás, no Salvation, ele havia perdido o rastro de alguém. De repente recebeu um desenho.
Era um retrato de um criminoso, o traço livre e confiante, capturando todas as características daquela pessoa.
Com aquela imagem ele encontrou o homem e o entregou para o departamento de segurança.
Na época ele tinha tentado localizar quem havia feito aquele retrato, mas a pessoa não havia deixado rastro algum.
O olhar de Rafael foi ficando mais fundo.
O traço de Serena e o do retrato de sete anos atrás eram inconfundivelmente da mesma mão.
Serena viu que ele não respondia, e foi se deitar no peito dele: "Tô sentindo que o fogo te deixou atordoado?"
O lençol sob Rafael estava encharcado de suor.
Ela não havia contado a ele: aquilo não era o tratamento para
aquele
problema. Era para expelir as toxinas acumuladas.
Aquele homem, mesmo com a camada mais alta da identidade que ela suspeitava que ele tinha, havia arriscado a vida inúmeras vezes pelo Salvation e pela Aliança ao longo dos anos.
As missões foram acumulando toxinas no corpo. Expeli-las seria muito mais benéfico para a saúde dele.
Serena olhou para o relógio. Já estava na hora.
Ela tirou as agulhas rapidamente.
Depois de retirar as agulhas, haveria alguns instantes de fraqueza. Nesse tempo, Serena pulou da cama para fugir.
Mas mal os pés tocaram o chão, o pulso dela foi agarrado.
Rafael aplicou uma força leve, e Serena foi de encontro ao peito dele.
Serena ficou de queixo caído. Que corpo era aquele?
Depois de expelir toxinas, qualquer pessoa mal conseguia mover um dedo por pelo menos um minuto. E ele conseguiu puxá-la?
Estava perdida.
Esse pensamento foi o único que passou pela cabeça dela.
Mas o homem só a abraçou, encostou a testa na dela, e deu um beijo leve:
"Finalmente te encontrei."