Bernardo deixou seus seguranças protegendo o corpo de Soraia junto aos legistas e correu em direção ao pátio principal.
Lá, Melissa acabava de organizar suas coisas, apressada para entrar no carro e fugir.
Ao ver Bernardo avançando com uma fúria avassaladora, Melissa entrou em pânico.
Ela tentou fechar a porta do carro rapidamente, mas Bernardo foi mais rápido e agarrou a lateral com força bruta.
Melissa usou toda a sua energia para tentar selar a porta, mas não era páreo para a força dele; ele a arrancou do veículo e a arremessou violentamente contra o chão.
— Melissa! O que a Soraia te fez para você a caluniar dessa forma?! — rugiu ele. — Agora você não poupa nem o cadáver dela! Como você pode ser tão cruel?
Cada palavra fazia o rosto de Melissa empalidecer, mas ela logo se levantou, limpando a poeira da roupa e retrucando com veneno: — Eu a odeio! Por que eu deveria ser generosa enquanto você trocava olhares com ela? Ela merecia morrer!
Bof!
O som do tapa de Bernardo ecoou no pátio. — Você é quem mais merece a morte aqui! — sentenciou ele, desferindo um segundo golpe.
Os dois tapas foram tão violentos que o rosto de Melissa inchou instantaneamente, e seu cabelo ficou grudado à face de forma humilhante.
Mas seus olhos ainda ardiam de ódio enquanto ela ria com escárnio: — Tudo isso foi causado por você! Se não fosse por você, eu sequer conheceria a Soraia, nem teria pesadelos todas as noites por causa dessas coisas! — Tudo isso aconteceu debaixo do seu nariz, não foi? Você consentiu silenciosamente! Por que está me batendo agora? — Bernardo Peixoto,
você
é quem matou a Soraia! Ela deveria te perseguir! Deveria te arrastar com ela para o inferno!
Bernardo estava tão possesso que não conseguia articular palavras; seu peito subia e descia freneticamente.
Ele agarrou Melissa pelo colarinho, arrastando-a com uma voz sombria:
— Você pagará por cada um dos seus crimes!
Ele a jogou para dentro do carro, travou as portas e arrancou em alta velocidade, levantando uma nuvem de poeira.
Diante da velocidade insana, Melissa perdeu toda a sua elegância e arrogância habitual.
Ela batia desesperadamente no vidro, com o rosto inchado e o cabelo desgrenhado, gritando como uma possessa:
— Bernardo! Me deixe sair! Você está ouvindo?!
Bernardo a ignorou completamente, acelerando ainda mais.
Ele era um excelente motorista; mesmo naquela velocidade que deixava Melissa pálida e sem voz, agarrada à porta, ele desviava dos outros veículos com precisão cirúrgica.
Naquele momento, um pensamento súbito cruzou a mente de Bernardo: ele também queria dar um fim a si mesmo.
Melissa não estava errada. Tanto o horror do Instituto Santa Marina quanto as armações de Melissa... todas as dores infligidas a Soraia ocorreram sob o seu consentimento tácito.
Foi a sua irresponsabilidade que gerou essa tragédia.
Ele era a pessoa que mais merecia morrer.
Contudo, ao pisar no freio bruscamente, ele recuperou a calma. Bernardo não queria morrer. Pelo menos não agora.
Ele ainda não terminara de investigar todos os envolvidos, e Melissa ainda não pagara o preço devido.
E, acima de tudo, ele ainda queria ver Soraia uma última vez.
Mesmo que esse encontro pudesse falhar.
E mesmo que, no mundo inteiro, a pessoa que Soraia menos quisesse ver fosse ele.