Rafael já havia saído com Serena e Lorenzo em direção ao carro.
Serena, que tinha visto muitas confissões na vida, sentiu uma inquietação estranha.
Era porque ela estava esperando ver o espetáculo dos outros, e de repente o espetáculo tinha se voltado para ela?
Os três entraram no carro. Lorenzo ficou no celular enviando mensagens animado.
No apartamento, Henrique tocou o play num arquivo de áudio, e a voz do pai saiu pelo alto-falante:
"O motivo é simples. Porque eu gosto da Serena Viana."
Os cantos da boca de Henrique se curvaram levemente.
Ao lado, Zara cobriu a própria boquinha devagar.
Ela teria acabado de ouvir algo muito importante?
Uma nova mensagem de Lorenzo chegou: "Irmão mais velho, o pai parece promissor."
Henrique: "Claro. O pai não ficou com nenhuma mulher antes."
Lorenzo: "Período de avaliação encerrado. Aprovado. Voto a favor de unir papai e mamãe."
Henrique viu a mensagem, o brilho nos olhos crescendo. Virou para a irmã: "E a Zarinha?"
"Zarinha também gosta do papai." A menina disse com as bochechinhas levemente coradas, os olhinhos cheios de expectativa.
"Zarinha também vota a favor." Henrique atualizou Lorenzo.
"Perfeito. Começamos o plano." Lorenzo disse. "O papai é fácil. A mamãe é o desafio. Irmão mais velho e Zarinha, vamos juntos."
"Combinado."
Os três pequenos fecharam o acordo e começaram a traçar a estratégia.
O primeiro passo ficou definido rapidamente.
Lorenzo disse para o pai no carro: "Papai, estou tão animado que não vou conseguir dormir hoje à noite!"
Rafael levantou uma sobrancelha: "Isso tem solução fácil."
Ele justamente estava planejando ficar no apartamento de Serena sem sair naquela noite, mas ainda não tinha inventado um pretexto. E o filho havia chegado na hora certa.
O carro parou em frente ao prédio.
Serena desceu e viu dois acompanhantes atrás dela.
Ela disse: "Eu mesma subo, não precisam me acompanhar."
"Mulher sozinha à noite não é seguro." Rafael disse com uma seriedade convincente.
Mas quando os três chegaram ao apartamento, Rafael ficou.
Serena tentou mandá-lo embora e não conseguiu. E como os três filhos estavam juntos numa situação rara, desistiu.
Henrique já havia se deitado antes, garantindo que Rafael não ficasse confuso sobre quem era quem.
Lá fora, Rafael levou Lorenzo para o quarto de hóspedes: "Anda, entra aqui."
Lorenzo foi educado e ficou parado em posição de atenção: "Papai, você não vai pedir pra tia Serena me tratar?"
"Antes do tratamento, tenho perguntas." Rafael olhou Lorenzo de cima a baixo: "Desde quando você sabe conversar com adultos mais velhos assim?"
"E desde quando você faz comentários deliberados para diminuir a Valentina?"
"E mais." Rafael se aproximou de Lorenzo: "Como eu não sabia que você tinha uma velocidade de mão fora do normal?"
Lorenzo ficou de pé com aquela cara de criança boa:
"Então papai, o filho desenvolveu habilidades novas. Você deve estar feliz, não?"
Rafael: "..."
Lorenzo dobrou a aposta. Subiu no joelho de Rafael, enlaçou o pescoço dele e falou no ouvido:
"E papai, já combinei com os dois filhos da tia Serena para fazer a ponte entre vocês dois."
Rafael ficou completamente parado por um instante, e então olhou para o filho:
"Achando que assim vai escapar do interrogatório?"
Em seguida, mudou o tom completamente: "Pode ser que sim."
Lorenzo soltou o ar. Na hora colocou os braços no pescoço de Rafael, ergueu o rosto, e dois beijinhos molhados pousaram no rosto dele.
Feito isso, ele escorregou do joelho e saiu correndo.
Rafael passou a mão no próprio rosto e não conseguiu segurar o sorriso.
Aquele menino. Não foi criado por acaso.