A luz vermelha sobre a porta do centro cirúrgico apagou-se antes mesmo de completarem dez minutos.
Bernardo assistiu, com os olhos esbugalhados, enquanto os médicos empurravam a maca de Soraia para fora.
O cirurgião apenas balançou a cabeça negativamente, pronunciando a sentença final de morte.
A última centelha de esperança foi brutalmente extinta. Um frio cortante e visceral envolveu Bernardo, tornando-o incapaz de emitir qualquer som.
Quando Melissa chegou ao hospital, deparou-se com Bernardo sentado no chão, em um estado catatônico que já durava uma eternidade.
— Bernardo!
Ela tentou levantá-lo, mas ele parecia fundido ao piso.
Seus olhos estavam assustadoramente vazios, mas as palavras que escaparam de seus lábios transbordavam um ódio latente:
— Eu quero uma autópsia.
Dizendo isso, Bernardo levantou-se. Coberto de sangue, sua aparência era aterradora, mas Melissa, reunindo uma coragem desesperada, segurou-o pelo braço e gritou:
— E o nosso casamento, Bernardo Peixoto? Você tem noção do quão humilhada eu fui lá no hotel? Eu...
Antes que ela pudesse terminar, Bernardo a interrompeu secamente:
— Cancele.
Sem dizer mais nada nem oferecer um único olhar, ele soltou-se das mãos dela e caminhou a passos largos em direção ao necrotério.
Melissa ficou para trás, batendo os pés de frustração e amargura.
A alma de Soraia observava tudo, flutuando em silêncio enquanto seguia Bernardo.
No necrotério, Bernardo acariciava repetidamente o rosto agora acinzentado de Soraia.
— A culpa é do seu tio... eu não soube te proteger.
Lágrimas caíam sobre o metal gélido da mesa de autópsia.
Ele segurava a mão de Soraia com uma relutância dolorosa em deixá-la ir, examinando cada cicatriz na pele exposta.
A dor era tamanha que ele mal conseguia continuar olhando.
Ele se levantou e disse com firmeza: — Por favor, procedam com o exame forense.
O legista aproximou-se, ajustando as luvas e a máscara. Ao ver que Bernardo não pretendia sair, disse com hesitação: — O senhor não deveria ficar aqui.
Bernardo não moveu um músculo. Seus olhos não se desviavam de Soraia por um segundo: — Eu ficarei aqui.
Os legistas trocaram olhares e optaram pelo silêncio. No momento em que tocaram o lençol branco para descobri-la, foram interrompidos por uma voz feminina:
— Não podem fazer isso!
Bernardo virou-se e viu Melissa, que chegara correndo e ofegante.
— Bernardo, que sentido faz isso? Todo o sofrimento que ela passou... não foi tudo consequência dos próprios atos dela?
Consequência dos próprios atos?
Se tudo aquilo começou apenas porque Soraia se apaixonara por ele, então cada sofrimento dela, do início ao fim, também fora por causa dele.
Além disso, ao observar a agitação evidente que Melissa tentava esconder, Bernardo sentiu um calafrio subir pela espinha.
Será que as coisas que Melissa disse antes eram realmente verdadeiras?
Uma vez que a semente da dúvida foi plantada, Bernardo não ousava mais aprofundar o pensamento, temendo a verdade.
— Bernardo, sua prioridade agora não é lidar com a Soraia. Você quer que eu encare todos aqueles convidados sozinha? Você se esqueceu de que hoje é o nosso casamento?
Enquanto falava, os olhos de Melissa se encheram de lágrimas que escorreram por seu rosto, borrando sua maquiagem e dando-lhe um aspecto de vulnerabilidade calculada.
Bernardo vacilou por um instante. Ele olhou para o corpo de Soraia e perguntou ao legista: — Haverá algum problema se a autópsia for feita amanhã?
— Nenhum.
Ao receber a confirmação, Bernardo sentiu um breve alívio, mas sua expressão sombria deixou Melissa inquieta.
— Sem a minha permissão, ninguém deve dar um passo dentro desta sala — ordenou ele.
Soraia viu Bernardo sair. Ela não o seguiu mais; permaneceu flutuando ao lado de seu próprio cadáver, encolhida.
Por que, mesmo morta, ela ainda tinha que ver a si mesma e presenciar essas pessoas angustiantes e repulsivas? Ela não entendia.
Entretanto, Bernardo apenas deu algumas instruções rápidas na porta e retornou imediatamente.
Melissa, ao perceber que ele pretendia voltar para o necrotério, agarrou-o com uma força inacreditável.
Suas unhas longas chegaram a cravar na pele do braço de Bernardo, causando-lhe dor.
— Bernardo Peixoto! O que você pensa que eu sou? Você vai mesmo ficar acompanhando esse cadáver o tempo todo?
Ao ouvir a palavra "cadáver", Bernardo encarou a mulher à sua frente com incredulidade.
Melissa nunca fora, aos seus olhos, alguém tão irracional e cruel. Naquele momento, ele não conseguiu conter o tom gélido e o olhar de advertência:
— Melissa. Soraia não é apenas um "cadáver". O que eu faço é problema meu. Além do mais, ainda não somos casados. Você não tem o direito de me controlar.
Melissa viu a fúria no olhar do homem e compreendeu a gravidade da situação. Com um sorriso amargo, ela insistiu: — Então você não pretende mais se casar comigo, Bernardo?
Bernardo olhou para ela em silêncio, com os lábios comprimidos. Ele tomou uma decisão quase instantânea: — Eu não quero mais me casar.
As lágrimas de Melissa transbordaram. A humilhação e a rejeição tornaram seu estado ainda mais deplorável.
Ela segurou a mão dele, suplicante: — Bernardo, eu sei que você está abalado. Eu espero por você. Eu posso esperar. Por favor, não desista de mim tão rápido, está bem?
Melissa o abraçou, as lágrimas quentes molhando o ombro de Bernardo.
A sensação de calor fez Bernardo, por um segundo, sentir como se fosse Soraia. Fazia tanto tempo que ela não o abraçava daquela forma.
Perdido em pensamentos, Bernardo ficou rígido antes de, com um gesto de desolação, afastar Melissa gentilmente.
— Eu preciso ficar sozinho.