localização atual: Novela Mágica Fantasia Romance Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou Capítulo 10: O Despertar do Espectro e o Eco do Arrependimento

《Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou》Capítulo 10: O Despertar do Espectro e o Eco do Arrependimento

O rosto sem vida de Soraia mantinha os olhos abertos, uma visão que perfurou a alma de Bernardo como lâminas de gelo.

Suas pupilas se contraíram e ele ficou paralisado, em um estado de negação absoluta.

— Soraia?

O sussurro foi o estopim. De repente, seu coração pareceu ser agarrado por ganchos de ferro, uma dor lancinante que o fez despertar do transe.

Suas pernas fraquejaram, mas ele rugiu com uma força vinda do desespero:

— Alguém ajude! Salvem-na!

Quase em surto, ele a arrancou de cima do capô do carro.

Ao acalentar o rosto dela entre as mãos, Bernardo percebeu que seus próprios dedos tremiam incontrolavelmente.

O toque da pele gélida o mergulhou no pânico.

— Saiam da frente! Abram caminho!

Ao baixar o olhar, o horror atingiu seu ápice.

Soraia estava despida, seu corpo era uma colcha de retalhos de cicatrizes antigas e recentes.

Mas o que fez seu sangue congelar foi a visão do abdômen dilacerado pelo impacto, onde a carne e o sangue se misturavam de forma grotesca.

A última barreira de sua sanidade rompeu-se ali.

Ele a apertou contra o peito. O corpo frio dizia que ela já havia partido, mas ele se recusava a aceitar.

Ele a carregou para dentro do carro; ela estava assustadoramente leve.

O sangue viscoso escorria por seus braços, deixando um rastro escarlate pelo chão, alimentando seu medo visceral.

— Rápido! — gritou ele, com o olhar desfocado. Cada passo que dava parecia ser sobre nuvens, sem firmeza. — Não tenha medo, Soraia. O tio está aqui. Não tenha medo.

Ele repetia as palavras como um mantra, mas ao chegar à porta do veículo, percebeu que não conseguia abri-la sem soltá-la.

Seus olhos, vermelhos como os de um lobo ferido, fixaram-se no motorista que assistia a tudo trêmulo:

— Abra a porta! Agora!

O motorista, vendo o corpo claramente sem vida nos braços do patrão, hesitou:

— Senhor... ela já morreu...

Essa frase foi como um fósforo em um barril de pólvora. Bernardo rugiu, a voz carregada de uma promessa de morte:

— Se não abrir essa porta agora, eu mato você!

Um pedestre apressou-se em abrir a porta para ele antes de se afastar rapidamente.

Bernardo acomodou-a no banco, cobrindo-a com seu paletó caro como se quisesse protegê-la do mundo, e a abraçou com força, temendo que ela desaparecesse se ele a soltasse por um segundo.

O motorista deu partida, mas não conseguia evitar olhar pelo retrovisor para o homem que parecia ter perdido o juízo no banco de trás.

Bernardo acariciava o topo da cabeça de Soraia, tentando confortá-la:

— Vai ficar tudo bem. Já vai passar. Não tenha medo...

Ele parecia mergulhado em uma psicose, alternando entre a dormência e uma agonia profunda.

Enquanto isso, acima do corpo inerte de Soraia, uma névoa tênue e incolor começou a se desprender, ganhando a forma de um espírito etéreo.

A alma de Soraia observava a própria palidez no banco do carro e olhava para o homem que a abraçava com desespero.

— Soraia... Soraia...

Ela assistia àquela cena sem qualquer vestígio de emoção. Comparada às atrocidades que suportou, aquelas lágrimas dele não tinham valor algum para ela.

Ela o seguiu enquanto ele a carregava para dentro do hospital, gritando histericamente pelos corredores:

— Médicos! Salvem-na! Por favor!

Um médico aproximou-se, checou os sinais vitais e balançou a cabeça com pesar:

— Sinto muito, Sr. Peixoto. Ela já faleceu. Meus pêsames.

Bernardo, porém, agarrou o jaleco do médico com uma força bruta:

— Tente alguma coisa! Como ousa desistir sem nem tentar?!

Sem ninguém para contê-lo e temendo pela própria integridade, o médico assentiu. Quando Soraia foi levada para a sala de emergência, Bernardo desabou no chão do corredor. As mãos ensanguentadas trouxeram de volta a última lembrança dela viva:

"Eu errei! Eu juro que errei! Por favor, não me deixe com eles! Eu vou enlouquecer, eu juro que vou enlouquecer!"

Aquele grito de desespero agora ecoava em sua mente, sufocando-o. Lágrimas pesadas caíam de seu rosto, misturando-se ao sangue em suas mãos. O remorso era uma ferida aberta que o fazia soluçar como uma criança:

— Soraia... minha pequena...

Pairando no ar, a alma de Soraia via, pela primeira vez na vida, Bernardo Peixoto chorar daquela forma.

Mas, para sua própria surpresa, ela não sentia absolutamente nada. Nem pena, nem ódio. Apenas o vazio.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia