localização atual: Novela Mágica Fantasia Romance Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou Capítulo 13: O Rastro da Verdade e a Herança do Horror

《Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou》Capítulo 13: O Rastro da Verdade e a Herança do Horror

Até a mais profunda ternura tem o seu fim.

Após passar a noite inteira abraçado ao corpo gélido de Soraia, os lábios de Bernardo estavam arroxeados pelo frio e seu semblante era assustadoramente abatido.

Ele saiu para fazer uma higiene rápida e logo começou a fazer ligações.

Durante aquelas horas de vigília, ele rememorou a origem de toda essa tragédia: o Instituto Santa Marina.

Ele estava decidido a investigar a verdade pessoalmente.

Antes de partir, Bernardo trouxe os legistas de volta. Olhando para Soraia deitada na mesa de metal, ele não conseguiu esconder a dor em sua voz:

— Por favor, façam um exame minucioso. Quero saber a origem de cada cicatriz, por menor que seja.

Os legistas assentiram, trocando olhares cautelosos.

Ao sair do hospital e sentir o calor do sol, Bernardo sentiu a garganta apertar:

Soraia, eu vou descobrir tudo. Cada ferimento que você sofreu será devolvido a eles mil vezes pior.

Soraia, agora em sua forma espiritual, seguiu Bernardo até o carro.

Ela o viu abrir os contatos e selecionar o número do responsável pelo Instituto Santa Marina.

Foi então que ela viu como ele a tinha salva em sua agenda:

"Princesa Soraia"

. Ela achava que ele já tivesse mudado aquele nome há muito tempo.

Durante todo o trajeto, Bernardo permaneceu em um silêncio sepulcral.

Ao entrar no Instituto Santa Marina, Soraia sentiu um pavor tão grande que não queria descer do carro, mas sua curiosidade sobre o que ele faria ali a impulsionou.

Ela flutuou até os ombros de Bernardo, sentando-se ali de costas para o prédio, buscando algum conforto na presença dele.

Bernardo, sem perceber a presença dela, caminhou a passos largos para dentro da instituição. Ao olhar ao redor, ele finalmente notou as anomalias.

Todos os estudantes tinham rostos pálidos e doentios, com olhares vazios. Ao verem um estranho, eles se encolhiam contra as paredes ou fugiam para se esconder.

Quando ele mesmo trouxera Soraia anos atrás, ele apenas avaliara a infraestrutura e a conversa dos professores; nunca prestara atenção nos alunos.

Bernardo lembrou-se do estado em que Soraia voltou para casa. Ele perdera a conta de quantas chicotadas dera nela naquela época.

Só lembrava das costas dela ensanguentadas e da poça de sangue que se formara no chão, chegando a tocar a sola de seus sapatos.

Naquele dia, ela mantivera a cabeça baixa, sem derramar uma lágrima ou pedir clemência.

Ao lembrar de quando a forçara a olhá-lo, ele percebeu que o olhar dela era idêntico ao daqueles alunos: oco e anestesiado.

A certeza da verdade o atingiu com violência.

Ao entrar no escritório e ver o sorriso bajulador do diretor, a fúria de Bernardo explodiu. Ele avançou e desferiu um tapa violento no rosto do homem:

— O que vocês fizeram com a Soraia?! — Falem!

O rugido fez a sala tremer. O diretor, com o olhar esquivo, tentou manter a fachada: — Sr. Peixoto, nós não fizemos nada... apenas seguimos as normas.

Bernardo sabia que eles não confessariam facilmente. Voltou-se para os seguranças que o acompanhavam: — Fiquem aqui e vigiem este homem.

O diretor entrou em pânico e agarrou o braço de Bernardo, com os olhos transbordando terror:

— Mas não foi o senhor quem disse que queria acabar com os sentimentos impróprios daquela menina? Nós usamos alguns "métodos", mas o senhor mesmo disse por telefone que os aceitaria, contanto que ela aprendesse a ter modos! — Por que quer investigar isso agora, Sr. Peixoto?

Enquanto o diretor falava com a voz trêmula, uma rajada de vento violenta entrou pela janela, soando como um lamento fúnebre.

O vento fustigou as janelas instáveis, batendo-as contra a parede com estrondo.

Aquele som de agonia rítmica era idêntico à frequência dos tremores da alma de Soraia.

Ela olhou para a janela horrorizada, até que o vento finalmente cessou.

Bernardo também foi pego de surpresa pela ventania, mas logo retomou o foco:

— Eu não disse que era para dar uma lição até que ela desistisse daquelas ideias? Eu disse para não a fazerem sofrer demais, que eu voltaria para buscá-la!

Na verdade, ele só se lembrara de dizer aquelas palavras cinco dias após tê-la deixado ali.

— Quando o senhor ligou para dizer isso... as "lições" já tinham começado... — a voz do diretor foi minguando até se tornar um sussurro inaudível.

Bernardo ouviu perfeitamente. Ele não podia mais esperar. Arrombou a porta e exigiu ir até a sala de monitoramento.

O diretor, sem saída diante de um homem cuja sanidade estava sendo consumida pela fúria, não teve escolha senão guiar o caminho, mantendo a cabeça baixa, temendo encarar os olhos escarlates de Bernardo Peixoto.

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