O barulho de discussão ecoava lá embaixo, misturado a um estalo de tapa.
Mas a visão de Serena estava no escuro.
Só o cheiro do homem na frente dela, aquele perfume limpo de madeira de rosa.
Os dentes dela foram separados, e a língua de Rafael a invadiu, enrolando na dela.
A mão dele passou pela bochecha dela e pousou sobre a pintinha vermelha, roçando devagar.
A discussão ficou mais alta.
Naquela confusão, Serena estava prensada contra a parede apertada, sentindo a ponta da língua até a espinha ficar dormentes.
Os lábios de Rafael deslizaram pela bochecha e foram até o ouvido dela:
"Sere, a partir de agora eu protejo você. Com as mãos. Sem as coisas nojentas do Túlio."
A respiração dele era quente, fazendo os poros de Serena se abrirem, um tremor leve.
Ela ficou desconfortável e se mexeu um pouco.
Rafael endureceu, a respiração ficando mais pesada.
Serena parou imediatamente, até a respiração se tornou mais suave.
Pam!
O som de algo quebrando. O cheiro de vinho tomou conta do espaço.
Aquele aroma inebriante também invadiu os sentidos de Serena, deixando a cabeça leve.
Até que o bater da porta ecoou, e tudo ficou de repente em silêncio.
A mão na cintura de Serena afrouxou um pouco. Rafael recuou levemente dos lábios dela.
Os dois estavam com a respiração desregulada.
Rafael olhou satisfeito para o brilho úmido nos olhos da mulher nos seus braços.
Ele se inclinou até a pintinha vermelha e a beijou.
Serena ficou aborrecida e o encarou.
Lá embaixo, tanto Túlio quanto Valentina tinham sumido. O que restou foi só uma cadeira de rodas.
Então Túlio, em público, na verdade não usava cadeira de rodas?
Ele a usava por causa do veneno no corpo? E quando precisava parecer normal, conseguia andar?
Serena pensou nisso e deu uma cotovelada no homem atrás dela: "Vamos voltar para o salão."
Rafael abaixou os olhos para si mesmo.
Serena seguiu o olhar dele e viu o problema.
Ela o encarou: "O que precisa de tratamento? Você parece mais saudável do que qualquer um!"
Rafael curvou os lábios: "Sere está me elogiando?"
Em seguida estreitou os olhos: "Já viu mais alguém assim além do seu falecido ex-marido Diego?"
Serena sorriu: "Sou médica. Com certeza já vi mais do que você..."
Antes de terminar, Rafael a virou e a prensou embaixo.
Os olhos dele estavam cheios de perigo: "Fala direito. Do contrário, não me importo de fazer você me tratar agora mesmo."
Serena ficou com raiva.
Quando dependia de alguém, não tinha muita escolha.
Ela não conseguia bater nele. E tinha medo que ele perdesse o controle.
"Só vi o Rafael." A voz de Serena saiu longa e carregada de intenção, má e sedutora ao mesmo tempo.
A garganta de Rafael se moveu várias vezes antes que a agitação dentro dele se acalmasse.
Aquela mulher era perturbadora demais. Se a levasse para casa, ia ter que ficar de olho nela em tempo integral.
Ele a pegou no colo e saltou.
Os dois desapareceram rapidamente na escuridão do jardim, e quando reapareceram, já estavam no salão.
Serena foi para um canto e encontrou o filho cercado de crianças.
Vários meninos e meninas estavam com olhar de fã: "Quinho, você é demais! Podem te adicionar?"
"Eu também quero! Quinho, me leva junto!"
Lorenzo curvou os cantos da boca: "Regra de sempre. Adicionar tem que pagar."