《Casamento por Contrato, Coração em Liberdade》Capítulo 16

Minha melhor amiga tentou recolher o celular rapidamente, mas eu já tinha visto tudo.

Alguns comentários diziam que era impossível Bernardo não saber que sua própria esposa era a designer "Sereia"; que tudo não passava de uma encenação, sacrificando Isadora para me promover. Outros afirmavam que eu só conseguira me tornar uma estrela em ascensão no mundo do design graças ao apoio e aos recursos de Bernardo.

Em poucas frases ambíguas, o foco saiu do plágio de Isadora e transformou meu esforço em algo sem valor. Bernardo, era esse o "acerto de contas" que você queria me dar?

Ergui a cabeça e virei o restante do uísque no copo. O amargor seco e amadeirado espalhou-se pela minha boca, trazendo-me uma lembrança vaga e familiar.

O cheiro de Bernardo.

Aquele aroma gélido de notas amadeiradas misturado ao amargor do café Blue Mountain, a monotonia das cores preto, branco e cinza... tudo nele exalava uma frieza que impedia qualquer aproximação. Talvez tivesse sido melhor se nunca tivéssemos nos conhecido.

Mas, se eu me colocasse de volta na situação de três anos atrás, o noivado com a família Bernardo era minha última tábua de salvação. Eu não tive escolha.

Enquanto eu divagava, Bia, que estava ocupada discutindo com haters online, parou de repente e soltou um "Ué?". Ela deslizou a tela e atualizou a página várias vezes; o post que estava bombando segundos atrás havia desaparecido sem deixar rastros.

"O post foi derrubado." Bia franziu a testa, irritada. "Que ódio! Eu ainda nem tinha terminado de xingar."

Segurei a mão dela e balancei a cabeça. "Hoje é um dia feliz, não vamos dar atenção a eles."

Mal terminei de falar e meu celular tocou. Era um número desconhecido da China. Atendi e ouvi a voz do assistente de Bernardo.

"Sra. Clarice, sou o assistente do Sr. Bernardo. A senhora se lembra de mim, certo?"

Era irônico. Durante os três anos em que ele esteve fora, nunca me deu um telefonema sequer; acabei tendo mais contato com o assistente dele do que com meu próprio marido. Inclusive, era o assistente quem me ajudava com os trâmites relacionados ao meu irmão.

"Eu sei quem é. Aconteceu alguma coisa?"

O assistente hesitou, como se esperasse a reação de alguém ao seu lado. Baixei o olhar e falei num tom baixo, mas alto o suficiente para ser ouvida do outro lado da linha:

"Eu já vi o vídeo de desculpas. O 'acerto de contas' do Sr. Bernardo foi realmente criativo. Dar toda essa volta apenas para tentar limpar a imagem da Srta. Isadora... que esforço admirável."

"Não é isso, Clarice."

Quem disse isso foi o próprio Bernardo. Ele parecia ter tomado o celular da mão do assistente; sua voz, geralmente calma e indiferente, agora carregava uma nota de urgência.

"Clarice, eu só queria que a Isadora te pedisse desculpas publicamente. Não imaginei que ela diria aquelas coisas. Foi incompetência da equipe responsável, e eu já os puni."

"Eu já mandei retirar o vídeo do ar para não prejudicar mais a sua imagem. Você..."

"Chega." Interrompi Bernardo impacientemente. "Não diga mais nada. Esse seu jeito falante me soa estranho."

"Eu nunca esperei que você me desse satisfação nenhuma. Ouvir essas justificativas agora só me dá dor de cabeça."

"Bernardo, vamos fingir que nunca nos cruzamos, que nunca nos conhecemos."

"Deixando de lado esse casamento fracassado, nós realmente... não combinamos em nada."

"Peço desculpas pelo passado, mas daqui para frente, vamos seguir sem incomodar um ao outro."

Dito isso, desliguei o telefone imediatamente. Bia, ao meu lado, assentiu repetidamente em aprovação.

"Muito bem! Como você gostava tanto dele antes, achei que ia ter dificuldade em desapegar."

Baixei os cílios para esconder o rastro de melancolia no coração. "Por mais que se goste, a gente cansa."

Bia e eu bebemos à vontade e saímos do bar apoiadas uma na outra. No entanto, após apenas alguns passos, colidi com uma "parede" humana.

Era um perfume gélido e amargo.

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