E aquilo era só o começo.
Perto da hora de a festa começar de verdade, os outros irmãos foram chegando um a um.
A mãe foi apresentando Serena a todos com aquela animação.
Caio Viana, o primogênito, trinta e três anos. Vice-presidente do conglomerado Viana e primeiro na linha de sucessão.
Maduro e de presença forte, com aquele ar de quem estava acostumado a comandar.
Sávio Viana, o segundo, também trinta e três. Advogado internacionalmente reconhecido. Responsável por todo o departamento jurídico do conglomerado.
Elegante e meticuloso, com uma frieza precisa.
Yago Viana, o terceiro, administrava todas as marcas de moda da família. Refinado e gentil.
Plínio Viana, o sexto, estava de farda militar, a pele morena de quem passa tempo ao sol, com um olhar afiado.
A mãe não entrou em detalhes. Serena deduziu por conta própria.
Havia rumores de que a família Viana mantinha um corpo de guarda-costas pessoal. E provavelmente era o sexto que coordenava toda aquela estrutura.
Serena olhou para os irmãos e não conseguia deixar de notar: Valentina não se parecia com nenhum deles.
Traços completamente diferentes em todos os aspectos.
Foi então que as luzes do palco mudaram.
O apresentador subiu ao palco, deu as boas-vindas aos convidados e anunciou:
"E agora, a protagonista desta noite, senhorita Valentina Viana!"
Valentina subiu ao palco com um vestido longo cor champanhe que marcava a silhueta perfeitamente.
Olhando para os rostos voltados para ela lá embaixo, ela sentiu algo frio e controlado dentro dela.
Esses convidados sabiam o que era respeito quando queriam.
"Obrigada a todos por estarem aqui no meu aniversário de 24 anos. E obrigada aos meus pais e irmãos pelo evento surpresa..."
Valentina retomou o controle da situação, confiante. "A primeira dança desta noite quero com o Sandro."
Mas quando terminou a frase e virou os olhos para o canto do salão onde o irmão estava, Sandro estava conversando com Serena.
Por uma fração de segundo, Valentina quase perdeu a compostura.
Sandro ouviu o nome ser chamado e reagiu na hora, se encaminhou para o palco.
Há pouco ele estava tentando convidar Serena para tocar uma peça para alguém importante do meio artístico. Mas a conversa mal tinha começado quando foi chamado.
Ele subiu, virou para Valentina com um sorriso e estendeu a mão.
Mas a irmã na frente dele estava com a expressão levemente tensa.
"Valentina?" Ele a chamou.
Valentina sentiu algo bloqueado no peito que não encontrava saída.
Forçou um sorriso, pôs a mão na mão do irmão.
Os dois começaram a dançar.
Num canto do salão, um grupo de crianças estava conspirando.
Três dos irmãos mais velhos já eram casados, e os filhos mais velhos eram um par de gêmeos do primogênito, oito anos.
"Você disse que consegue jogar com a gente?" O primeiro perguntou.
Lorenzo acenou: "Consigo, e ainda posso quebrar o recorde de vocês na dungeon."
"Mentira! Não acredito!" O segundo balançou a cabeça.
"Irmão, mas ele tocou piano tão rápido antes. Talvez consiga mesmo." A filha do segundo irmão, sete anos, defendeu Lorenzo.
"Tá, tenta." O mais velho autorizou.
"Mas se eu quebrar o recorde, qual é a minha recompensa?" Lorenzo piscou os olhos: "Me contam um segredo da titia de vocês?"
O segundo irmão, animado pra poder se gabar depois, concordou logo: "Pode ser."
Os pequenos entraram em acordo e pegaram os celulares.
Rafael estava não tão longe, olhando para o filho circulando naquele ambiente com uma naturalidade desconcertante.
A dúvida foi crescendo dentro dele.
Desde quando Henrique conseguia fazer os mais velhos sorrirem assim, e ainda virar líder das crianças?
Esse filho. Tinha sido trocado?