localização atual: Novela Mágica Fantasia Romance Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou Capítulo 9: O Voo Interrompido e o Último Espetáculo

《Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou》Capítulo 9: O Voo Interrompido e o Último Espetáculo

Melissa aninhou-se no peito de Bernardo, sussurrando com uma falsa preocupação: — Não vai acontecer nada de mal com ela, vai?

Bernardo soltou uma risada gélida, seus olhos fixos na estrada: — Ela mesma buscou aqueles homens. O que de mal poderia acontecer?

Ele hesitou por um momento, parando seus passos no corredor do hotel para apurar os ouvidos.

O silêncio vindo do quarto era absoluto; não se ouvia um único grito.

Convencido de que Soraia estava apenas encenando um drama silencioso, ele se retirou, sentindo-se finalmente em paz.

O que ele não sabia era que o silêncio de Soraia não era sinal de segurança, mas o resultado de anos de um condicionamento cruel.

No Instituto Santa Marina, ela aprendera que, não importa quantos homens estivessem sobre seu corpo, gritar só resultaria em espancamentos ainda mais severos.

Ela era uma boneca de pano quebrada, suportando o peso da brutalidade enquanto o mundo lá fora continuava a girar.

As mãos daqueles homens eram como serpentes venenosas, rastejando sobre sua pele, rasgando suas vestes e esmagando o que restava de sua dignidade.

Soraia agarrava os lençóis com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos, mas seus lábios permaneceram selados.

As palavras de Bernardo ecoavam em sua mente como um carrasco:

"Ela mesma buscou aqueles homens. O que de mal poderia acontecer?"

Aquelas palavras doíam mais que a própria violência. Seu coração parecia estar sendo esmagado, tirando-lhe o oxigênio.

Durante toda aquela noite interminável, Soraia foi profanada.

O sangue tingiu os lençóis de cetim do hotel de luxo enquanto ela olhava fixamente para o teto, permitindo que a sujeira a consumisse.

Ao amanhecer, os homens finalmente se levantaram, ajustando suas roupas com sorrisos satisfeitos, e abandonaram o quarto.

Soraia ficou encolhida no chão, coberta de hematomas e feridas, como uma marionete cujos fios foram cortados e descartados.

Levou muito tempo até que ela conseguisse se levantar. Cambaleando, ela saiu para o corredor.

Onde quer que passasse, gritos de horror e choque a seguiam.

— Meu Deus! O que aconteceu com ela? Por que está assim? — Olhem as feridas... ela está desfalecendo... chamem ajuda!

Soraia caminhava em transe, alheia ao caos ao seu redor.

De repente, seu celular vibrou com uma notificação de check-in: era o lembrete para o seu voo.

O dia da sua fuga finalmente chegara. Ela esteve tão perto. Faltava tão pouco para começar de novo.

Mesmo nos dias mais sombrios do instituto, ela nunca desistira da esperança de viver.

Mas agora, tanto seu corpo quanto sua alma haviam sido pulverizados.

Ao ler a mensagem, as lágrimas finalmente transbordaram.

Ela não conseguiria ir.

Nunca mais conseguiria fugir daquela prisão.

O homem que ela mais amou a empurrara para o abismo, vez após vez.

Nesse exato momento, o celular tocou. Era Bernardo.

Assim que ela atendeu, veio a enxurrada de reprimendas:

— Você perdeu o juízo? Passou a noite fora e ainda quer continuar com esse teatro? Aqueles homens eram seus comparsas, o que eles poderiam ter feito contra você?

Soraia olhou para as próprias feridas abertas, sentindo um vazio desolador.

O que poderiam ter feito?

No momento em que ela tentava renascer, ele permitira que ela fosse destruída novamente.

Aquelas imagens de horror agora se fundiam com as do reformatório, criando uma cicatriz que nunca fecharia.

Ele a destruíra por completo.

— Já chega de birra — continuou Bernardo, impaciente. — Hoje é o meu casamento com a Melissa. Apareça na hora certa e não tente nenhuma gracinha. Eu já disse que não há futuro para nós. Ver esta cerimônia com seus próprios olhos é a única forma de você desistir de vez!

Soraia finalmente falou, sua voz era um sussurro rouco e estranhamente sereno:

— Está bem, Tio Bernardo. Eu farei questão de que você me veja hoje.

Ela desligou, entrou no elevador e apertou o botão da cobertura.

Bernardo guardou o telefone, mas uma inquietação súbita apertou seu peito.

No instante em que ele se preparava para ligar novamente, o carro nupcial estacionou em frente à entrada principal do hotel.

BUM!

Um estrondo ensurdecedor abalou o veículo. Um vulto despencou das alturas, colidindo diretamente contra o capô do carro, bem diante de seus olhos.

Gritos de pânico eclodiram por todos os lados. Bernardo levantou o olhar lentamente, e suas pupilas se contraíram em um terror absoluto.

Através do para-brisa estilhaçado, ele viu o rosto de Soraia.

Estava coberto de sangue, com os olhos abertos e fixos, como se ela ainda estivesse procurando por uma saída que nunca existiu.

Ela morreu sem conseguir fechar os olhos para o mundo que a traiu.

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