O rosto de Melissa estava cadavérico. Assim que o carro parou, ela saltou e começou a vomitar violentamente.
O conteúdo ácido do seu estômago sendo expelido trazia consigo uma profunda sensação de humilhação. Ela nunca estivera tão deplorável!
Limpando a boca com a manga da roupa, a fúria em seus olhos era tamanha que ela parecia querer despedaçar o homem à sua frente com os dentes.
— Bernardo Peixoto! O que você pensa que está fazendo? Acha que eu tenho medo de você? Se tocar em mim, você está acabado! A maioria das suas empresas está ligada à família Margarida. Se eu morrer, você cai junto. Bernardo, me solte agora!
Ao proferir as últimas palavras, a postura da orgulhosa herdeira pareceu retornar.
Ela se ergueu com arrogância, evitando olhar diretamente para Bernardo, transbordando desprezo.
— Melissa, a família Margarida tem mais de uma "herdeira" — disse Bernardo, aproximando-se com um sorriso gélido.
— Você acha que não houve uma transação entre nós? Você é apenas uma peça que a sua família me entregou. Desde o momento em que o contrato foi assinado, a sua vida me pertence.
Essas palavras, ditas pausadamente, fizeram Melissa estremecer.
Ela olhou para Bernardo e sentiu um calafrio percorrer todo o corpo. Incrédula, ela gritou com desespero:
— Bernardo! Se eu morrer, você não terá como se explicar para a minha família! Nós ainda nem nos casamos!
Bernardo continuou avançando, cada passo uma pressão psicológica sufocante:
— E o que isso importa? A Soraia era a minha única família, o meu único vínculo neste mundo por todos esses anos. Por sua causa, eu acreditei que ela não tinha mudado. Por sua causa, eu ignorei o inferno que aquele maldito Instituto causou a ela!
Ele lembrou-se das feridas terríveis nas costas de Soraia, onde cicatrizes antigas e cortes novos se cruzavam como marcas de tortura gravadas na pele.
Não parecia haver um centímetro sequer de pele intacta; cada pedaço de seu corpo narrava a agonia que sofrera.
Sua voz começou a tremer de dor ao recordar:
— E foi por sua causa que ela teve a pele arrancada para um transplante.
Quão insuportável deve ter sido a dor da lâmina cortando a carne?
Bernardo lembrava-se perfeitamente:
Soraia não disse uma palavra, não implorou por misericórdia, nem sequer olhou para ele. Esse pensamento cortava o coração de Bernardo como uma faca.
— E no fim, ela ainda...
Bernardo não conseguiu terminar a frase. As memórias do colapso de Soraia o inundaram:
"Eu errei! Eu realmente errei! Por favor, não me deixe aqui! Tio Bernardo, me salve... Eu não posso ficar sozinha com esses homens, eu vou enlouquecer!"
Aquele grito desesperado, as lágrimas misturadas ao sangue escorrendo pela testa e manchando o chão... todo aquele trauma fora provocado pelas manipulações de Melissa.
E, naquela época, ele não olhara para trás.
Bernardo fechou os olhos por um instante, mergulhado no silêncio. Melissa aproveitou a oportunidade e saiu correndo. Ele não foi atrás dela.
Neste lugar, só havia um caminho: a morte.
Houve um tempo em que Soraia era vívida e adorável; ela corria e olhava para trás procurando por ele, gritando sem parar:
"Tio, tio, venha rápido!"
Quando se sentia injustiçada, agarrava as mangas dele e chorava tão alto que todos ao redor paravam para olhar.
Ela nunca sentia vergonha de demonstrar seus sentimentos por ele.
Bernardo sabia que fora ele quem, passo a passo, encurralara Soraia até o fim da linha.
Tudo precisava acabar.