《Casamento por Contrato, Coração em Liberdade》Capítulo 24

Três anos sem nos vermos, e Bernardo parecia um pouco mais magro. Olhando para ele, senti uma calma profunda e estranha. Não havia rancor, nem aversão, nem surpresa; percebi subitamente que talvez eu realmente não me importasse mais.

— Coincidência — respondi brevemente, como um encontro entre velhos conhecidos com uma relação comum.

Ele se sentou na outra extremidade do banco, apoiando os cotovelos nos joelhos, mantendo uma postura educada e contida.

— Desculpe, fui eu quem planejou este encontro. Tenho uma parceria com o Alex e ele me enviou um convite para o casamento. Eu sabia que você viria, mas tive medo de que me ver na cerimônia estragasse o seu humor. Hesitei por muito tempo se deveria ou não falar com você, mas... eu realmente queria te ver.

Ele soltou um leve suspiro. Percebi que ele parecia ter adquirido o hábito de suspirar.

— Nestes anos após o divórcio, muitas vezes acordo assustado no meio da noite, com o coração cheio de dor e arrependimento. Fico pensando que, se eu tivesse tentado te conhecer melhor no passado, se tivesse te dado mais atenção, se... eu não tivesse saído do país...

Sua voz carregava um lamento denso. Ele enfiou a mão no bolso e tirou um maço de cigarros. Ele nunca fumou antes. Bernardo costumava rejeitar qualquer coisa que pudesse causar dependência; para ele, desejos incontroláveis eram vícios que deveriam ser descartados. Mas agora...

Bernardo, por instinto, levou o cigarro aos lábios, um movimento que parecia ter se tornado um hábito de anos. Porém, um segundo antes de pegar o isqueiro, ele pareceu despertar de um sonho, parou e jogou o tabaco na lata de lixo ao lado.

— Desculpe.

Não tive reação; não me importava se ele fumava ou não. Bernardo percebeu minha total indiferença e soltou um riso autodepreciativo.

— Se eu tivesse abandonado meus preconceitos mais cedo, não estaríamos assim hoje.

Sorri levemente: — O passado ficou para trás.

Bernardo soltou o ar, assentindo: — É verdade, ficou para trás. Quais são os seus planos para o futuro?

Comprima os lábios, refleti por um momento e balancei a cabeça.

— Não sei, não tenho planos específicos.

Não era uma evasiva; eu realmente não sentia que houvesse algo que eu

precisasse

fazer obrigatoriamente. Gosto de desenhar, continuarei sendo designer de joias até o dia em que não queira mais. Minha avó está envelhecendo, quero aproveitar que ela ainda tem disposição para conhecer o mundo e viajar mais com ela. Quanto ao meu irmão, ele arranjou uma namorada na escola; uma garota adorável, de personalidade doce, que não se importa com o histórico dele e que sabe muito bem como lidar com ele. Eu e a vovó gostamos muito dela.

Se fosse há alguns anos, eu nem ousaria sonhar com tamanha felicidade.

Bernardo não disse mais nada, e o silêncio se instalou novamente. Eu, no entanto, sentia-me muito à vontade; afinal, entre nós, não ter assunto era o estado normal.

Vi o pomo de adão de Bernardo se mover, ele parecia querer dizer algo várias vezes.

Ele queria dizer que redecorou a casa inteira, que ela não era mais composta apenas pelas cores frias de preto, branco e cinza. Ele queria dizer que o closet estava cada vez mais cheio de roupas de alta costura de várias cores, todas esperando pelo retorno da dona. Ele queria dizer que também começou a escrever em um caderno, registrando as preferências e hábitos dela. Ele queria dizer que já conseguia preparar o prato de brotos de feijão recheados com maestria. Ele queria dizer... Ele queria dizer...

Havia tanto que ele queria dizer. Mas, no fim, ele não disse nada.

Na verdade, não me lembro de como nos despedimos naquele dia. Foi como dois viajantes cansados que param para descansar no mesmo banco. Quando o descanso termina, cada um se levanta e segue seu caminho. Sem necessidade de cumprimentos, sem necessidade de adeus.

Apenas seguimos naturalmente em duas direções diferentes. E assim, foi perfeito.

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