Logo o senhor Tomás foi estabilizado e colocado na ambulância.
A esposa, aliviada finalmente, segurou as mãos de Serena com lágrimas nos olhos:
"Serena, obrigada de coração! Meu marido deve a vida a você..."
Serena deu um tapinha gentil nas mãos dela:
"Salvar vidas é o princípio básico de qualquer médico. Não precisava agradecer."
Enquanto essa reviravolta acontecia de um lado, do outro algumas jovens de famílias menores tinham ido até a sala de descanso onde Valentina estava.
"Senhorita Valentina..." Eram pessoas que ao mesmo tempo invejavam e precisavam se aproximar dela: "Aquela Thea é veterinária de vilarejo, como ela foi lá e acertou assim na sorte grande..."
Mas antes de terminarem, Valentina as interrompeu.
Ela se virou com aquele olhar que reduzia as pessoas a formigas:
"Não precisam me chamar pra ajudar em nada. Eu já disse antes: como a senhora Tomás escolheu ela, não venham me pedir mais nada depois."
As jovens se entreolharam e foram logo explicar: "Não é isso, a Thea ela..."
"Não quero ouvir nada sobre ela." Valentina foi direta: "A bagunça que ela fizer, não sou eu que limpo."
As jovens se olharam novamente, sem saber o que dizer.
Elas não tinham ido defender Valentina de verdade. Queriam aproveitar a confusão para ver a grande senhorita passar vergonha.
E a vergonha que ela tinha passado... estava no nível de obra de arte.
Com o incidente do senhor Tomás, a festa não tinha como continuar.
A ambulância foi, e os Viana foram despedindo os convidados.
Rafael de mãos dadas com Serena e Lorenzo estava saindo em direção ao estacionamento quando ouviu alguém chamá-lo:
"Rafael..."
Valentina estava de pé sob a luz baixa da noite, com aquele vestido longo, os olhos pousados nas mãos entrelaçadas de Rafael e Serena.
"Você vai mesmo se complicar com a família Tomás e arriscar o instituto por causa dela?"
Rafael ficou parado por um instante, e então entendeu.
Valentina provavelmente ainda não sabia a verdade.
Ele ficou com Serena ao lado e disse:
"Quando a ambulância chegou e analisou o sangue, descobriram que era envenenamento. Graças ao que a Sere fez, ele saiu do perigo. O médico também disse que o corte na traqueia era desnecessário."
Valentina ficou de queixo caído: "Você está brincando?"
"Já brinquei com você alguma vez?" Rafael perguntou.
Valentina se lembrou das jovens que foram até ela sem conseguir terminar o que queriam dizer, e o rosto ficou completamente branco.
A pior humilhação da vida. Na frente de Rafael.
A elegância dela foi por água abaixo. A voz até tremeu: "Rafael, não foi que eu perdi pra ela, eu..."
Rafael balançou a cabeça: "Na verdade não tem nem como comparar."
Ele ergueu a mão com a de Serena entrelaçada:
"Deixando de lado o fato de que eu confiaria na capacidade dela de qualquer jeito, mesmo que ela não tivesse capacidade nenhuma, eu estaria do lado dela."
Valentina não conseguia acreditar: "Por quê?"
"O motivo é simples." Rafael virou o rosto para Serena, mas as palavras eram para Valentina: "Porque eu gosto da Serena Viana."
Predileção não precisa de razão.
Por predileção, apoio sem condições.
E além disso, ele tinha uma intuição de que Serena nunca o deixaria na mão.
Valentina ficou parada onde estava. O vento noturno soava ao redor, mas na cabeça dela as palavras de Rafael continuavam em loop.
Ele disse que gosta da Thea.