《Casamento por Contrato, Coração em Liberdade》Capítulo 8

Nós nos olhamos através do brilho espetacular dos fogos de artifício; ninguém se mexeu. Gabriel se colocou à minha frente, em total estado de alerta.

"O que você está fazendo aqui?"

Bernardo não respondeu. O cansaço da viagem não diminuía em nada sua aura de nobreza e arrogância. Ele manteve o olhar sombrio, ignorando a presença de meu irmão, fixando os olhos em mim sem desviar por um segundo.

O silêncio se arrastou em meio à atmosfera de confronto. Após o que pareceu uma eternidade, ele finalmente falou: "Clarice, precisamos conversar."

Gabriel recusou imediatamente: "Conversar o quê? Minha irmã não tem nada para falar com você. Saia da nossa casa agora!"

Bia também se postou diante de mim: "Na hora de casar você sumiu, agora que separou quer conversar? Conversar o quê? Vá embora, você não é bem-vindo aqui!"

Bernardo permaneceu imóvel como uma rocha, sem dar a mínima importância aos dois. Ele sempre foi assim. Quando colocava algo na cabeça, não desistia até conseguir; qualquer pessoa ou obstáculo que interferisse em seu caminho era tratado como fumaça.

Senti um desânimo profundo. Sabia que, se não fizesse a vontade dele, ele não me deixaria em paz. Toquei suavemente nos braços de Gabriel e de Bia que me bloqueavam.

"Gabriel, entre. Cuide da vovó e vá descansar."

Gabriel ficou ansioso. "Mana..."

Ele quis protestar, mas eu apenas balancei a cabeça lentamente: "Me obedeça."

Bia não tentou mais me impedir, apenas lançou um olhar de puro ódio para Bernardo antes de sair. "Tudo bem. Mande uma mensagem quando terminarem, nós vamos te buscar."

Meia hora depois.

Eu e Bernardo estávamos sentados frente a frente em uma cafeteria próxima de casa, imersos em um silêncio absoluto. Ele me observava com aquele olhar afiado e distante, sem esconder seu desagrado.

Ele começou o interrogatório com uma voz gélida: "Mandei investigarem. Você comprou esta casa há um ano. Já tinha planejado o divórcio há muito tempo."

Ele falava como se estivesse apenas constatando um fato óbvio. "Você me odeia tanto a ponto de querer nunca mais me ver?"

Ao ver a confusão em seus olhos, senti uma onda de impotência. Comecei a mexer o líquido marrom na minha xícara, observando a pouca espuma de leite ser engolida pelo café.

Bernardo, por outro lado, nem sequer tocou na xícara à sua frente. Era um café Blue Mountain, mas não o Blue Mountain que ele gostava, pois ele não podia garantir se a água estava a exatos 92°C ou se o tempo de infusão fora de precisos 2 minutos e 30 segundos.

Eu costumava ser como aquela xícara de café: só porque não era do agrado dele, era completamente ignorada, mesmo estando bem diante de seus olhos.

Larguei a colher e encarei seu olhar.

"Sim. Desde o início, eu nunca quis me casar com você."

"Três anos de casamento só me deram uma certeza: eu só serei feliz longe de você."

"Se você tivesse parado para me ouvir uma única vez, saberia que todas as vezes que pedi o divórcio, eu estava falando sério."

"No começo, eu só esperava que a família Bernardo, por consideração à amizade antiga, salvasse minha avó. Nunca pretendi usar aquele compromisso de infância para te chantagear, mas admito que foi um erro meu ter prejudicado o seu futuro conjugal."

"Senti culpa em relação a você, e a família Bernardo foi extremamente generosa comigo. Por isso, nestes três anos, fui cautelosa, trabalhei como uma serva e aguentei tudo sem reclamar. Fiz isso apenas para retribuir a dívida de gratidão."

"Agora estamos quites. Você está livre."

O olhar de Bernardo escureceu. Sua mandíbula estava tensa e as veias de suas mãos, apoiadas sobre a mesa, estavam saltadas.

"Aquele compromisso foi selado quando éramos crianças. Eu me casei com você porque quis. Por que você teria que sentir culpa?"

Suas palavras me deixaram estática. Olhei para ele, e uma mágoa tardia explodiu em meu peito, me envolvendo completamente. Achei aquilo tão absurdo que tentei sorrir, mas percebi que minha visão já estava embaçada.

Ele disse que "quis".

Se ele quis, por que foi tão frio comigo depois do casamento? Se ele quis, por que correu atrás de Isadora no exterior assim que o avô dele faleceu? Se ele quis, por que passou três anos sem me dar notícias, tratando-me como uma pessoa invisível mesmo quando eu estava na frente dele?

"Bernardo."

Minha voz saiu quase como um soluço.

"Mas eu... eu não quis. Eu não queria isso."

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