localização atual: Novela Mágica Fantasia Romance Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou Capítulo 2: O Peso da Obediência e a Sombra do Passado

《Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou》Capítulo 2: O Peso da Obediência e a Sombra do Passado

Os lábios finos de Soraia tremeram levemente, mas antes que ela pudesse emitir qualquer som, a fúria de Bernardo explodiu.

Ele arremessou o copo de leite contra o chão com violência. O vidro se estilhaçou em mil pedaços e o líquido branco respingou nos pés dela, frio como gelo.

— Achei que você tivesse aprendido a se comportar, mas vejo que guardou esse truque para o final.

A voz dele era cortante, carregada de um desprezo visceral.

— Deixe-me ser claro: eu não sinto atração por garotinhas, muito menos pela garota que eu criei. Não sou um animal. Mesmo que você ficasse nua na minha frente agora, eu não me daria ao trabalho de olhar.

Dito isso, ele deu as costas e saiu a passos largos, sua silhueta rígida e fria como um iceberg.

Soraia permaneceu imóvel, os dedos enterrados no tecido do pijama até que as pontas ficassem brancas. Sua garganta parecia obstruída, sufocando qualquer grito de agonia.

Pouco depois, vindo do quarto ao lado, sons íntimos e ambíguos começaram a ecoar pelas paredes.

— Bernardo, mais devagar... a Soraia ainda está no quarto ao lado — murmurou Melissa, com uma voz manhosa.

Bernardo não respondeu com palavras. Em vez disso, o som sôfrego de beijos intensos tornou-se mais alto, seguido pelos gemidos de Melissa, que subiam de tom a cada instante. O ranger rítmico da cama preenchia o silêncio do corredor.

Soraia sabia que aquilo era um aviso deliberado. Bernardo queria que ela entendesse, de uma vez por todas, o seu lugar.

Ela sentia dor, sim, mas não era a dor do ciúme ou do amor ferido. Aquela paixão havia sido incinerada durante os três anos de inferno que viveu. Quando a enviou para o Instituto Santa Marina, Bernardo declarou: "Soraia, entenda bem: eu nunca vou amar você".

Três anos depois, ela havia aprendido as regras. Não ousaria amá-lo novamente.

Sua agonia vinha das memórias que aqueles sons despertavam. No instituto, ela era obrigada a ouvir sons semelhantes todas as noites — de outras pessoas e, tragicamente, os seus próprios. Aqueles ruídos eram como pesadelos vivos que a cercavam, impedindo-a de escapar.

Em um transe de desespero, ela se ajoelhou no chão do quarto, voltada para a direção do instituto, e começou a bater a testa contra o piso, repetidamente.

Panc. Panc. Panc.

O som seco da carne atingindo a madeira ecoava de forma perturbadora.

— Soraia não ama mais o Bernardo... Soraia não ama mais o Bernardo... Soraia nunca mais vai amar o Bernardo... — sussurrava ela freneticamente, com uma voz rouca e anestesiada, como se aquele mantra fosse o único feitiço capaz de libertá-la das garras do passado.

Na manhã seguinte, Soraia sentou-se à mesa, com a cabeça baixa, comendo mecanicamente. Quando Bernardo e Melissa desceram, a noiva exibia marcas arroxeadas no pescoço e um sorriso radiante.

Soraia não desviou o olhar do prato, agindo como se fosse invisível. Ao terminar, ela se levantou para sair, mas a voz de Bernardo a deteve.

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— Pare aí. O que aconteceu com a sua testa?

Ela parou, respondendo com apatia:

— Eu bati sem querer.

Soraia pretendia apenas suportar os oito dias restantes trancada em seu quarto antes de desaparecer para sempre. No entanto, o tom de Bernardo subiu:

— Que tipo de batida deixa uma marca dessas? Você está tentando inventar algum novo drama para...

— Bernardo, querido, não seja tão duro com a menina — interrompeu Melissa, com um sorriso doce voltado para Soraia. — Soraia, hoje eu e o Bernardo vamos escolher o local do casamento. Quero que venha conosco.

Soraia abriu a boca para recusar, mas Bernardo interveio com severidade:

— Eu lhe disse ontem para se dar bem com a Melissa. Já esqueceu?

Ela baixou a cabeça, a voz frágil:

— Tudo bem. Eu vou.

Após visitarem vários locais, Melissa decidiu que a cerimônia seria em um iate de luxo. No meio do passeio, Bernardo retirou-se para a cabine para atender uma ligação de negócios.

Melissa e Soraia ficaram sozinhas no convés. A brisa marinha soprava, trazendo o cheiro salgado do oceano. O silêncio era desconfortável. Quando Soraia tentou se afastar silenciosamente, Melissa a chamou.

— Soraia, eu sempre tive curiosidade sobre uma coisa... Que tipo de pessoa sem escrúpulos se permite desejar o próprio tio?

O corpo de Soraia ficou rígido instantaneamente, seus dedos apertando o corrimão de metal.

Melissa notou o choque e soltou uma risadinha gelada:

— Surpresa por eu saber? Ouvi dizer que o Bernardo tinha uma protegida que ele mimava mais que tudo, mas que de repente foi enviada para um reformatório. Investiguei um pouco e descobri o quão absurda você foi, cobiçando o homem que a criou desde pequena.

O rosto de Soraia perdeu a cor, seus lábios tremiam violentamente.

— Eu...

Antes que pudesse terminar, Melissa virou-se para ela, com um olhar afiado e possessivo:

— Soraia, eu amo o Bernardo há anos. Agora que ele finalmente aceitou se casar comigo, não permitirei que nada estrague isso. Não quero uma "terceira pessoa" entranhada em nossas vidas após o casamento. Entendeu?

Soraia fechou os olhos, a voz trêmula mas definitiva:

— Entendi, Melissa. Não se preocupe... eu vou embora.

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